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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

OS VENTOS UIVANTES DO DISCURSO ROMANESCO NO SÉCULO XIX SOB A LUZ DE PÊCHEUX E BATAILLE

 


 


 


 

Pelo Prof. Dr.  Moisés Monteiro de Melo Neto (UPE/ UNEAL)

 

 

 O Mal, considerado autenticamente, não é só o sonho do malvado, ele é de algum modo o sonho do bem. (Bataille)

Este artigo busca analisar o romance inglês O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights). É o único romance da inglesa Emily Brontë, narra a história de amor obsessivo e destrutivo entre Heathcliff e Catherine. É narrativa em 1ª pessoa, existem dois narradores principais: a empregada Nelly o inquilino Lockwood.  A trama explora como o ódio, o preconceito social e o desejo de vingança destroem não apenas a vida do casal, mas também as gerações seguintes de suas famílias. A história se passa em uma mansão de uma fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes, em meio aos pântanos de Yorkshire. O patriarca da família Earnshaw adota um órfão de rua chamado Heathcliff, que passa a viver como irmão de Catherine e Hindley. Enquanto Hindley odeia e maltrata Heathcliff, Catherine desenvolve com ele uma paixão profunda e intensa. Ela, no final: uma pessoa se vitimizando a se debater entre o real e o imaginário, inserida no jogo do discurso e poder, numa história de ricos e seus empregados QUE AGEM DE MODO BEM PECULIAR.

 A palavra wuthering é um termo de origem regional do norte da Inglaterra que significa uivante ou soprando ruidosamente. É usado principalmente para descrever o som forte e violento do vento ou locais muito ventosos e expostos).

No entanto, o preconceito social impede que eles fiquem juntos. Catherine decide se casar com um vizinho rico e educado, Edgar Linton, da mansão da Granja Thrushcross Sentindo-se traído e rejeitado, Heathcliff desaparece. Anos depois, ele retorna misteriosamente rico e refinado, mas consumido pelo desejo de vingança. Ele arquiteta um plano cruel para destruir todos os que o humilharam, social e psicologicamente, adquirindo tanto o Morro dos Ventos Uivantes quanto Thrushcross Grange. Catherine, dividida entre sua alma gêmea (Heathcliff) e a segurança de seu casamento com Edgar, adoece e morre ao dar à luz sua filha, também chamada Catherine.

Na segunda parte buscamos em Pêcheux e Battaile algum respaldo. Pêcheux foi o iniciador da Escola Francesa da Análise de Discurso, produziu tematização do histórico, do social, do ideológico, indicando que a reflexão não é fria, mas lugar de emoção, também, resistência, enfrentamento, questionamento, não se pretende fixista, mas energia intelectual. Michel Pêcheux (1938-1983) foi um filósofo francês que criticou a ideia de que a comunicação é neutra e transparente. O discurso não é apenas um meio de transmitir informações, mas um espaço de disputas e lutas ideológica, define a Análise de Discurso como um campo profícuo para a leitura e a interpretação dos discursos através do dispositivo idealizado por ele e das próprias condições de produção dos discursos, ao mesmo tempo em que sustenta a ruptura com o pensamento científico e a ortodoxia da época ao propor enfoque teórico-analítico voltado para a consolidação de uma Teoria do Discurso que estava intimamente associada à ideologia, ao funcionamento do inconsciente e à luta de classes. Georges Bataille (1897-1962) foi um pensador e escritor francês fundamental que revolucionou a filosofia, a literatura e a antropologia do século XX. Suas ideias radicais sobre o corpo, o desejo, a morte e o prazer moldaram profundamente as bases da teoria crítica contemporânea. Ele é central por desafiar a racionalidade tradicional e explorar os limites da experiência humana através do estudo do erotismo, da transgressão, do sagrado e do "Mal”.

A autora do romance em questão representa a estrutura social que se quer fixa, no interior da Inglaterra.

Considerada uma obra do estilo gótico, da Era Vitoriana (1837-1901), e atualmente um clássico da literatura mundial O Morro dos Ventos Uivantes, único romance da autoria da escritora inglesa Emily Brontë, surgiu em meio a um contexto histórico de aceleradas mudanças políticas, sociais, culturais e econômicas. Após o fim dos conflitos liderados por Napoleão Bonaparte, na Europa e da retomada das relações comerciais marítimas, a Era Vitoriana representou um momento de paz e prosperidade para o povo britânico, tendo sido a Inglaterra a pioneira da Revolução Industrial.

Lançado pela primeira vez em 1847, sob o pseudônimo masculino Ellis Bell, a obra provocou reações controversas em função do seu conteúdo não se ajustar à moral e aos bons costumes da sociedade da época. O turbulento protesto ganhou ainda mais força quando a segunda edição foi publicada, em razão da descoberta/revelação de ter sido escrita por uma mulher. Sabemos que Mary Shelley, autora do Frankenstein, também sofreu preconceito na Inglaterra quando quis publicar seu romance.

É bom lembrar que o percurso histórico e a visão conservadora que prevalecia no período da criação da obra, destacava a ideia de cristão devoto, modelo de família ideal, padrão de vida com um estilo baseado na elegância, isto influenciou fortemente a produção/criatividade literária de Emily Brontë, que é o que chamamos Zeitgeist (termo o alemão, pronuncia-se “dzaigaist”), espírito do tempo, conjunto do clima intelectual, sociológico e cultural em uma época, período de tempo. Há relatos de que a obra também sofreu influências da condição social que a autora vivia e do seu estilo de vida insociável.

Com a utilização do narrador-testemunha seguimos rumo à apresentação do narrado sem a mediação os ostensiva de uma voz exterior, o clima de conversa, o tom coloquial perpassa todo o romance, num clima envolvente de aconchego e ameaça, suspense, confidência, perante o leitor, como nos folhetins melodramáticos.

Com Heathcliff, a autora não visaria abrir a via mítica, mas parece fundir por todo o romance as visões lírica e narrativa, em sutil ambiguidade na sua visão dos conflitos de classes, nas suas práticas linguístico-literárias, dissolvendo, muitas vezes, no seu bojo as marcas dos aparelhos ideológicos no período em questão (1ª metade do século XIX, interior da Inglaterra), rasurando na sua ficção, barreiras de classe, no seu manejo com a linguagem, onde o racionalismo é transfigurado e o pensamento, em simulacro artístico, recria a realidade, aí a lógica parece ser uma forma sublime de poesia (em Wuthering Heights).

Emily Bronte, uma maldição privilegiada. Ela aprofunda-se no abismo do mal, na sua visão, até o fim. No Presbitério de Yorkshire, irmãs Brontë: pai pastor irlandês e elas em tumulto exaltado da criação literária, solidão moral, fantasmas da imaginação. Emily, escreveu um pequeno número de poemas. Em sua obra a morte é a verdade do amor. Quem se reproduz retorna no duplo. Erotismo, amor-paixão. Emily exprimiu o amor-morte divinamente. Vício é forma mais significativa do mal, no tormento do amor mais puro. Cathy e Heathcliff deixam sensualidade em suspenso. Vemos no romance de Emily formas sádicas do vício. Se o mal traz benefício, não é o mal. O sadismo é o mal. As corridas selvagens pela charneca, sem coerções, recusa de Heathcliff a Catherine, Cathy, a acabar com essa imagem. Poesia sem premeditação no jogo da ingenuidade em movimentos impulsivos sem convenções racionais dos adultos, isto é, calculados em convenções dos adultos; sentimentos se fixam na idade da infância, sem lembrar do mundo dos adultos ao qual estão prometidas estas crianças (Cathy e Heathcliff). O reino maravilhoso da Charneca: ele e ela no País da Charneca, Ao casar com Edgar Linton, ela renegaria essa selvageria pelo conforto, mas isto não seria uma queda autêntica, a ida dela para uma “nova vida” na Granja Thush; o que não seria para Emily um mundo assentado.

Edgar Linton, marido de Catherine, não renunciou à arrogância da infância como rico, mas se compôs soberano. Depois de rico, Heathcliff acha Catarina (Catherine) uma traidora deste mundo da infância. Em Heathcliff temos a revolta do maldito surge. Ele se empodera com seu ódio vingativo, sua raiva.O romance contém episódios de fascinante ansiedade, nada detém o furor de Heathcliff nem a morte. E tudo isso nasceu do sonho e imaginação de Emily Brontë.A Vontade Demoníaca de Heathcliff (no reino do impossível e da morte. Seria ele uma espécie de Peter Pan (para quem a morte poderia ser uma aventura?). Heathcliff o combate o bem com raiva. Ele odeia a humanidade e esta Bondade hipócrita. Consideramos o maior personagem da literatura romântica: Heathcliff, criança revoltada (revolta sem reservas).

E destaquemos: que ação voluptuosa a da destruição! Não há outro Êxtase igual a Divina Infâmia. Diz Heathcliff: “se não fosse contra a lei eu os vivessecaria”, ele está falando dos Lintons e dos Earnshaw, e vivissecção é procedimento para destruirchar seres vivos para estudos científicos.

Um ponto que eu destacaria também: o paradoxo de Emily Brontë, filha do pastor, a tratar destes temas, deste modo, Cathy ao dizer “Eu sou Heathcliff! (I’m Heathcliff) expressaria deste modo o que Emily diria? Deste modo, este romance tem algo forte da tragédia grega: a transgressão trágica da lei e a simpatia pelo transgressor da lei. Cathy sente a expiação posterior por transgredir. E há a beatitude na morte de Heathtcliff  e tal beatitude não se amedronta diante da morte de da amada. Enfrenta seu perpétuo tormento que é o dos que transgridem. A morte dela corresponde à morte no eterno tormento dos que agem como ela.                    

Nesta obra o texto busca superar o domínio do sagrado. A expiação estaria na morte. Mas seria o ensinamento de O Morro dos Ventos Uivantes o da religião? Afinal, ali, a embriaguez divina seria igual ao movimento impulsivo da infância, que os adultos interditam àqueles que devem alcançar a maturidade. É o que pressentimos ali:  necessário reencontrar o domínio do instante pertencente ao Reino da Infância, e isso exige transgredir, mesmo que temporariamente, o que foi proibido.

Emily e Cathy dependem menos da moral do que da hipermoral: se liberam isentas de qualquer preconceito de ordem ética ou social. O Humano surge como num feixe múltiplo da criação artística, o que a realidade recusa? Emily conseguiu isso por ter base moral, religiosa, sólida. O incesto, o que vemos ali são casamentos entre primos e até de irmãos, se considerarmos Cathy e Heathcliff como irmãos adotivos.

Emily se distancia da ingenuidade e simplicidade cristãs, que se limita ao bem equívoco no cristianismo entre Deus e a razão Isso explode em Emile Brontrë.

Seguindo a linha Pecheutiana, propomos aqui uma reflexão que aceita o desconforto do lugar-já feito e propomos refletir nos entremeios, estabelecendo regiões nos interstícios, desconstruindo o discurso (Pêcheux, 2015, p. 7). Analisamos o contato da história com o linguístico, não negando a história, ao contrário, compreendendo-a experimentando seus limites no jogo social psicológico, linguístico, literário, pós-moderna e hermeneuticamente diante de signos opacos, fetiches teóricos, produzindo questões, mais do que respostas.

Usamos também George Bataille (A Literatura e o Mal), em jogo oblíquo no confronto discursivo, sem esquecer Pêcheux na materialidade discursiva do enunciado, que vai na contramão por exemplo do grito coletivo dos torcedores em uma partida esportiva (atividade gestual e vocal).

 O Morro dos Ventos Uivantes expõe as taras individuais, digamos assim, em meio a um jogo trabalhista perverso, na primeira metade do século XIX, no interior da Inglaterra (Yorkshire, que renomeada no romance chama-se Gimmerton.

 O objeto do nosso estudo em questão inclui contrários e exige reflexões estratégicas, por isso utilizamos esses dois críticos teóricos Pêcheux e Bataille, já mencionados, para justificar nossas reflexões: Emily recria o mundo semanticamente (normatizado); começa com a relação de cada um com seu próprio corpo, sem arredores imediatos, e explora coisas-a-saber, numa tomada na qual o sujeito em questão pode ter, ou não, noção segura sobre a estrutura do real, qualquer que seja a tomada de posição diante dele, não sendo necessária aí necessário se pensar sobre pegadas hermenêuticas ou situação fenomenológica.

Se pensarmos em Marx, que seria como o Galileu do continente histórico, veremos naquela charneca de Wuthering Heights, O Morro dos Ventos Uivantes, que o que Emily criou é como se fosse um tribunal onde nós poderíamos expurgar nossas culpas gozosas e queimar na fogueira das emoções mais proibidas em peculiar justaposição caótica de animais humanos em interação de uma montagem discursiva.

Temos no Morro dos Ventos Uivantes a falsa aparência da homogeneidade lógica, estilhaçada num romance eletrizante onde a sordidez da desigualdade social busca, através da linguagem, na literatura de influência gótica, um real próprio contrastando com o não logicamente-estável (que aqui não aparece como um defeito em simples furo no real) que não se reduz a ordenar coisas a saber a um tecido de tais coisas um real estranho a universidade lógica mas um saber que não se transmite aprende ou ensina no entanto existe produzindo efeitos e colocando em suspenso a produção de interpretações, lembrando que foi a partir de Freud que começamos a suspeitar do que escutar logo do que falar e calar descobri sobre a inocência da fala e da escrita a profundeza determinada de fundo duplo.

 O que dizer do que parece aqui discurso do inconsciente? Ora, Emily Brontë consegue enfrentar o desafio intelectual abre uma falha no bloco compacto e coloca em questão a articulação dual do discurso amoroso com o discurso social provinciano e golpeia o narcisismo da consciência humana, ataca a eterna negociação do "si", como mestre e escravo de seus gestos, palavras e pensamentos em relação com o outro "si". No caso: Heathcliff e Catarina representam isso, colocando suspeita no registro do psicológico eu Consciência, comportamento. A sociedade tentou castrar simbolicamente Heathcliff, mas ele, com o passar do tempo, contra-ataca em movimento anti-narcísico (O termo "anti-narcisista" geralmente se refere a estratégias, posturas ou perfis focados em identificar, neutralizar e se proteger de manipulações narcisistas. O pilar central dessa abordagem é o desenvolvimento do autoamor, o estabelecimento de limites firmes e a priorização das próprias necessidades, o oposto exato do que o narcisista exige da vítima).

Os trabalhadores, como a narradora-mor, a empregada Nelly, são exibidos em suas relações com o cotidiano, no inferno da ideologia que os coopta como peças fundamentais para a produção do sentido desconstruindo a ideia que as classes dominadas não poderiam inventar nada de bom por estarem sempre ocupadas no trabalho braçal.

O humor e o traço poético não são o domingo do pensamento, aí. Os empregados se dão ao luxo de experimentar o inconsciente. No romance O Morro dos Ventos Uivantes afirma-se a metalinguagem diante do equívoco da língua. Todo enunciado é suscetível de tornar-se outro diferente de si mesmo, descolando-se do sentido para derivar para um outro, oferecendo interpretações diversas, daí a necessidade da análise de discurso ao outro. nas sociedades e na história interpretação e descrição vão se entrelaçando quando problematizamos o discurso da senhorita Brontë, mas não se misturam no indiscernível, mas em jogo onde os lugares, elipses, no espaço da leitura dentro da pluralidade contraditória de filiações históricas, nem sempre traduz o “óbvio saber”, mas reescreve-o.

Chegamos a uma questão fundamental a refletir: a da discursividade em o Morro dos Ventos Uivantes, instaura-se uma rede de reestruturação de memórias (dos vários narradores. George Bataille, em seu livro A literatura e o mal afirma que o fundamento da efusão sexual é a negação do isolamento do eu que só conhece o desfalecimento ao se exceder ao se ultrapassar na solidão do ser (BATAILLLE, 1989, p. 10). Crianças têm o poder de esquecer por um momento o mundo dos adultos A violência de Heathcliff, desenfreadamente, se exprime, e é contraposta pela calma, equilíbrio e simplicidade do discurso da narradora Nelly. O caráter dele parece artificial, até mesmo fabricado. Não há lei que ele não se deleite em transgredir.

 “Emily atingiu as fronteiras do limite na coincidência de contrários o mal é apenas o princípio oposto de uma maneira remediável à ordem natural que está nos limites da razão” (BATAILLE 1989, p. 27). Há, entre a vida de Emily e as de seus personagens certas ligações que nos fazem refletir no seguinte aspecto:

O que esta projeção de autor na obra sobre si mesmo – passando por deformação, lapsos de memória, seleção, tempo psicológico, peculiar roteiro, mistura da própria vida com os prazeres involuntários que a ficção oferece – parece-nos é uma estratégia encantatória recheada de ambiguidades tentadoras, na qual a homonímia fanática leva o leitor a um labirinto de ambiguidades legítimas que o torna cúmplice na indeterminação do sujeito. Identificando-se com o protagonista, o leitor aceita que o narrador-autor possua a identidade nominal de tudo isto, levando o pesquisador que se baseia na teoria da literatura a chegar próximo desta confusão que se estabelece.  (MELO NETO, 2020, p. 112).

É importante destacar que O morro dos ventos uivantes foi escrito em um período de profundas transformações sociais, como por exemplo, a grande fome (período conturbado para a Inglaterra), e a revolução industrial. Embora muitos críticos tenham dito             que a sociedade da época não estivesse retratada na narrativa de Brontë, não é difícil perceber como ela retrata, questiona e subverte aspectos daquela sociedade de modo contundente.

Buscamos expressar estas nossas opiniões através de uma adaptação teatral, encenada por atores/ discentes de Letras, que fazem para do nosso Grupo de Extensão na Universidade.

 

 

Referências

BACCEGA, Maria Aparecida. Palavra e discurso: história e literatura. São Paulo: Editora Ática, 1996.

BATAILLE, George. A Literatura e o Mal. Porto Alegre: Ed. L& PM, 1989.

BRONTË. O Morro dos Ventos Uivantes Bilíngue. Trad. de Doris Goettems. São Paulo: Ed. Landmark, 2012.

MELO NETO, Moisés Monteiro de. Biografia, autobiografia, autoficção: literatura e história em entrelaçamentos vivenciais. Maceió, AL: Editora Olyver, 2020.

PÊCHEUX, Michel. Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas: Editora da Unicamp, 1988.

PÊCHEUX, Michel. O discurso: Estrutura e Acontecimento. Campinas-SP: Pontes Editores, 2015. 

 

 

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