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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cairo Express!

Direto da praça Tahrir do Cairo: Neste momento temos o, agora ex, presidente da Suprema Corte Constitucional egípcia Adly Mahmud Mansur como presidente interino do seu país, ocupando lugar de Mohammed Mursi, ligado inclusive à Irmandade Muçulmana, que foi o primeiro presidente democraticamente eleito na terra dos faraós, que visitei há algum tempo atrás. As coisas estão péssima, lá. O povo ainda está revoltado: uns querem o presidente antigo de volta, outros acusam inimigos por trás do golpe, outros ainda exigem que o presidente interino seja mais firme. O Partido Liberdade e Justiça, que apoiava Mursi, calou-se pela derrubada do presidente. Quando estive neste país era mês do Ramadã, fiquei encantado com toda a beleza antiga e natural. Fui de Alexandria até a África negra numa viagem inesquecível de mais de um mês, usando avião, barco, trem, ônibus, carro, falucas, charrete e até em lombo de camelo. Para minha satisfação a língua inglesa é compreendida em todos os lugares. As gorjetas exigidas amorosamente.

Os bares vendem chás e café, refrigerantes etc., em vez de bebidas alcoólicas. O homossexualismo é punido severamente, mas os homens de lá, principalmente os jovens, têm um jeito um tanto andrógino de ficar alegres, beijam-se, andam de mãos dadas, dançam para celebrar com volteios peculiares. Mubarak era o presidente, chamado de “pai”, por muitos, naquela minha temporada no Egito. O presidente que o sucedeu há um ano agora foi deposto por um golpe militar. Milhões de manifestantes nas ruas pediram eleições antecipadas. Domingo o ex-presidente completaria um ano de governo. Muitos países condenaram a decisão do povo. Os EUA se mostraram preocupados, porém é de Israel que vem a ânsia maior e prepara-se uma defensiva forte para os próximos dias. Quando estive em Israel tive oportunidade de conversar com muitos jovens soldados, garotos e garotas, algumas de 18 anos me contaram que achavam chato, às vezes, ter que andar com armas tão potentes nas mochilas, dividindo espaço com maquiagem e outras coisas de mulher moderna, como aparelhos digitais.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

E se o se o plim plim sair do tom?

Parece que a iconoclastia caminha mesmo a passos largos desde o mês passado, aqui no Brasil. Os manifestantes agora alvejam a maior emissora de TV do país, a Rede Globo. Poderiam, com o mesmo fervor, boicotar Hollywood, não? SBT, Record...Olha que tenho acompanhado a trajetória desta formadora de mitos há tanto tempo, já vi conspirações ali embutidas, exercidas, muita danação, porém também gosto de muitas das suas produções, como Os Maias, Capitu etc. Deixo então uma pergunta:  vocês sabiam que em determinada posição, próxima à coluna vertebral, uma bala alojada, em ponto nevrálgico, tirou...pode...  aleijar? Se olharmos por este ângulo: há uma espada de Dâmocles sobre esta cena complicada... nenhum ser humano é inocente, existe, sim, a inexperiência, o aprendizado. God bless the child...

Apreciem esta cena de Os Maias (com Walmor Chagas, Marília Pera, Fábio Assunção, Selton Melo)
http://www.youtube.com/watch?v=kIxVg-8n5as

DO OIAPOQUE A CHAUÍ: ATÉ A VITÓRIA, SEMPRE! (por Moisés Neto)



Enquanto muitos já pensam até em "ocupar" a Rede Globo (?!), a pensadora Marilena Chauí está na internet mais uma vez para hablar conosco, desta feita sobre las manifestaciones ocorridas em PINDORAMA, PAÍS DA DECADÊNCIA E EMERGÊNCIA a qualquer custo, se bem que ela prefere a cidade de São Paulo, à la FH (que ela não apoia). Ela fala do transporte coletivo acho que ela não usa, pero... da desconfiança com política e dos direitos dos cidadãos, tudo rolando texto abaixo, sempre à direita da telinha/folha, que é assim que lemos, embora a turma de hoje prefira a vertical (risos e sisos). Instabilidade política, então? Ai, ai, ai minha machadinha: o uso do automóvel individual atrapalhando quem pega ônibus, ela não detona a burguesia que engarrafa tudo, mas pelo menos questiona isto. Uma boa parcela da classe média também nem pensa em melhoria dos ônibus, pra quê? Se pode pagar cerca de $400 numa prestação do carango e tentar se isolar no ar-condicionado, pelas ruas da mendicância recifense, por exemplo.  Quanto à explosão imobiliária, água, eletricidade, salário dos professores, esgoto, desigualdade, especulações imobiliárias, aumento das periferias a delinquência na responsabilidade municipal, a posicionamento de dona Marilena se resume à ideia de direitos sociais, econômicos e culturais “para além dos direitos civis liberais”; Santa Recife nos proteja!  Nossa intelectual querida vem com a linha assim: “a cena histórica como efeito do neoliberalismo”... Nossa!  E agora? Só resta a depressão ou a depredação! Vivemos uma fragmentação em meio a um país que foi dispersando a classe trabalhadora e esta se arrisca a perder seus “referenciais de identidade e de luta”; Um tapinha não dói na nova classe trabalhadora heterogênea, fragmentada, ainda desorganizada? Dói. Mas nós podemos atacar também, nesta competição, isolamento, conflito interpessoal, tudo corroendo o coletivo em pleno caos urbano que se estende mata e sertão adentro, até 200 milhas do Atlântico, arrastando nossa nostalgia de canibalismo, de Trás-os-Montes, da morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, da Gabriela, do Zé Carioca, da farofa, da urina e fezes nas calçadas dos outros, ESPETINHOS E CERVEJA NAS RUAS DO RECIFE, sacanagem para todos! Enquanto tivermos redes sociais, estamos SEGUROS. Chauí nos lembra que é indiferenciado o uso da rede: um show da Madonna, uma maratona esportiva, mas “calhou ser por causa da tarifa do transporte público” Uhu! Temos nossa ocupem Wall Street (dos jovens de Nova York, aqui o Saudoso Rutílio de Oliveira lutou pela não  verticalização do cais José Estelita, tomado pelas empreiteiras que compraram o melhor do Recife e estão problematizando tudo com uma fome de grana que vou te contar. ADORO MARILENA CHAUÍ, mesmo, é porque eu sou assim, repleto de AMORÓDIO, mas ela é uma das maiores intelectuais que nós temos, vejam este trecho dela sobre as ocupações/ manifestações de rua atuais: assumem “gradativamente uma dimensão mágica, cuja origem se encontra na natureza do próprio instrumento tecnológico empregado, pois este opera magicamente, uma vez que os usuários são, exatamente, usuários e, portanto, não possuem o controle técnico e econômico do instrumento que usam – ou seja, deste ponto de vista, encontram-se na mesma situação que os receptores dos meios de comunicação de massa”, entendeu? Então não complique. Quanto à recusa das mediações pelas instituições: é óbvio que o inferno urbano é, efetivamente, “responsabilidade dos partidos políticos governantes”; discordo: SOMOS TODOS CULPADOS, o país está neste carnaval desde 1500, mas evoluímos intelectualmente e estamos aptos a nos recuperar, não é? FHC e Lula, seguiram de certo modo  pai Getúlio Vargas e deram um jeito (peculiar, cada um ao seu modo)  no Brasil, antes uma  “sociedade autoritária e excludente”, mas os partidos políticos são uma espécie de maldição hoje. O que fazer com eles? A CONCHAMBRANÇA ESTÁ NO LIMITE DA INDECÊNCIA OU JÁ ULTRAPASSOU-O?  Instaurou-se uma ditadura ideológica. Alhos e bugalhos: Se não fossem estas manifestações o negócio ia ficar muito pior. Mas voltemos a Marilena: “A ética da política, no nosso caso, depende de uma profunda reforma política que crie instituições democráticas republicanas e destrua de uma vez por todas a estrutura deixada pela ditadura, que força os partidos políticos a coalizões absurdas se quiserem governar, coalizões que comprometem o sentido e a finalidade de seus programas e abrem as comportas para a corrupção”. Está claro?  Ela afirma que o “pensamento mágico” dos manifestantes esquece que NINGUÉM GOVERNA SEM UM PARTIDO, pois é “ESTE QUE CRIA E PREPARA QUADROS PARA AS FUNÇÕES GOVERNAMENTAIS PARA CONCRETIZAÇÃO DOS OBJETIVOS E DAS METAS DOS GOVERNANTES ELEITOS”. Aha! Bingo! Agora chegamos ao cerne da questão. Ora, contestar ações dos poderes executivos municipais, estaduais e federal, do poder legislativo nos três níveis, “praticando a tradição do humor corrosivo”, parece uma solução ou é o estopim de uma bomba?  Concordo quando ela diz que uma nova possibilidade política está aberta, mas tanto a direita conservadora quanto a esquerda reacionária merecem observação atenta. Sexo, política e afetividades contemporâneas são assuntos sérios e interligados lembrem-se de Freud, Marx, Sartre e Jesus: Vigília e punição? Cuidado com cão! Quanto a isto (a nem Santa, nem diaba) Marilena dá o último recado, depois de insinuar que os jovens burgueses reclama junto com os pobres , mas todos têm que ter CONSCIÊNCIA AMPLA do que está em jogo, pois “convém lembrar aos manifestantes que se situam à esquerda que, se não tiverem autonomia política e se não a defenderem com muita garra, poderão, no Brasil, colocar água no moinho dos mesmos poderes econômicos e políticos que organizaram grandes manifestações de direita na Venezuela, na Bolívia, no Chile, no Peru, no Uruguai e na Argentina”.


                                                         Protesto no Recife, junho de 2013

Pois é, vamos à luta, mas temos que mudar a estrutura como um todo: não ao racismo, homofobia, discriminação social, respeito ao silêncio, menos selvageria no Recife, vamos ser mais intelectuais e aproveitar os nosso prazeres sem pisar tanto nos outros. Aliás, vamos começar a pensar no coletivo, só assim NOSSA CIDADE (país) ficará mais... civilizada(o).




terça-feira, 2 de julho de 2013

um pedido de asilo

O embaixador Tovar da Silva Nunes (Brasil) diz que nosso amado país recebeu um pedido de asilo em nome de um certo ex-“técnico” (!) de uma certa  central de espionagem americana, mas não vai nem responder ao pedido. Não é rejeição, não, ele afirma.  O pedinte já bateu nos correios internéticos ou não de 21 países, mas só o neófito Nicolás Maduro, da Venezuela, mostrou-se interessado na batata quente:  esse rapaz precisa  de abrigo,  respaldado em leis humanitárias... internacionais. “Que crime  cometeu? Matou alguém? [...] ao contrário [...] está fazendo tudo para prevenir guerras [...] evitando ações 'ilegais' contra o resto do planeta.” Nossa! E agora? O negócio é sério. O escândalo é internacional e é periclitante, esta situação, para o Edward e... para o mundo, de um modo ou de outro.

Mais um Woody Allen, desta vez em San Francisco (por Moisés Neto)

Legal! Vem aí mais um Woody Allen, desta vez em San Francisco (por Moisés Neto)


WOODY ALLEN parece-se com seus personagens? Sim: tímido, iseguro, em plena crise existencial. Por isso gosto dele? Não somente um piadista, um stand-up o assombra, mas tem algo de Bergman (adoro) e Eugene O´neill (que amo), pairando sobre ele. Até algo de Nelson Rodrigues, se me atrevo tanto. A amargura cômica de seus personagens me atrai como um ímã. A ansiedade e submissão nele como ele mistura tudo com o capitalismo novaiorquino, um texto prático e reconfortante que nos faz sentir tomando café na cozinha de alguém legal, com uma comida quente, ou num lugar cheio de livros à espera de alguém como a gente ali.  Envelheci vendo Woody, desde Noivo Neurótico, noiva nervosa (que vi no cinema Veneza, no mesmo dia que assisti Trate-me Leão, do grupo Asdrúbal trouxe o trombone) no Teatro do Parque. O jazz nele também me deixa relaxado, tudo parece fazer parte de um organizada confusão, na qual vou me imiscuindo sutilmente. Um filme por ano, no mínimo, uau! E agora Blue Jasmine, com Cate Blanchett e Alec Baldwin, baseado numa história da mulher dele, a carmática Soon-Yi, sobre uma mulher falida, entregue às pílulas e vodka, ela perdeu tudo (ui!) e se muda para  São Francisco (nossa!), para um AP  da irmã. Mais para drama, não é? 
Allen vive com Soon-Yi,  desde 1997. Um filme dele custa em média 18 milhões de dólares, bagatela diante dos 400 milhões do novo com Brad Pitt, (“Z...”). Gosto muito de Meia-noite em Paris e tantos dos novos. Se não rola o sucesso ele nem liga pois está sempre na ativa.Não são os salários que prendem atores e técnicos a Allen. Cate Blanchett estava querendo isso há muito tempo e declarou ao jornal Wall street que ele tem algo de Tennessee Williams, Shakespeare e Ibsen. Ele quer tudo pronto, logo, diz a louraça, é incansável e tem uma energia, algo que Meryl Streep já tinha sacado. Seu jeitão classe média é encantador. Sua ética(?) é impiedosa, e o que dizer da sua estética diante do enigma da vida? Ah! Woody, acho que devíamos ser amigos...(Ih! Tem um filme sobre isso), deixa pra lá.
  
Agora veja o trailer :http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=FER3C394aI8


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Minha mãe é uma peça e Deus é brasileiro (por Moisés Neto)

Minha mãe é uma peça e Deus é brasileiro (por Moisés Neto)

Minha mãe é uma peça! Morar em Niterói não é a mesma coisa de morar na capital do Rio, anuncia o “narrador” do filme pra começo de conversa, em Niteroi tem até similar do Central Park! Ah! As externas do filme me deram saudades de Niterói, Icaraí... minha adolescência cheia de férias. Já o título do filme em primeira pessoa (por quê?) nos leva à  primeira pergunta. Talvez para identificar mais ainda o TRAVESTISMO ali embutido? Mas isto parece o mínimo distanciamento brechtiano num país anfíbio, ambíguo e cheio de gente que não tem problema com dinheiro nem com sexo. É carro bom, é salão fashion, é clube, muita maquiagem e uma leveza sobre homossexualismo que até assusta. Maconha então?  É tipo passei por Woodstock, uma “marola” ao longe. E daí? Por que brasileiro gosta tanto de travesti? Lembrei agora do filme Os deuses malditos, e os travestis nazificados de Luchino Visconti, ou outro com Robin Williams, no qual ele SE TRAVESTIA PARA FICAR PRÓXIMO AOS... FILHOS (Uma babá quase perfeita), lembrei também, como bom recifense de Dona Verinha de Bob Mergulhão, de Cinderela e da Trupe do barulho, do Vivencial Diversiones etc. Bem, vamos ao filme em questão em seu cerne: Dona Hermínia é uma senhora (aposentada?) e mãe desdobrando fibra por fibra o coração com os filhos (3) já adultos, mas com teen spirit, principalmente o gay e a gordinha, tipos que sempre arrancam boas risadas, ao lado da empregada, de preferência, como nesta película, NEGRA. O clima é de fofoca e tudo vai se embolando em gags que não deixam o menor espaço para reflexão ou defesa (como se precisássemos disso num pacote como este). Ex-marido e dondoca agressiva também não falham quando bem arquitetados. Imagino este texto no palco: é tiro e queda (caiu o sabonete no chão no banheiro coletivo dos homens?) na gargalhada. Suely Franco é sempre encantadora e comovente com sua gentileza cênica. Herson Capri aquela mesma coisa de sempre: o cara de pau que resolve tudo com um comportamento urbano e com ares civilizados.Mas... Enfin...  AU REVOIR, CHAPLIN! Paulo Gustavo é o pivô da greia geral. Autor, ator e faz-tudo, parece bem à vontade num imbróglio digestivo que traça novas metas para o cinema nacional reaproximando-o da chanchada (vide Eva Tudor e Oscarito). Só que agora com o dinamismo do novo milênio, mas o filme faz questão de ambientar-se num clima meio anos 50/60, enfim, retrô, que vai dos móveis à caracterização dos personagens. Que importa se um tablet aqui ou ali atrapalhe este clima? Ingrid Guimarães está no seu aquário particular que no caso não fere nem interfere. É uma produção OK, neste momento que o Brasil atravessa de tanta incerteza e estádios incandescentes. Inflação? É assunto que a mãe ainda arisca um início de crítica, quando entrevistada por um repórter de rua, mas logo tudo volta ao lugar. Não faltam referências aos gases por má digestão, nem o baixo calão, os bobs(ela é do tempo do bob!). A direção de André Pellenz mostra sua mão para a comédia, coisa que a duração (85 min) ajuda. Com o auxílio luxuoso da distribuidora Paris Filmes e a classificação de 12 Anos, temos aqui um pastelão  bric-à-brac, no país natal de Deus. O problema talvez seja que nem todos são do Flamengo ou têm uma nega chamada Teresa. Restam mais algumas perguntas: é este o rumo do cinema nacional? Se for é até bom porque indica que há público, mas como promoção fácil também dá sumiço, vamos agarrar a mamãezona com unhas e dentes e comê-la toda enquanto o papai Hollywood dá sopa. Afinal, rir é a melhor diversão ou não? E rir da mais famigerada criatura freudiana. É tão bonita a cena do “reencontro” dos filhos problemáticos com a mama, não é mesmo? A gorda largando a gororoba gordurosa e o filho sem pensar no namorado, a tia  sem o uísque e dando pausa no disco de Sidney Magal (oito entre dez o usam para falar da alma nacional nas representações de TV e no cinema? Faltou Gretchen para capturar a plateia de vez!). E que bom que quase todos possam dizer: Minha mãe é uma peça! Dei umas gargalhadas neste fim de tarde invernoso enquanto lá fora o recife amargava numa boa uma greve de ônibus (patrões ofereciam 3% de aumento e os funcionários queriam dez vezes mais, ganham tão pouco). Que importa? Cada um no seu quadrado, não é mesmo? Na Wikipédia lemos que Paulo Gustavo que levou MILHÕES DE ESPECTADORES ao teatro ao longo dos anos em cartaz e agora chega arrasando o quarteirão no cine nacional. Que maravilha, graças a  Deus(ops!), pelo menos , nietzschianamente, O TEATRO ESTÁ VIVO, e o cinema está VIVENDO, no BRAZIL. É muito melhor rir do brasileiro do que destes made in USA, de novo.
Agora deixo vocês com um poema de Manuel Bandeira (para continuar no Recife): “Uns tomam éter, outros cocaína./Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria./Tenho todos os motivos menos um de ser triste./Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...[...]Sim, já perdi pai, mãe, irmãos./Perdi a saúde também./É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band./Uns tomam éter, outros cocaína./Eu tomo alegria!/Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda./Mistura muito excelente de chás.../Esta foi açafata.../- Não, foi arrumadeira./E está dançando com o ex-prefeito municipal:/tão Brasil!/De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil.../A filha do usineiro de Campos/olha com repugnância/para a crioula imoral,/no entanto o que faz a indecência da outra/é dengue nos olhos maravilhosos da moça./E aquele cair de ombros.../Mas ela não sabe.../Tão Brasil!/Ninguém se lembra de política.../Nem dos oito mil quilômetros de costa.../O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?/Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos./A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca./Eu tomo alegria!”