Pesquisar este blog

quarta-feira, 16 de maio de 2018

de Rosália Calsavara e Moisés Monteiro de Melo Neto: Sonho de Primavera.


PREFÁCIO

Sonhar é sempre bom. É viajar, muitas vezes por caminhos, que, se concretizados, deixam de ser sonhos e se transformam em metas alcançadas, em realidade.

Assim foi o sonho de Rosália Calsavara e de Moisés Monteiro de Melo Neto com o Sonho de Primavera.
A vontade de fazer com que o “sonho sonhado” se transformasse em
realidade foi motivo para exercitar, com sucesso, a interação entre as artes cênicas, a música e a literatura, com delicadeza e sensibilidade.

Guilherme Arantes fez questão de vir ao Recife assistir aio espetáculo que ficou 7 anos em cartaz num teatro com 900 lugares; os autores ficaram emocionados com o depoimento dele



Experiências vividas e o acreditar em sonhos contribuíram para que os autores construíssem um projeto educativo que apresenta–se como pertinente e promissor no contexto das alternativas vivenciadas pela educação ambiental.

Moisés Neto, Moisés Monteiro de Melo Neto, é dramaturgo premiado, professor universitário e pesquisador



Os autores do musical infantil, agora também livro, Sonho de Primavera, Rosália e Moisés, tratam com sensibilidade, descontração e pertinência temas sócio ambientais que devem ser motivos de reflexões de crianças e adolescentes, enquanto cidadãos em formação. 


O livro é um material paradidático importante aos processos de educação ambiental em escolas e em comunidades, principalmente se associado às atividades culturais que podem ser (re)criadas e realizadas pelos jovens.


Ao livro podem ser somados outros produtos do projeto, como a peça teatral e o CD das músicas que fazem parte do sonho construído.


Elisabete Braga
Educadora Ambiental

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Alice no maravilhoso país transdisciplianar, maravilhas linguística de Lewis Carrol

A era vitoriana 

passagem ao país das maravilhas

a chave do tmanho

uma jogo de cartas marcadas em forma de charada


Tendo como linha de pesquisa  Leitura e ensino: uma perspectiva multidisciplinar, segue uma dica:
O fato de Alice ser apresentada como pequena cidadã inglesa que se vê contrariada nos seus princípios de uma educação vitoriana rígida,que não admitia contradições, nos inpirou esta investigação. Temos então um jogo interdisciplinar entre história universal e a literatura dirigida, prinipalmente, ao leitor infantojuvenil, numa perspectiva lúdica, a reinterpretr costumes. Também há que se considerar o aspecto fonolinguístico promovido pelo livro em inglês e as traduções como , por exemplo, "Jaguadarte" (no original em inglês"Jabberwocky"),  um poema nonsense que aparece em Through the Looking-Glass, and What Alice Found There (segundo livro que o autor escreve contendo aventuras de Alice, em 1871) por Lewis Carroll. É geralmente considerado um dos maiores poemas de nonsense escritos em língua Inglesa. Vejam este: (traduzido por Augusto de Campos: "

Era briluz. As lesmolisas touvas
roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos."


A tarefa de tradução é mais notável e difícil porque muitas das principais palavras do poema foram simplesmente inventadas por Carroll, não tendo significado prévio. Os tradutores geralmente lidaram com essas palavras inventando versões próprias. Às vezes, elas são similares quanto à sintaxe ou ao som das palavras de Carroll no que diz respeito à morfologia da linguagem para a qual se está traduzindo. Por exemplo, na tradução de Augusto de Campos "'Twas brillig" é traduzido como "Era briluz". Nesses casos, a palavra original e a traduzida soam como palavras reais no léxico, mas não necessariamente palavras com significado similar. Os tradutores também inventaram palavras tiradas dos radicais com significado similar aos radicais do inglês usados por Carroll. Como Douglas Hofstadternotou[1], a palavra "slithy" soa como as palavras inglesas "slimy", "slither", "slippery", "lithe" e "sly". Uma tradução francesa usa "lubricilleux" para "slithy", evocando palavras francesas como "lubrifiaient" (lubrificado) para dar uma impressão similar de significado à da palavra inventada original.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

EXERCÍCIOS TEORIA DA LITERATURA




1.     Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que
comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança

BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í. (Org.). Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma percepção que 
 a)recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.
 b)descontrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever.
 c)resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.
 d)transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana.
 e) satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico.

2.     A palavra contexto vem acompanhada das mais diferentes situações e às vezes sem um esclarecimento mínimo sobre o que vem a ser o contexto
             Sobre o conceito de contexto  leia as afirmações a seguir.

 I.    Tudo aquilo que envolve o texto, mas não é o texto.
II.    É o pano de fundo sem o qual nada seria explicável ou compreensível.
III.   Todos os elementos que aparecem no texto ou a que o texto faz qualquer referência.
IV.   É o encontro do leitor com as páginas.
V.    É a interação do leitor com o texto.

A)Apenas as assertivas I, II e III são verdadeiras.
B)Apenas as assertivas II, III e IV são verdadeiras.
C)Apenas as assertivas II, III e V são verdadeiras.
D)Apenas as assertivas I, III e V são verdadeiras.
E)Apenas as assertivas I, II, III e IV são verdadeiras.

profmoisesneto




3.     Aristóteles define um dos gêneros literários da seguinte forma:  A imitação de uma ação séria e completa dotada de extensão em linguagem condimentada para cada uma das partes por meio de atores e não mediante narrativa e que opera graças ao terror e à piedade, a purificação de tais. De que gênero literário se trata?

A)lírica
B)tragédia
C)epopeia
D)comédia

domingo, 6 de maio de 2018

No Teatro de Santa Isabel, Recife: Rita, ópera cômica em um ato , de Gaetano Donizetti, libreto de Gustave Vaëz

Hoje tem ópera de graça no Teatro de Santa Isabel; 

Rita, é uma ópera cômica em um ato composta por Gaetano Donizetti com libreto de Gustave Vaëz. A ópera, uma comédia doméstica, consiste em oito números musicais ligados por diálogos falados, foi concluída em 1841.
Ingressos grátis.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O Cangaceiro (filme)

produtor e cineasta paulista Aníbal Massaini Neto uniu estas duas funções, fundamentais para a realização de um filme, e recriou um clássico brasileiro, O Cangaceiro, dirigido por Lima Barreto em 1953. Apaixonado pelo projeto do remake, ainda nos anos 80, Massaini reuniu ao elenco variado uma competente equipe técnica (alguns haviam trabalhado no original), e escolheu o sertão pernambucano para ambientar sua interpretação.

Moisés Neto, Jece Valadão e Renato Phaelante



Embora mantendo o enredo do filme anterior, Massaini imprimiu ao seu uma contemporaneidade, motivada pela notícia da prisão de um ex-cangaceiro, acusado de roubar uma padaria. Iniciando sua narrativa nos dias atuais, faz uma ponte com o passado (e a trama original) através de um velho presidiário que relata sua experiência no cangaço como menino. E daí este olhar "novo", estes "olhos de menino", através dos quais será contada a história.

O menino, fundamental para a apropriação criativa da obra anterior, é o - porque não dizê-lo? - artista potiguar Tom do Cajueiro, que emocionou o público que o conheceu num Brasil Legal de Regina Casé. O guia-turístico de Natal quase veio à Fortaleza para a pré-estréia, domingo passado. Provas na escola impediram que estivesse aqui, compartilhando a festa.

Mas podemos vê-lo em ação, e aos demais integrantes do elenco, a partir de hoje, quando O Cangaceiro entra em circuito comercial, no São Luiz Centro e São Luiz Iguatemi 1. Na conversa a seguir, o diretor-produtor fala deste filme, do Cangaceiro de Lima Barreto e o porquê de começar a exibição pelo Nordeste.

Vida & Arte - O cinema brasileiro ressurge, após o fim da Embrafilme, com uma forte temática nordestina, inclusive com produções premiadas. Por que a refilmagem de O Cangaceiro, em particular?

Aníbal Massaini Neto - Este projeto, eu tomei conhecimento dele em 1988, quando um produtor paulista, o Galante, e mais o Galileu Garcia, inscreveram este projeto para uma seleção que a Embrafilme realizava e eu era um dos consultores. Este projeto chegou em minhas mãos e senti que era de grande potencial. Também eu tinha alguma proximidade com este gênero. A nossa empresa (Cinearte) produziu filmes como Lampião, o rei do cangaço, Corisco, o Diabo Louro, uma série de filmes sobre o cangaço. Quando realizamos, por exemplo, o Corisco, a Dadá conviveu conosco um ano, lá em São Paulo. Ela teve não só uma participação ativa no desenvolvimento do roteiro do filme, como orientou na confecção de figurinos. O projeto de remake poderia se constituir também não só num grande desafio, como também num filme com imensas perspectivas de resultados, visto que O Cangaceiro é, até hoje, o maior sucesso internacional do cinema brasileiro. Produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em 1953, além de ter conquistado dois prêmios importantes no Festival de Cannes (melhor filme de aventura e melhor música), ganhou prêmios também nos festivais de Berlim, de Mar del Plata, e foi distribuído pela Columbia em mais de 80 países, tendo arrecadado mais de 50 milhões de dólares, dólar daquela época. Evidentemente que este projeto era fascinante. Um ano depois, sabedor desta minha admiração, o Galante me propôs uma sociedade. E em 1990, quando houve aquela debacle do cinema brasileiro, motivada por uma política do então presidente Collor, ele acabou me vendendo o restante do projeto, desanimado com as perspectivas de realização do filme. E de lá pra cá eu não parei de trabalhar, fazendo sucessivas etapas de adaptação do roteiro do Lima Barreto. Coloquei isto como uma prioridade de vida. Mesmo nestes momentos mais difíceis em que tive que desenvolver outros projetos, outros filmes, eu não deixei de alimentar este desejo.

Rainha da Pernambucália, carta#2


CARTA (off, antes do espetáculo, a plateia ouve trechos, enquanto entra): Vieram aqui assistir ao quê? Ao espetáculo d minha decadência ou o start da minha nova ascensão? O que prefeririam? As férias forçadas foram ótimas, mas agora voltei.  Quando fui abandonada , meu anjo da guarda teve o maior trabalho para me convencer a não pular do apê, na bad trip desse amor esotérico, ou até que nem tanto esotérico assim... eu e minha imbecilidade concordamos: uma serra elétrica no coração teria doído menos;  percebi logo algo sinistro naquele dia que essa criatura saiu na metade do meu show... cara de nojo... diferente da cara coitadinha, vítima da “mau caráter” aqui, como ela gosta de espalhar sobre mim, por aí. Ela, a raposa, sei muito bem como ela juntou a graninha dela, bancando a honesta; pra cima de “muá”? Non! Rien de rien! Je ne regrette rien! Eu nunca fui o cérebro por trás da nossa relação: eu fui a... alma. Ah! Foi muito carnaval. Muito rock ´n´roll. Eu tinha orgasmos com as mordidas dela no meu pescoço... satisfazendo meus sonhos eróticos...disseram que eu precisava de uma rehab pra me desestressar, uma clínica discreta. Diziam também que a dor purificaria meu espírito vingativo, hum! Não queria tranqüilizantes, tomar o que há para não ver o que há... eu enchi a car muitas vezes pra anestesiar as tristezas e fazer a atriz, sempre feliz e debochada. A vida , às vezes, parece um maldito relógio, me observando, que só pede licença depois de invadir minha existência. Ui! Se arrependimento matasse... falavam mal de mim; as redes sociais adoram uma perdedora pra chamar de sua! Falsos amigos escutaram você, acreditaram nas suas trapaças sórdidas contra mim. Suas mentiras bipolares ardilosas. Não bastava me abandonar. Tinha que acabar comigo, não é? Você.... você...  (grita)  ...inconsequente?! e eu só ali, no modelito hay cerveja, no soy contra, e eu não era nada chique quando eu enchia a cara! Eu queria mergulhar no coma, fugir dos tempos chatos... Ulalá! A gente tem que comer quiabo pra saber que não gosta! Eu precisava, de novo, ter prazer de ter prazer comigo! Seguir em frente sem estar chapada; a vida é assim... cochilou, cachimbo cai. Precisava assumir a louca, pero com classe! Mas me lasquei. Caí bêbada da varanda quebrei o maxilar, cortei fundo o lábio, fiquei dois meses me recuperando da cirurgia complicada, colocaram pinos  e disseram que eu nunca mais ia abrir direito a boca; minha carreira de atriz e ativista estaria encerrada? Perdi 50% da audição do ouvido esquerdo. Sobrevivem a isso, também... ela não contava com a minha força. Ela me paga! Veio vesícula, tiróide, escoliose. Porra! Para! Para! Eu disse pra mim mesma. Decidi o que fazer e aqui estou...

Magdale Alves e o diretor Fernando Limoeiro, em texto de Moisés Monteiro de Melo Neto




Graciliano Ramos:125 anos. Parabéns, HOMO LITERATUS


Graciliano. 125 anos. Parabéns, senhor Ramos, HOMO LITERATUS, você está vivo e volta, mais uma vez, a Palmeira dos Índios, aclamado, como que para sempre. Tua matemática implacável que sempre queria subtrair do texto os excessos ainda está azeitada como uma máquina potente, como um programa de computador a driblar tudo que é material usando o zero e o um.
Tua obra, permeada toda pelo furor sóbrio, como a  Matemática, que em grego significa “aquilo que se pode aprender”, exibe em quantidade e formas, uma linguagem própria de representação, peculiar universalismo, que se julga tão exata, sim, tua obra, Graciliano, também nos parece que foi desenvolvida para solucionar problemas relacionados com o cotidiano, e se não tem a geometria analítica de Descartes, relacionada com a álgebra e a geometria, ou se como Euler: não cria uma relação que é utilizada para calcular o número de faces, vértices e arestas de um poliedro, calcula as relações humanas, traz a racionalizaçãoda nossa terrível solidão em meio a tantos relacionamentos. Teus textos parecem realizar cálculos numéricos em operações que vêm do século XIX, quando nasceste, até hoje, apurando-se, como a matemática, para solucionar desafios, (re) formulando leis, que podem ser propriedades ou teoremas, metamorfoseando-se, como se fosse uma visão do nosso hoje, em diversas fórmulas que facilitam os cálculos do nosso dia a dia, em Propriedade comutativa, onde a ordem dos fatores não altera o produto ou a ordem das parcelas não altera a soma. Propriedade distributiva: onde a multiplicação de um número por uma soma ou subtração é igual ao produto desse número por cada parcela. Enfim, como Regra geral,  ou o Teorema dos números primos: estes, que garantem a existência de infinitos números primos, como outros escritores pelo mundo, que de maneira tão genial quanto o modo como construíste tua obra,  são divisíveis por um, isto é, por si mesmo, e significando, simbolicamente aqui cada ser humano, que se divide por ele mesmo, sim, por ele mesmo. João Valério, de Caetés, Paulo Honório, de São Bernardo, Luís da Silva, de Angústia são investigados por peculiares equações nas suas inadequações.
Se a Matemática hoje é ensinada desde os primeiros anos escolares e pode estender-se até a Universidade, para aqueles que optarem por cursar Engenharia, Economia, Matemática, entre outras ciências da área de exatas, teus textos, Graciliano também assim deveriam ser, pois  não és apenas outra linguagem: és uma linguagem mais o apuradíssimo raciocínio, linguagem mais a lógica; és instrumento para raciocinar; lembrando aqui que toda biografia de artista contém uma dose de romance, e ele não consegue se por em contato com a vida sem recriá-la, mas há sempre certo esqueleto de realidade escorando os arrancos da fantasia, como disse Antônio Cândido, ao tratar de você, hoje lhe temos, aqui em Palmeira, como um tradutor de nós mesmo, de volta ao futuro, que te pertence, também.
E se a Teoria Literária consiste no estudo e sistematização da Literatura como área do conhecimento, bem como os modos de análise deste campo, a tua obra, velho Graça, nos  lembra inclusive os princípios aristotélicos, que através da Poética, nos ajudam ainda agora a trabalhar com as  manifestações literárias, essa arte de escrever arte. No romance CAETÉS, nos trazes Palmeira dos Índios da época em que nesta cidade viveste, em singular registro definido de um tempo, mas contigo podemos compará-la com a de hoje, traçando a evolução da nossa psique humana, sob o foco da pedagogia, geografia, história, linguística, sociologia etc, como é do interesse deste seminário da UNEAL.
Mas se para o leitor comum, a teoria literária não tem grande utilidade, visto que as leituras que realiza são determinadas especificamente pelo gosto. O acadêmico, por sua vez, costuma fazer uma leitura mais complexa, dedicando-se aos pormenores da crítica especializada de sua área, suas correntes de pensamento.
Para os estudantes de LETRAS poderíamos aqui citar algumas linhas da teoria literária: o Formalismo Russo (primeiras décadas do século passado), poderia trabalhar o texto em si, assim como o Estruturalismo Tcheco (década de 30 do século passado), o Pós-Estruturalismo e o Desconstrutivismo franceses, que nos deliciam ainda hoje como audaciosas interpretações, e ainda a Estética da Recepção alemã (década de 60 do século passado): imaginem Caetés trabalhado sob diversos “horizontes de expectativas”!
Se fôssemos tratar as personagens do romance Caetés, como Luíza, Marta ou dona Engrácia, de acordo com  a Crítica de Gênero (década de 70 do século passado), e os Estudos Pós-Coloniais e Culturais (a partir da década de 80 do século passado), teríamos potentes ferramentas para analisar sua obra, senhor Ramos.
Poderíamos recorrer a Mikhail Bakhtin com seus estudos sobre polifonia e sátira menipeia, ao tcheco Roman Jakobson, suas opiniões sobre lingüística, ou aos sensacionais franceses Roland Barthes (pós-estruturalismo) e Jacques Derrida (desconstrutivismo), aos alemães Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser (estética da recepção), a norte-americana Judith Butler (crítica de gênero), ao palestino Edward Said (estudos pós-coloniais) e a tantos outros que nos encantam com sua perspicácias e pelo modo como nos instrumentalizam para as mais variadas análises. Mesmo assim parecerás esfinge, Graciliano, que nós deciframos, mas tu nos devoras.
Falarmos das ferramentas de um escritor que usa a sociologia, mesmo que de maneira implícita, é lembrarmos, também, o mestre Graça e o modo como ele trata do seguinte enigma: como uma sociedade se diferencia sem se dissolver; a sociologia na estilística de Graciliano está no seu primeiro romance Caetés: a sociedade de Palmeira dos Índios, ali representada por personagens que tem fala e outros que são apenas referidos, como o Prefeito (limpo, mas incompetente e de família tradicional, o padre que mantém um jornal semanal (Graciliano conviveu com um em Palmeira, assim), alguns de língua maldizente na própria roda intelectual palmeirense que envolve o narrador João Valério, no Café Bacural, nas reuniões da casa do capitalista Adrião, no advogado pobre que enriquece na cidade e vira fazendeiro na expectativa de ser deputado e vira bajulador de político, outro problema sociológico fundamental que é o de como a sociedade se torna indivíduo, é tratado no narrador de forma quase obsessiva: Valério enxerga a sua cidade como um universo onde ele se insere como intelectual preso a um desejo que é “devorar” a mulher do sócio majoritário, sem perder seu status de intelectual, que inclusive está escrevendo um romance “histórico” sobre os canibais de Alagoas devorando o Bispo Sardinha no século XVI; são alucinantes as cenas descritas na metalinguagem da construção do romance dentro do romance. A desconstrução do nacionalismo ufanista se dá de modo corrosivo onde José de Alencar, Gonçalves Dias e outros são decompostos em nome de uma agressividade que zomba de animais nativos como uma “cotia arisca” ou sagüis e macacos em dança enquanto o vento bate forte e Valério não sabe como descrever a cena da refeição antropofágica.
A sensibilidade sociológica de Graciliano dá-se pela identificação e exibe na crítica sua qualidade literária, sem uma, digamos assim, análise sistemática de um esquema de pensamento sociológico que eclipse sua obra ou afete a verossimilhança do protagonistas q1ue também não o desconecte da realidade histórica retratada ali (Palmeira dos Índios entre os anos 20 e 30 do século passado). Assim a tal verossimilhança do fato literário de que o livro teria sido escrito por um homem que trabalha com contabilidade numa próspera firma que vende álcool, açúcar e aguardente.
Achamos que a leitura adequada desse texto pode ajudar a delinear a inteligibilidade sociológica de práticas intelectuais que repercutem ainda hoje. Encontra-se ali, Alagoas, no final dos anos 20 e início dos, um ambiente sociocultural propício para um tipo de produção literária que pode servir de fonte de informação fidedigna acerca do mundo social da realidade brasileira. Mas qual é o real delineamento do campo intelectual que as posições da crítica literária e da sociologia configuram quando o que está em jogo é o objeto-literatura, especificamente a literatura do chamado romance social de 30? Qual elemento dessa relação pode ser retido para que a especificidade contextual brasileira ganhe sentido em função do material empírico selecionado?
Caetés é também romance onde o real-naturalismo deixa pegadas, onde dostoeiviskianas memórias são transcritas em forma de coisificação de um presente que o autor não aceita como estático na província onde se encontra num Brasil sacudido pela mudança política em meio ao totalitarismo que se espalhava pelo mundo.  Parece-nos que o estudo dessas posições relacionais entre si remetem ao romance que Graciliano lançará a seguir: São Bernardo onde a sociologia mistura-se com a literatura para analisar o mundo social, o sistema social que Graciliano recria no espaço simbólico, no qual o sociólogo pode estudar os fenômenos sociais num tipo de exercício pedagógico e de treinamento cientifico.
Agradeço a oportunidade de estar aqui hoje com esses professores, alunos e demais profissionais, grato pela atenção dispensada. Matematicamente, geograficamente, literariamente, sociologicamente, pedagogicamente: a luta continua educação é constatação e reinvenção, também. Viva este Seminário Interdisciplinar Palmeira dos Índios em Graciliano Ramos! Viva a FLIPAL! Viva Graciliano Ramos!
Obrigado.











PARTE 2 (ACRESCENTAR / REVER!)

Em nota de 1952, Gilberto Freyre, autor do "Manifesto do Movimento de 1926" define o Regionalismo, como criação pura no que assumiu de complexo em suas combinações novas de idéias porventura velhas, sistematização brasileira, realizada por um grupo de homens do Recife, não só de novos critérios regionais de vida, de estudo e de arte como de vagas e dispersas tendências para-regionalistas já antigas no Brasil, mas quase sempre absorvidas pelo caipirismo ou deformadas em aventuras de pitorescos ou cor local, está, de modo geral, para a cultura brasileira, que libertou dos excessos de centralização, como o Federalismo está, em particular, para a vida política do país, descentralizada, embora sob alguns aspectos erradamente descentralizada pelo ideal da República.
Voltemos ao mito da antropofagia (antes da proposta de Oswald, em 1928; eis um escritor querendo definir o que era um canibal, no caso João Valério, do romance  CAETÉS, de 1933):
“Entrei no quarto, abri a janela que deita para a rua, tirei o manuscrito da gaveta. A dificuldade era apanhar os portugueses que tinham escapado ao naufrágio, amarrá-los, levá-los para a taba e preparar um banquete de carne humana. Trabalhei danadamente, e o resultado foi medíocre. Sou incapaz de saber o que se passa na alma de um antropófago. De indivíduos das minhas relações o que tem parecença moral com antropófago é o Miranda, mas o Miranda é inteligente, não serve para caeté. Conheço também Pedro Antônio e Balbino, índios. Moram aqui ao pé da cidade, na Cafurna, onde houve aldeia deles. São dois pobres degenerados, bebem como raposas e não comem gente. O que me convinha eram canibais autênticos, e disso já não há. [...] eu disse que não sabia o que se passava na alma de um caeté! Provavelmente o que se passa na minha com algumas diferenças." (RAMOS, Graciliano in CAETÉS)

Será que no romance CAETÉS, podemos detectar uma crítica ao atraso da civilização brasileira entre as mais desenvolvidas do mundo, e que o autor  busca, talvez pela negatividade da paródia moderna, trabalhar uma forma de representar nosso país em seu novo momento histórico e estético? Em algo nos lembraria o autor do Realismo português Eça de Queiroz?
 Vejamos.
 1928:  entre  jornalistas, políticos, padres, bacharéis, farmacêuticos, médicos, comerciantes, etc. de Palmeira dos Índios, há um funcionário que tem alguma inserção na classe alta do meio onde vive, mas que se sente inferiorizado e busca ascender socialmente. Conheça João Valério. Ele quer ser escritor e está envolvido num caso de adultério com a esposa do seu chefe. Porém, mais do que ser escritor ou do que sua paixão, estaria sua intenção de ascensão social acima de tudo?
Que “vozes” podem ser ouvidas no discurso de CAETÉS? Podemos realmente distinguir, dentro do fenômeno estético que é a obra literária, a polifonia, no sentido bakhtiniano do termo (ver a ligação deste teórico com os Formalistas russos, focados em análise puramente linguístico-textuais? Como podemos avaliar, na referida obra de Graciliano (agente da unidade tensamente ativa do todo acabado, do todo da personagem e do todo da obra), a questão da ética em cotejo com a estética?
Estaria o autor distanciado da voz do narrador (João Valério, que tem pretensões estéticas “sei metrificar”)? Podemos  encontrar o plurilinguismo neste ,  o discurso de outrem na linguagem de outrem, que serve para refratar a expressão das intenções do autor (no dizer de Bakhtin)?  A palavra desse discurso é uma palavra bivocal especial e serve simultaneamente a dois locutores e exprime ao mesmo tempo duas intenções diferentes: a intenção direta do personagem que fala e a intenção refrangida do autor?
Podemos encontrar elementos paródicos na composição deste romance?
PERSONAGENS: João Valério (de contador a sócio da firma), Adrião Teixeira, Luísa, Marta Varejão, os Mendonça, Evaristo Barroca, Isidoro, Padre Atanásio
O que parece é que para Valério: Literatura e propriedade são incompatíveis. Atingida uma posição social mais proeminente, Valério já não precisa mais da literatura.
Observar diferenças entre Graciliano e João Valério, por exemplo, quando este afirma que: leu “na escola primária, uns carapetões [mentiras] interessantes no Gonçalves Dias e no Alencar [os dois maiores autores do Romantismo brasileiro], mas já esqueci tudo. Sorria-me, entretanto, a esperança de poder transformar esse material arcaico numa brochura de cem a duzentas páginas, cheia de lorotas em bom estilo, editada no Ramalho” (crítica IRÔNICA-PARODÍSTICA ao NACIONALISMO UFANISTA, como neste outro trecho: “De repente imaginei o morubixaba pregando dois beijos na filha do pajé. Mas, refletindo, compreendi que era tolice. Um selvagem, no meu caso, não teria beijado Luísa, tê-la-ia provavelmente jogado para cima do piano, com dentadas e coices, se ela se fizesse arisca. Infelizmente não sou selvagem. E ali estava, mudando a roupa com desânimo, civilizado, triste, de cuecas “).Ao fim do romance, o narrador diz “caetés somos nós”, isto é, o Brasil foi construído graças à barbárie, à exploração, ao extermínio de índios (e o trabalho forçado dos escravos).
E a questão da METALINGUAGEM [“Caciques. Que entendia eu de caciques? Melhor seria compor uma novela em que arrumasse Padre Atanásio, o Dr. Liberato, Nicolau Varejão, o Pinheiro, D. Engrácia. Mas como achar enredo, dispor as personagens, dar-lhes vida? Decididamente não tinha habilidade para a empresa: por mais que me esforçasse, só conseguiria garatujar uma narrativa embaciada e amorfa.”] ? O capítulo 7, todo ele destinado ao romance de Valério: “O guarda-livros começa, então, a narrar sua empreitada em descrever um “cemitério indígena, que havia imaginado no escritório, enquanto Vitorino folheava o caixa [...] O meu fito era empregar uma palavra de grande efeito: tibicoara. Se alguém me lesse, pensaria talvez que entendo de tupi, e isto me seria agradável. Continuei. Suando, escrevi dez tiras salpicadas de maracás, igaçabas, penas de araras, cestos, redes de caroá, jiraus, cabaças, arcos e tacapes. Dei pedaços de AdriãoTeixeira ao pajé: o beiço caído, a perna claudicante, os olhos embaçados; para completá-lo, emprestei-lhe as orelhas de Padre Atanásio. Fiz do morubixaba um bicho feroz, pintei-lhe o corpo e enfeitei-o. Mas aqui surgiu uma dúvida: fiquei sem saber se devia amarrar-lhe na cintura o enduape ou o canitar. Vacilei alguns minutos e afinal me resolvi a pôr-lhe o enduape na cabeça e o canitar entre parênteses.” (notem o humor sarcástico). O narrador acha que dominar a língua, o que poderia lhe render distinção social. Valério também diz ter escrito (percebam os traços cômicos e grotescos) “dez tiras salpicadas de maracás, igaçabas, penas de araras, cestos, redes de caroá, jiraus, cabaças, arcos e tacapes” e, em seguida, descreve os procedimentos por meio dos quais compôs a figura de um índio (de forma cômica): feito de pedaços de outras pessoas: Adrião Teixeira e Padre Atanásio;
No contexto histórico em que Graciliano produz, os anos 1930, já não há mais as convenções literárias e sociais que permitissem um romance histórico nos moldes do indianismo. A década de 1930 já está marcada pelo que o crítico Antônio Candido chamava de “consciência catastrófica do atraso”, e Graça, num gesto quase paródico zomba: tentando elaborar uma cena ritualística de antropofagia, apela a D. Maria José, sua locatária, para saber como “se prepara uma buchada”. Ao passo que ela vai dando a receita, Valério elabora a cena e faz observações, como “Exatamente, numa gamela, já ouvi dizer. E viram-se as tripas pelo avesso, também já ouvi dizer. Mas os caetés não tinham higiene.”; “vou preparar o Sardinha pela receita e misturo com pirão de farinha de mandioca. Fica uma porcaria”. Percebendo que a hora já se ia adiantada, se admira do tempo gasto em sua tarefa: “Será possível? Ora veja. A arte é coisa admirável. Com a preocupação de arranjar os jantares dos índios, esqueci o meu jantar.” E se decide a mais uma vez abandonar sua empreitada literária: “Pois eles que esperem, não comem hoje. E traga-me o conhaque. Deus lhe pague D. Maria. A senhora acaba de prestar um grande serviço à pátria.”