Neste
artigo, propomos uma
análise da complexidade
narrativa de Palimpsesto, com
foco nas técnicas
literárias que o
autor emprega para
criar uma obra em
que o passado
e o presente
coexistem de maneira
sobreposta, refletindo a experiência humana de lembrar, esquecer e
reescrever suas próprias histórias. O romance é caracterizado por múltiplas
camadas de narrativas, em que cada personagem
carrega traumas, memórias
e experiências que se
sobrepõem, como textos parcialmente apagados em um palimpsesto.
Palimpsesto remete
a questões contemporâneas de
identidade e memória, baseado
em como nossas
histórias pessoais podem
ser ressignificadas ao longo do tempo. Escrito por Moisés Monteiro de
Melo Neto, o romance pernambucano traz uma percepção atual de si mesmo. A obra
captura a essência da vida pernambucana, refletindo suas tradições, costumes e
a luta constante por identidade e reconhecimento. Sob esse viés, este trabalho
objetiva compreender, em um primeiro olhar, a
forma com que
Moisés Monteiro de
Melo Neto articula
suas memórias e vivências na ficção, ou seja, como sua vida
é organizada em relação com seu imaginário,
resultando numa criação
estilizada e fictícia.
Como destaca Iser (2002),
o fictício e o
imaginário caminham juntos
já que um se
eleva ao outro dentro do texto pois, segundo autor, “o
fictício possibilita a compreensão de um mundo
reformulado, e o
imaginário permite que
tal acontecimento seja experimentado. ”Por conseguinte,
acreditamos que cada indivíduo tenha uma história de vida única. Os fatores que
marcam a existência são cruciais para a trajetória e podem ser utilizados como
elementos para a construção de uma obra, seja ela fictícia ou não. Salientamos
que a pesquisa é de natureza qualitativa, centrada a partir de um estudo
bibliográfico. Nessa perspectiva, a obra "Palimpsesto" é esboçada de
forma peculiar, onde várias esferas
de histórias e
memórias sobrevêm, gerando
uma trama complexa e
multifacetada. O autor tece uma teia complexa de ficção e realidade, desafiando
o leitor a distinguir entre o que é real e o que é imaginário. A narrativa gira
em torno dos traços da vida na azucrinada metrópole chamada Recife e dos que
vivem nela, dos que vivem com ele próprio, dos que marcaram sua cena, deixando
a dúvida do que é ficção e do que foi realidade na década de 1990, onde ecoavam
os Movimentos Manguebeat, um dos períodos mais vibrantes e revolucionários da
cultura pernambucana, conhecido
por sua mistura
de tradições locais com influência na música, na arte e na identidade da
região.
Destacamos, assim,
que os personagens
de "Palimpsesto" são abordados com
profundidade e realismo,
cada um representando
diferentes aspectos da vida em Pernambuco. O romance destaca temas como
a identidade, a memória, a resistência cultural e a transformação social. Na
obra, utilizam-se metáforas e simbolismos,
para que a
obra tenha uma
profundidade literária
significativa, este romance
não é apenas
uma narrativa literária,
mas um documento cultural que
celebra a riqueza e adversidade de Pernambuco. Sendo uma leitura indispensável
para quem deseja compreender a complexidade e a beleza da vida recifense e do
Movimento Mangue, que continua a influenciar e inspirar gerações.2. A Trajetória
de uma Indígena Chamada Michelle nos Percalços de um Mundo Urbano Reinventado
A trajetória de Michelle, uma indígena
navegando pelos desafios de um mundo
urbano reinventado, é uma narrativa
que pode explorar
temas de identidade, resistência e
adaptação. Em um
ambiente urbano que constantemente se
transforma, Michelle enfrenta
uma série de
percalços que refletem tanto
sua luta pessoal
quanto às questões
sociais e culturais
mais amplas como a identidade e
o pertencimento. Michelle,
tendo raízes em uma
comunidade indígena, traz consigo uma rica herança cultural que contrasta com
as demandas e pressões da vida urbana.
A
sua busca por
identidade e pertencimento
se torna um
tema central, explorando como ela
equilibra suas tradições com a necessidade de se adaptar à nova realidade com
muita adaptação e resiliência. O processo de adaptação de Michelle
ao mundo urbano
foi algo repleto
de desafios, o
preconceito, a discriminação e a
alienação cultural fizeram com que os dias se passassem com dificuldade, no
entanto, sua resiliência
e a capacidade
de superar esses obstáculos podem serviram de inspiração
para que outros pudessem enfrentar situações semelhantes.
A história pode apresentar conflitos
internos e externos, onde Michelle se depara com escolhas difíceis que testam
seus valores e crenças. A reinvenção
do mundo urbano pode ser um reflexo de
sua própria reinvenção pessoal, onde ela
encontra novas formas
de se afirmar e
prosperar. Para Ricoeur,
(2000, p. 177-194), as “histórias
da vida” tornam-se mais inteligíveis
quando lhes são aplicados modelos narrativos –por
exemplo, as intrigas, extraídas da história e da ficção
(drama ou romance).
Para tanto, a sua autobiografia
destaca essa afirmação:[...] parece,
pois, plausível ter
como válida a
cadeia seguinte de asserções:
o conhecimento de
si próprio é
uma interpretação -a
interpretação de si próprio, por sua vez , encontra na narrativa, entre
outros signos e símbolos,
uma mediação privilegiada
, -esta última serve-se tanto da
história como da ficção, fazendo da história de uma vida uma
história fictícia ou, se se
preferir, uma ficção
histórica, comparáveis às biografias dos grandes homens em que se
mistura a história e a ficção (RICOUER, 2000, p. 2).A narrativa também
pode abordar a interação de Michelle com diferentes grupos sociais
e culturais, destacando
como sua presença
e participação contribuem para a
diversidade e enriquecimento do ambiente urbano. Isso pode incluir sua
luta por direitos,
justiça social e
reconhecimento cultural. Michelle pode
encontrar ou criar
espaços de resistência
e conexão, onde
ela e outros indivíduos de origens diversas se
apoiam mutuamente.
Esses
espaços podem ser
físicos, como centros
comunitários, ou
simbólicos, como movimentos
sociais que lutam
por igualdade e
inclusão. A trajetória de
Michelle, portanto, não é apenas uma jornada pessoal, mas também uma reflexão
sobre as complexidades do mundo contemporâneo e a importância de manter
viva a diversidade
cultural em um
ambiente urbano em
constante mudança.3. Um Romance de Miscigenação e os Anos 90Dos aspectos
autobiográficos no romance:
Michelle ser neta
e filha de indígena por parte de pai, também sendo
neta e filha de italianos por parte de mãe, causaram um “acidente”, do qual a
heroína sobrevive que é inspirado na vida de Jim Morrison, cantor do grupo The
Doors, ícone do rock. O assassinato
de
Emerson é baseado
num famoso crime
que houve em
Pernambuco, envolvendo uma pessoa
famosa. Michelle chega
ao Recife no
início do Manguebeat, objeto de
estudo de Moisés, que foi um "mangueboy". O jornalista e narrador,
Lucas, foi inspirado
em dois jornalistas
recifenses do Jornal
do Commercio.
A parte do livro que se passa no Egito
é inspirada na temporada do autor naquele país, onde conheceu a prostituta
Saloá, entre 99 e 2000. Também foi assim nas passagens em Jerusalém e em outros
países citados na obra. A cena da briga de Michelle com o homem que ela iria se
casar, a cena do carro no baile de carnaval, isso tudo, de fato, existiu.
Dentre outras passagens do romance que foram tiradas da vida real e
racionalizadas por Melo Neto, muitas, inclusive, em Alagoas. Ela navega por um
mundo onde a modernidade e as tradições se chocam, enfrentando discriminação
e dificuldades de
acesso a serviços
básicos. Ao mesmo tempo, Michelle
busca encontrar seu lugar na cidade, contribuindo para a diversidade
cultural e promovendo um
diálogo intercultural. A
história de Michelle é um exemplo
de resiliência e adaptação, mostrando como é possível preservar a
identidade cultural mesmo
em meio às
adversidades de um ambiente. “Palimpsesto”, como
um romance de
formação (ou Bildungsroman). Segundo a
professora Wilma Patrícia
Maas (2000), o
termo Romance de Formação indica dois
conceitos fundamentais de
significação própria. O substantivo Formação aponta para a
necessidade de aperfeiçoamento do jovem burguês e seu amadurecimento como homem
que vivencia a cidadania alemã, seria
a transição do mérito herdado
para o mérito
pessoal adquirido. Nesse contexto, a
personagem (Michelle) segue a
trajetória de desenvolvimento pessoal e amadurecimento,
enfrentando os desafios
de viver em
um mundo urbano reinventado.
O conceito de
romance de formação
se concentra na evolução
interna do personagem
principal, explorando as
experiências que moldam sua
identidade, valores e visão de mundo ao longo do tempo. No contexto de
“Palimpsesto”, Michelle inicia sua jornada com uma forte conexão com
suas raízes indígenas,
mas se vê
confrontada pelas
complexidades e pressões da vida
urbana. O romance captura seu processo de autoconhecimento e
desenvolvimento pessoal, desde
a luta inicial
para encontrar seu lugar na cidade até a construção de uma identidade
que concilie suas tradições com a modernidade.
Michelle enfrenta
uma série de
desafios, desde preconceitos e discriminação até conflitos internos sobre
sua identidade. Esses percalços são essenciais para seu crescimento, forçando-a
a confrontar suas próprias crenças e valores. Cada obstáculo superado contribui
para sua transformação, ajudando-a a desenvolver resiliência, adaptabilidade e
uma compreensão mais profunda de si mesma e do mundo ao seu redor. Influência
de Outros Personagens: Em um romance de formação, a interação com outros
personagens desempenha um papel crucial no
desenvolvimento do protagonista.
Em Palimpsesto, Michelle encontra mentores,
amigos e adversários
que influenciam sua
jornada. Essas interações proporcionam
lições importantes e
momentos de reflexão
que catalisam seu crescimento pessoal.
O
romance aborda temas
universais de busca
por identidade,
pertencimento e a luta pela
autoaceitação. Michelle representa
a jornada de muitos
que precisam equilibrar
tradições culturais com
as demandas de uma
sociedade em constante
mudança. A narrativa oferece
uma reflexão sobre
a importância da diversidade
cultural e da
inclusão, destacando a
riqueza que diferentes perspectivas
trazem para a
experiência humana. Ao
longo de sua trajetória, Michelle passa por uma
metamorfose que a leva a um estado de maior maturidade e autoconfiança. O final
do romance tipicamente reflete um ponto de equilíbrio e
aceitação, onde Michelle
abraça plenamente sua
identidade multifacetada e encontra
seu lugar no
mundo urbano sem
perder suas raízes indígenas.
“Palimpsesto”, como um romance de
formação, oferece uma narrativa rica e
multifacetada sobre o desenvolvimento pessoal
de Michelle em
meio aos desafios do mundo
urbano. Através de sua jornada, o romance explora temas de identidade,
resistência e adaptação, proporcionando uma visão profunda sobre as complexidades
da experiência indígena contemporânea e a
importância do autoconhecimento e
da resiliência.
4. A Bioficção no Contexto Literário Nota-se
que a bioficção apresenta-se como uma alternativa de narrativa com tons
de expressão e
provocação em diversos
âmbitos da Literatura Contemporânea, situando-se
como uma espécie
de ponte entre
o que é considerado
documental e imaginário.
Trata-se, no entanto,
de uma maneira literária e ousada que,
na tentativa de
considerar figuras reais,
a exemplo de escritores, grandes
artistas, líderes políticos
ou personagens históricos,
como protagonistas de grandes
ficções, passa a
convidar o leitor
a obter uma perspectiva de pensamento a partir das
fronteiras que seria, de fato, documental e
imaginária, caracterizando memorização
e imaginação, causando,
inclusive, dúvidas acerca da
permanência do fenômeno
em diversos momentos
da construção da narrativa. Na
perspectiva literária, podemos
ousar em considerar
a bioficção um gênero
e, ao mesmo
tempo, um fenômeno
de investigação. Reiteramos
essa dupla conceituação a
partir das suas
próprias características. O
gênero, ou fenômeno, como queira
chamar, caro leitor, situa-se a partir do seu próprio pacto de ambiguidade: do
mesmo modo que passa a fazer uma espécie de resgate de aspectos de
reconhecimento da trajetória de figuras públicas ou não, oferece um olhar
romanceado e subjetivo da sua vida em diferentes sentidos, interpretando,
assim, complicações internas que, notavelmente, afastam-se do que se poderia
alcançar da história oficial.
A necessidade da bioficção está
intrinsicamente relacionada às principais mudanças que vêm ocorrendo no
ambiente das narrativas e da representação da
realidade.Em tempos em que há
uma crescente “desconfiança” na objetividade
de discursos históricos
e de certas
autoridades documentais, a Literatura, como um todo, encontrou, na
bioficção, uma maneira de questionar, dentre tantas articulações, o que seria
considerado estatuto da verdade. É nítido observar que
a bioficção concede
ao escritor, poeta
e romancista, uma determinada licença
poética no ato
de imaginar aquilo
que não está documentado, assim como o direto de
revisitar o que, inclusive, já foi registrado e/oudocumentado, mas sob novas
perspectivas.
A
ressignificação do passado
é caracterizada como um dos
campos de atuação da
bioficção. Essa interpretação, no
entanto, não deve
ser associada apenas aos termos
de conteúdo, considerando, também, a sua forma/estrutura: diversos romances
considerados como bioficcionais
incorporam as chamadas “estratégias metanarrativas” e
mesclam registros discursivos, tirando o foco do “fato” para ideias subjetivas.
A partir daí, reforça a perspectiva de que toda narrativa, até mesmo histórica,
é uma construção. Deve haver uma certa maturidade do leitor quanto ao
reconhecimento de que a bioficção não deve ser confundida com a biografia
tradicional. Esta procura uma
reconstituição factual da
vida de uma
personagem/personalidade, amparada
à fontes documentais.
No caráter da
pesquisa historiográfica, a bioficção
abre-se e permite
criar especulações e
preencher certas lacunas, quando necessário.
Além disso, reescreve
eventos sob diversas
óticas, perspectivas e lógicas
narrativas. A tensão
criada entre fidelidade
poética e liberdade criativa
centra-se como um dos elementos-chave da bioficção.O tema da autobiografia
talvez seja um dos principais pontos de contato da literatura
com a biopolítica.
Entendida a autobiografia
como a vida
de um indivíduo contada
por ele mesmo,
a prática de
se escrever assume
então um interessante lugar
que pode servir
de subserviência ou
resistência ao poder constituído, dependendo da função que
essa escrita exerce. Na medida em que a
subjetividade se narra,
ela constrói para si
uma história paralela
à oficial e afirma a própria experiência, em contraste
com a submissão imposta pelo poder gestor. A particularidade da autobiografia é
a tensão que lhe é inerente entre o “real” e o “ficcional”. Em certa medida, é
impossível narrar qualquer
memória sem que intervenha alguma dose de fabulação. Tendo em vista as
controvérsias e dificuldades que a definição de autobiografia, em particular,
gerou ao longo dos tempos na literatura, os estudos literários, a partir da
segunda metade do século XX,
adotaram o conceito
de autoficção, visando
abordar, de maneira
mais específica, as diversas
escritas de si
e as narrativas
autobiográficas que escapavam às
teorizações tradicionais. (Souza, 2020, p. 14).É fundamental
observar que o
prestígio/ascensão da bioficção
está em total sintonia
com a demanda
literária contemporânea a
fim de manifestar
a
complexidade das
experiências humanas. Vivemos,
atualmente, num mundo destacado pela
fragmentação das certezas
e pela grande
valorização da
subjetividade. Por essa
vertente, a bioficção oferece
uma forma de linguagem em que os diferentes lados da
ambiguidade da vida são transformados em arte, consolidando-se, assim, como um
espaço fértil e propício para a mágica literária, provocando emoções,
pensamentos complexos e propósitos comunicativos. Nesse contexto, utilizamos
fragmentos da própria narrativa, reiterando as discussões aqui realizadas:[...] meu nome é
Lucas, sou jornalista, estou morrendo e resolvi contar a tumultuada história do
meu amorpor Michelle. A literatura foi a forma que encontrei para fazer meu
testamento. Como não tenhocondições de
narrar o que aconteceu comigo no Egito, pedi a
um amigo, como Hamlet fez com
Horácio, que “contasse
minha história”, o que
fatalmente deverá compor o que imagino ser o final deste “romance”. Trata-se de
uma história de amor não muito convencional (Melo Neto, 2023, p. 13).[...] sou
o segundo narrador deste “romance”. Conheci o poeta Lucas no Egito, pouco antes
de sua morte. Ele pediu-me que contasse sua história. A história do seu
amor por sua esposa,
Michelle, e por uma garota
egípcia, Saluá. Ora,
eu nunca escrevi
uma história, meu trabalho nada tem a ver com literatura,
sou um comerciante. Lucas leu a biografia do meu bisavô napolitano que eu escrevi
a pedido da minha avó. Imaginem. Mas vamos deixar esta apresentação acabar por
aqui (Melo Neto, 2023, p. 68).Por essa esteira, nota-se a presença dos elementos
da bioficção a partir da narrativa exposta, objeto de estudo, discussão e
análise desta seção teórica.
5. Considerações Finais
Palimpsesto, como
romance de formação,
oferece uma narrativa
rica e multifacetada sobre
o desenvolvimento pessoal
de Michelle em
meio aos desafios do mundo
urbano. Através de sua jornada, o romance explora temas de identidade,
resistência e adaptação, proporcionando uma visão profunda sobre as complexidades
da experiência indígena contemporânea e a
importância do autoconhecimento e
da resiliência.
Em contraposição ao apagamento, a obra
também trata da reescrita das histórias de vida. Os personagens de Melo Neto constantemente
reavaliam suas experiências e
tentam recriar suas
identidades a partir
de novas perspectivas, escrevendo
suas próprias versões dos eventos. Essa dinâmica de reescrever a própria
história reflete a natureza fluida da identidade humana, que nunca é fixa, mas
está em constante processo de transformação. Assim, Palimpsesto explora a intersecção
entre o que
é lembrado e
o que é
apagado, e como
ambos os processos moldam a
compreensão que os personagens têm de si mesmos. A complexidade
narrativa de Palimpsesto
é intensificada pela
estrutura fragmentada do romance,
que reflete a
própria natureza da
memória e da história. O livro é construído a partir de
múltiplas perspectivas, em que diferentes narradores revelam
suas versões dos
acontecimentos, criando uma
narrativa multifacetada.
Cada camada de
narrativa é como
uma página reescrita
sobre uma anterior, com o leitor
precisando desvendar as
diferentes versões para chegar a uma compreensão mais profunda
da obra como um todo. Para concluir, a narrativa de “Palimpsesto” constrói uma
reflexão profunda sobre a condição humana, memória e identidade. Moisés
Monteiro de Melo Neto utiliza a metáfora
do palimpsesto para
investigar as complexidades
da experiência humana, mostrando como o passado, por mais que tentemos
apagá-lo, sempre deixa marcas que influenciam o presente e o futuro. Através
dessa narrativa rica em camadas e significados, a obra nos convida a questionar
o que é realmente esquecido e o que é constantemente reescrito em nossas
histórias pessoais.
REFERÊNCIAS
ISER, Wolfgang. Os atos de fingir ou o
que é fictício no texto ficcionalIn: LIMA, Luiz Costa. Teoria da Literatura em
suas fontes, 2002.MAAS, Wilma Patrícia. O cânone mínimo: o Bildungsroman na
história da literatura. São Paulo: Editora UNESP, 2000.MELO NETO, Moisés
Monteiro de. Palimpsesto: umromancepernambucano. Recife, Paradoxum, 2023.
RICOEUR, Paul. Aidentidade narrativa e
o problema da identidade pessoal. Trad. Carlos João Correia. Arquipélago, n. 7,
p. 177-194, 2000.SOUZA, Bruno Henrique Alvarenga. O conceitodebioficção.
Revista de Estudos Literários da UEMS, [S. l.], v. 2, n. 22/2, p. 19–38, 2020.


