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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES Peça de Moisés Monteiro de Melo Neto

 

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

 

Peça de Moisés Monteiro de Melo Neto

 


LOCKWOOD     Afastado do burburinho da sociedade aqui estou,  Lockwood é o  meu nome. O senhor Heathcliff me alugou a Granja ThrushCross. E eu fui conhecê-lo, quando cheguei no imóvel. Naquela noite o seu criado, Joseph, me abriu a porta com má vontade; eu não era bem-vindo no Morro dos Ventos Uivantes, mansão que tinha séculos, onde morava, em meio ao tumulto atmosférico causados pelos ventos Norte, meu senhorio; acho que aquele casarão tinha uns 3 séculos! Vinha dos 1500. Lá dentro havia uma cadela, cercada por uma ninhada de filhotes que grunhiam.

(suspira)

O senhor Heathcliff era um tipo meio cigano, de pele morena. Um tanto desalinhado, intratável, orgulho para pessoas rústicas, como ele, parecia. Encolhi-me como um caracol. Sentei-me a um canto da pedra da lareira, fui alisar a cadela e ela quase me arranca a mão. “Deixe a cadela em paz!”, grunhiu Heathcliff. O criado Joseph resmungou. Entraram mais dois cães peludos e raivosos. Agora formavam um trio, uma matilha, meia dúzia de demônios. Então, Zilah, a empregada, que era forte, acalmou aquela ninhada de tigres... bando de vira-latas! Saí e voltei no outro dia. Vejam: da granja que aluguei até a casa do dono eram quatro milhas... sim: entre a granja dele que eu aluguei e O Morro dos Ventos Uivantes, era longe, mas fui a pé, aí o tempo piorou, muito.

(vira-se)

Neste segundo dia, quando voltei lá, atravessei a entrada. No caminho da ladeira pelas esparsas groselheiras silvestres, vi o depósito de carvão na lavanderia, tinha uma bomba d'água, um pombal. Depois, entrei novamente na sala limpa;  na mesa havia um uma farta refeição noturna e uma moça de 17 anos linda. Depois eu saberia que era Catarina II ,no seu vestido preto. Usava um avental, também. Heathcliff tinha cara de gente ruim e não gostou da minha volta. Eu, seu inquilino. Sentei-me e descobri que a moça era sua nora. Alguém falou numa enterrada viva. Um anjo que guardava aquela casa, depois eu descobriria que seria a Catarina 1ª. O espírito dela. Cruzes!

(som de vento)

 Heathcliff, tinha uns 40 anos. Musculoso, mas os músculos faciais perversos, que não expressavam o que se passava na sua alma. Foi assim que a empregada Zilá reapareceu e Joseph trouxe um balde com mingau de aveia, sempre mingau de aveia para os cachorros. Notei que a moça lia um livro, de magia negra. Estranho foi quando ela ameaçou o velho Joseph, lançando, imaginem: uma maldição! Ele respondeu: “Sua bruxa perversa! Ah, que Deus nos livre do mal!”. disse Joseph,  o criado.  Ao que ela retrucou: “vou moldar todos aqui em argila e o primeiro que ultrapassar os limites que fixei, pagarão! Eu juro!”.

Nevava lá fora e meu senhorio foi obrigado a dar-me abrigo, por uma noite, com uma frase que me intrigou:

HEATHCLIFF “Não ande pelo corredor, pela casa, vai ficar trancado no quarto Estarei vigiando! Aquilo tudo me lembrou. A peça, Rei Lear, de Shakespeare. Sinistro...

(ouve-se um rangido de porta)

LOCKWOOD      Havia também um rapaz com um casaco bem velho, surrado. A seguir eu saberia que era o Hareton. filho de Hindley, antigo proprietário daquele local. Hareton, sobrinho de Catarina Primeira. Hareton, sim, este era o seu nome. Deram-me um copo de conhaque e me levaram ao tal quarto, onde eu passaria a noite. No quarto assombrado de Catarina I, encontrei cadernos pesados, pintados de verde, vi que eram diários da antiga moradora, a misteriosa Catarina, Cathy, como a chamavam... continuei a ler o diário de Catarina. Assim estava escrito: “Meu irmão se vingou de Heathcliff. Heathcliff foi batizado só assim. Isso era nome e sobrenome. Aí ele não podia mais. está bem conosco. Eu o abandonei”. Eram os diários de Catarina que eu lia. Ela escrevia nas bordas do livro, aqueles livros daquele quarto, aquela janela, aquele barulho. Acordei com um ruído na janela. Fui até lá e... Meu Deus! Eu vi aquilo:  Sim! Que horror! Eu vi o fantasma de uma menina: “Sou eu, Catarina, estou vagando há 20 anos. Me perdi, deixe-me entrar!”. E pelo buraco do vidro quebrado, da janela, segurou minha mão. Fiquei apavorado e gritei. Heathcliff abriu a porta e berrou comigo:

HEATHCLIFF — Quem lhe deixou ficar neste quarto? Maldita empregada! Malditas e lá! SAIA, JÁ DAQUI!

LOCKWOOD     Eu saí e fui para a cozinha depois ele desceu eu esperei amanhecer e ele me guiou até a casa que me alugou lá a antiga empregada do Morro dos Ventos Uivantes que trabalhava e trabalhou antes também na Trush Cross Grunge me contou sua terrível história.

(som de passos)

O Morro dos Ventos uivantes, como eu já disse, ficava a quatro milhas nesta casa que aluguei Nelly era testemunha de tudo que acontecera. Eu estava com os nervos à flor da pele e Nelly, empregada da Granja Thrushcross,  ela preparou uma tigela de mingau de aveia e... começou a narrar a história daquele lugar... Nelly continuou o seu relato.

(som de cadeira de balanço rangendo)

 

NELLY  Minha mãe foi ama de leite do irmão de Catarina Hindley Earshaw, pai do azarado Hareton, que o senhor viu no Morro dos Ventos Uivantes Um dia, o pai deles, o velho Earnshaw, pai de Catarina Primeira e Hindley, dono da secular casa dos Morro dos Ventos Uivantes, disse: “Vou a Liverpool e volto a pé”. São sessenta milhas, ida e volta. Trinta cada. É isto, repetiu: vou a Liverpool. Hindley pediu que lhe trouxesse um violino e Catarina pediu um chicote, para usar com os cavalos do Morro dos Ventos Uivantes.

(som de cavalo relinchando)

 O pai dela passou alguns dias ausente A mãe deles ficou surpresa quando o seu velho voltou Ele trouxe o menino cigano o Heathcliff tinha uns três ou quatro anos mais jovem que Catarina. Ela tinha uns sete ou oito. O pai disse à esposa: “vai ser como se fosse o nosso terceiro filho, uma benção de Deus”. Mas a sua senhora, mãe de Catarina, olhou para aquela criança e disse: “Argh, tão... escuro! Este menino parece enviado pelo diabo!”. Os filhos ficaram com raiva porque o violino para Hindley estava totalmente quebrado e o pai perdera o chicote que comprou para Catarina, que ficou furiosa. Heathcliff, sim: moreno, sujo, esfarrapado, foi encontrado vagando por Liverpool. Falava uma demoníaca língua cigana que ninguém entendia. A patroa queria arremessá-lo pela porta. Ele estava faminto e abandonado O patrão queria que ele dormisse com as crianças. Eu deixei-o no chão da porta da rua, esperando que ele fugisse, mas ele ficou. Hindley, irmão de Catarina, tinha 14 anos e cuspiu na cara de Heathcliff! O pai deu-lhe uma tapa bem forte, na cara!

(som de tapa , forte)

Repito: Catarina tinha seis anos, Heathcliff, uns quatro. O dele, era nome e sobrenome que o velho dera a ele, que daí começou a fazer parte do Morro dos Ventos Uivantes. Nós todos o odiamos naquela hora. Ele semeou a discórdia, apanhou muito do novo irmão mais velho e ficou a cada dia mais amarga, aquela criança negra. Como crescer normal com tanta injustiça que sofreu! Sabe o que dizia?

HEATHCLIFF     Um dia eu me vingarei!

NELLY  Ah! E se vingou, mesmo! Ficou tão doente. O bichinho...

 

(som de tosse)

Contraiu doença e o velho ordenou que eu cuidasse dele. Eu cuidei, mas Hindley batia nele, sempre. Ganhou um cavalo, ele também Heathcliff disse que queria o cavalo mais belo, mais bonito. O filho do velho disse “Não!”.

HEATHCLIFF      Se não me der, conto ao velho as maldades que você me faz. Ele gosta de mim, aí você vai ver!

NELLY  Hindey quebrou-lhe a cara, mas fez o que ele pediu para esconder do pai as surras e os maus tratos que impunha ao muito humilhado e desgraçado ciganinho. Mas antes, jogou um ferro bem pesado, quase mata Heathcliff e disse: “Cigano sujo, Tomara que você caia do cavalo e quebre o pescoço. Seu intruso miserável!”

Ah, os Earnshaws e os Lintons...

(som de porta se abrindo e se fechando-batida- a seguir)

Ah, Sr. Lockwood! Heathcliff foi ficando ter-rí-vel!!!

(Ventos soprando e sons fantasmagóricos)

HEATHCLIFF Com o passar do tempo, o velho Earnshaw que me tirou das ruas de Liverpool quando eu era apenas um moreno abandonado e me levou para O Morro dos Ventos Uivantes, em Gimmerton, me fez conviver com sua filha Catarina, o amor-ódio da minha vida, com o irmão dela, o maldito Hindley; então, o velho morreu e me deixou à mercê de tudo isso.

(música fúnebre, lamúria)

Eu e Catarina fomos até onde dois adolescentes poderiam ir e além. Naquela charneca desgraçada, demoníaca, paradisíaca. Catarina tinha um espírito vivo, língua sempre ativa, cantava, ria, atormentava a todos que não fizessem o mesmo. Ela me adorava. Aquele olhar atrevido tinha sempre uma resposta pronta, a danada da Catarina. A empregada Nelly, que ela chamava às vezes de Helen, sempre ocupada com alguma coisa nem que fosse tricô, também era uma danada, sim, uma danada: matreira que só ela. A Nelly, tem parte importante nesta história aqui. Isso: foi ela mesma ela que sa-ben-do que naquele dia terrível eu estava escutando aquela conversa que destruiria nossas vidas, minha e de Cathy... deixou... Catarina... dizer aquilo tudo!

(som de vento uivando pelas frestas, trovões)

 Com o passar do tempo Cathy já era uma moça bonita que se casaria com um vizinho, Edgar Linton, para ficar rica e poderosa!

Nelly você sabia que eu estava escutando seria protegido por ela com a grana do futuro marido que eu era um pé-rapado de uma figa! E depois de suportar tudo aquilo... eu já era um adolescente... e Catarina quatro anos mais velha que eu! Nós... nos amávamos! Era amor! E... mesmo sem saber, nós amávamos! Eu fiquei louco! Naquekla maldita hora desgraçada! E parti do Morro dos Ventos Uivantes. Ah! Tanta coisa aconteceu, a partir daquele instante! Por causa daquele dia danado veio nossa ruína completa! Mas antes, o irmão de Catarina, o terrível Hindley passou alguns anos fora.

(tosse)

 Voltou casado com uma tuberculosa teve um filho com sua esposa, o Hareton, que agora está aí e é o dono da casa, mas quem manda sou eu! Eu que ganhei tudo porque o pai dele só vivia no álcool nas cartas! Hindley era um bobo! Eu vinguei-me muito bem! A mulher morreu logo. Ficou bêbado viciado em jogo e jogava mal! A seguir, o nome do infeliz bebê? Hareton, sobrinho da minha Catarina, pobre Hareton, apanhava tanto daquele pai. A tia morava lá longe, riquinha. Mas ante3s disso, deixem-me ressaltar, não me culpem se se colocar no meu lugar, antes...

Hindley começou a se degradar totalmente. Jogo, bebida, me obrigava a ser quase escravo no Morro dos Ventos Uivantes... e me humilhava muito ainda. Eu já tinha dezesseis anos, um dia ele saiu e Catarina marcou com Edgar. Para uma visita tentadora ela queria pegar Edgar para se casar. jogando pra ele eu escutei quando ela disse a Nelly que gostava muito de mim, mas queria ser rica Aquilo lateja na minha alma pra sempre, na minha cabeça Naquele dia o irmão dela me obrigou a levar outra surra por insubordinação Eu poderia quebrá-lo todo, eu era muito forte, eu sou forte Mas aguentava calado. Mas aquilo de Catarina se jogando para aquele riquinho na minha frente, ela não sabia que eu estava escutando.

Não!

Este era o verdadeiro caráter da minha amada.

Então, foi aí que a ouvi conversando com Nelly, sem saber que eu escutava.

Nelly me viu, mas não disse nada. Ah, caprichosa Catarina! todos nós nos ventos uivantes éramos cheios de afetos selvagens. Um dia Hindley, irmão dela, botou a faca de trinchar, na minha boca... entre os meus dentes! E tentou empurrá-la pela minha garganta!

Que mais eu tinha que aguentar ali? Naquele mesmo dia. Ele sacudiu. O próprio filho do alto da escada. Eu consegui correr e segurei o garoto lá embaixo, Harerton. E suportei tudo. Mas Catarina me trocar por aquele molenga rico Edgar Linton e dizer que ao meu lado Se ela ficasse comigo só haveria miséria Assim ela me tratou pensando que eu não o descobriria Mas eu sabia que ela me amava Só não queria passar necessidade e aguentar E o irmão dela louco a gritar dentro de casa, a beber, eu fugi de um morro do morro dos ventos uivantes e só voltaria para me vingar de todos dela também.

Nem que tivesse que me entregar ao demônio pra isso. Ela já tinha vinte e dois anos, era o início de uma catástrofe terrível. Ela me amava, mas casou com o outro por interesse. Imaginá-la na cama com Edgar! Ela, rica! O que eles esperavam de mim? Eu sou forte eu venceria larguei aquele lugar depois ela diria que fez tudo aquilo para me livrar da pobreza e das atrocidades do irmão dela demais. O vento rugiu com violência, chuva, neve, raios, trovões, nada me impediria de tentar minha sorte ir lá longe ou morte longe do Morro dos Ventos Uivantes!

(ri sarcasticamente)

Hum, pobre Hareton, Hindley, o pai dele, irmão de Catarina, era um bêbado, sim, um idiota que a vida moldou. Foi quando, o inquilino do, Edgar, já morto.

(Heathcliff pigarreia com vigor)

NELLY  — Heathcliff passou 3canos fora e, ninguém sabe como, voltou rico e mais esperto do que nunca! Para acabar com os Lintons e os Earnshaws. Virou um monstro frio e calculista! Capaz de tudo e tinha um plano terrível, que logo pôs em ação!

HEATHCLIFF  São tantos anos Mas estava ainda a mesma Trush Cross Grange , o Morro dos Ventos Uivantes era uma fazenda, mas Thrush Cross, uma granja...símbolo da riqueza local Edgar maldito roubou minha Catarina de mim Mas quando eu saí do morro dos ventos uivantes e fiz o que era necessário ganhei muito dinheiro Voltei Voltei para me vingar daquela cambada de desgraçados!

(som de ventos uivando e de galho seco batendo no vidro)

 Eu, preto, pobre vindo das piores camadas sociais periferia da Inglaterra. Um dia , pouco antes da minha partida, na ceia de natal eu me vesti bem, tomei banho prolongado, me perfumei...Nelly me ajudou... Quando entrei na sala estavam meus irmão adotivos, Catarina e Hindley e os Lintosn, Edgar e Isabella. Zombaram tanto de mim! Edgar disse que eu parecia um macaco de circo, vestido daquele modo!

(suspiro profundo)

Naquela época eu era, para eles,  um caso perdido, era o que diziam sobre mim. Mas “eu venceria”, pensei, se bem que houve momentos que imaginei que tudo iria dar errado Como naquele natal, antes de eu partir.

Pois bem:  Edgar chegou aqui com a irmãzinha dele, aquela Isabela. E veio tirar onda com a minha cara. Joguei caldo de doce quente na cara de Edgar! Bati, gritei. Ninguém me atacava sem receber o troco bem dado. Eu era um escurinho, como eles me chamavam,  mal-humorado, mal educado e sem nada na vida, pois bem: mas eu contava com a minha força e eu sou forte e eles veriam aqueles... brancos imbecis! Eu sou Heathcliff ! Sou uma força da natureza e Catarina iria se arrepender do dia que me tocou, por Edgar, aquele idiota! Mas voltei pra me vingar deles todos!  Sim! E eu acabaria com o irmão dela, demônio do Hindley que estragou minha vida! Aquele infame do Hindley! Infame do Edgar! Eu iria empurrar com meu dedo na goela dele tudo que me fez passar! As surras que Hindley me deu quando eu tive que ser passivo e ele se aproveitou da grana que pra tentar destruir a minha vida!

(bate com a mão na mesa e quebra uma caneca)
 Ah, se iria eu iria acabar com aquele sujeitinho nojento!  Eu sou Heathcliff Em todos os meus estados sólidos, líquidos e gasosos! Ora se iria! Ninguém irá me derrotar! Ninguém ficará impune!

Não! Nunca! Impune para sempre! Eu seria o senhor do Morro dos Ventos Uivantes da Granja Thrush Cross, a qualquer custo aqueles demônios veriam sentiriam na alma no corpo Todo o poder que eu estava gerando em mim e que explodiria como um vulcão. Eu queria ter cabelo loiro e pele clara, me vestir e me comportar como Edgar, da Thrush Cross que tirou de mim Catarina, minha amada...

 Já que eu era só isso que era. era daquele jeito que teriam que me aceitar quando eu tivesse grana e poder e eu consegui e daria um pontapé na cara daqueles desgraçados todos custasse o que custasse eu seria o que fosse necessário para fazer aquilo Ah se faria eu seria mais forte do que um rei? Me chamavam de macaco, negro sujo! Mas iriam ver. Eu me vingaria de Hindley, de Edgar, de Catarina, de todos! Nem Deus teria a mesma satisfação que eu na sua ira!

Eu parecia possuído por algo diabólico. Mas na verdade era apenas desejo de vingança, sede disso e Catarina queria ser a rainha do condado quando se casou com seu riquinho Edgar. Tá certo, sendo esposa de Edgar, não é Catarina?

(ruge como uma fera enorme e furiosa)

Saí daquele lugar e fui buscar  fortuna, lá longe durante três anos, custasse o que custasse! Eu faria o que fosse necessário par\ isto! Fiz! Ah, o que passei! AH!

Aquela garota, Catarina era muito arrogante, teimosa, engenhosa, gritava. Até tentou gritar pra mim. O que me desagradava de qualquer modo, eu tinha 16 anos apenas quando saí. Foi quando o irmão dela perdeu a esposa, na casa. Morreu a desgraçada. Sorte se livrou dele. Aí ele se afogou de vez no álcool e no jogo! Ele não queria saber do filho Hindley. Jogado ali, naquele canto, no Morro dos Ventos Uivantes....

(geme com mais ódio, ainda, um sino toca, som assustador)

Nada, ninguém é tão forte quanto eu! Passei três anos pelo mundo fiz coisas que escandalizariam muita gente a cada segundo eu me tornava mais forte resisti aos piores tormentos venci eu sou Heathcliff uma apunhalada não poderia me infligir dor maior do que a que eu sentia voltei a Gimmerton, rico, ao Morro dos Ventos Uivantes e a espreitar minhas vítimas ao redor do lar de Catarina e Edgar agora eles pagariam por ter feito tudo aquilo comigo Ah se pagariam!

(grita, asperamente )

 Sofri o diabo nesses três anos até falar com Catarina!

Na minha volta, escondido, espreitei a empregada Nelly.

Vi também que a irmã de Edgar era muito bonitinha, Isabella. A empregada me confessou. Catarina quase morreu de tristeza quando você fugiu... Terrível, Heathcliff, terrível! Isso só aumentou o meu ódio de tudo e todos ali ela me amava e me abandonou. Exigi que a empregada Nelly trouxesse Catarina até mim. Que o marido dela não soubesse por enquanto. Depois, pus em prática o meu plano.

 

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

PARTE II

NELLY Os olhos de Heathcliff, olhos de fogo negro, sim, olhos de fogo negro! Na fronte não guardava sinais da sua degradação, mas eu via, ali, aquela ferocidade mal- civilizada. Quando ele voltou, depois de três anos, suas roupas, seu porte, seus modos, tudo tão... tão... di-fe-ren-te, mas eu sabia que algo cruel estava por acontecer. Ele me obrigou a trazer minha patroa Catarina à sua presença. Chamei-a, discretamente, meu patrão, o marido dela, perguntou porque a visita não entrou logo, mas Catarina foi ao seu encontro no jardim e que encontro ele mal a olhou nos olhos inicialmente depois a depois pois que indisfarçável prazer que ele bebia dos olhos dela eu presenciei tudo senhor Lockwood... eu presenciei aquilo aquele reencontro de Catarina e Heathcliff, aquilo começou uma espécie de celebração... de... duelo mortal...

 

Cena do reencontro de Catarina e Heathcliff

 

CATARINA Amado Heathclifff! (abraça-o) Amanhã vou pensar que isto foi um sonho... não vou poder acreditar que vi, toquei, falei com você uma vez! Mas...você não merece esta acolhida, Heathcliff! Cruel, Heathcliff. Ausente e sem dar notícia por três anos e, aposto, não pensou em mim uma vez sequer.

 

HEATHCLIFF— Eu pensei, sim: um pouco mais do que você pensou em mim, Catarina. Não faz tempo que ouvi falar do seu casamento. Quis ver no seu rosto. Vim para acertar minhas contas com seu irmão Hindley e com o seu esposo Edgar. Como pôde trocar minha força pela infantilidade do seu marido.

CATARINA Vou acostumá-lo a gostar de você. Nelly, a criada, me disse que você parecia um verdadeiro cristão, agora. Estou olhando.

HEATHCLIFFCatarina, eu voltei para me estabelecer nas redondezas de Gimmerton.

CATARINA Meu irmão, o Hindley, está hospedando você, no Morro dos Ventos Uivantes; tenho medo que ele se desgrace ainda mais...

 HEATHCLIFFSeu irmão não pode se degradar mais do que já está. Fico lá, quanto a mim...

CATARINA  E eu, Heathcliff? Diga:  você me abandonou! E eu tive que enfrentar tudo, sozinha, quer dizer, contei com a bondade de Edgar....

HEATHCLIFFVocê, Catarina, se acha um anjo? (ri) Não é assim? E acha que não fez nada de mal, me trocando por Edgar! E não é e aquela loirinha ali? A que eu vi pela janela da sala? Ela é Isabela, a irmã dele; não é Isabela? Aquela macaquinha loura de olhos azuis? Tão ...impertinente, desde pequena. Cresceu bem. Ah, Catarina, seu irmão me pediu dinheiro emprestado, como vem pedindo a muita gente, também e me deu O Morro dos Ventos Uivantes, a propriedade, como garantia, aquele galopa rápido para o inferno!

CATARINA   Ah ,não destrua meu irmão Heathcliff... nem meu marido!

HEATHCLIFFAh, Catarina, não diga isto (irônico) ...sou um bom partido, agora, posso conquistar sua cunhada e casar com ela gostaria da minha força como homem!

CATARINA  Não, Heathcliff, não! Por favor... gosto demais dela para permitir que você, meu querido, a agarre e a devore.

HEATHCLIFFEla tem olhos azuis, é loura, como irmão. Já o seu sobrinho, Hareton, filho do seu irmão Hintley, virará nas minhas mãos um tigre. Saberei orientá-lo para isso.

CATARINA Você voltou para nos destruir, não é, Heathcliff?

HEATHCLIFF Tenho o direito de beijar sua cunhada se ela quiser casar com ela também.  Não tenho ciúmes de você, Catarina! Você procedeu comigo de maneira infernal! Acha que vai fazer com que vou perdoar você, por causa das suas palavras doces, agora?

 

CATARINA Que mudança de caráter, Heathcliff, é essa sua? Seu bruto! Você é um ingrato! É isso, mesmo!

HEATHCLIFF  Não, Catarina, não vou me vingar de você... Não é este o meu plano... Você tem permissão de me torturar até a morte! Sim, só para se divertir, mas... permita que eu me divirta também! Mas evite me insultar!  

CATARINA Heathcliff, você quer se vingar de mim? Não é? Confesse! Eu comparo o seu plano com a entrega de uma alma perdida a Satanás  

HEATHCLIFFAh Catarina, esse seu cordeirinho, (ri) que você chama de marido, não é digno nem de ser derrubado por mim!

CATARINA Oh, Heathcliff se a natureza dele é fraca, a sua é má! E esta sua ingratidão é cega, estúpida até o absurdo! Como pode pensar mal de mim, Heathcliff?

HEATHCLIFFCatarina, faça o favor:  prefere seu marido covarde, que tem leite nas veias, em vez de sangue... Ama aquele medroso fracote?! Vou esmagar-lhe as costelas como uma castanha podre.

CATARINA Pare Heathcliff! Não vê que estou quase louca, já?!

HEATHCLIFFVocê, você... planeja de antemão os seus acessos? Ou está improvisando agora a Catarina?

(Catarina coloca as mão no rosto, está muito perturbada, chora, grita)

 

PARTE III

NELLY Ah senhor, Lockwood! O romance de Catarina e Heathcliff chegaria ao ponto de virar a terrível maldição que até hoje lateja, embora ambos estejam mortos, mas só ela vaga por aqui! Ela tentou morrer de fome e na sua loucura chegou até a, imagine, rasgar um travesseiro com os dentes! Os médicos diziam que ela não poderia ser contrariada. Sua doença era uma espécie de escuridão que tomavam conta não dava conta dela. Ela não queria ouvir ninguém, só a si mesma. Estava possessa. O marido se trancou na biblioteca. Catarina era teimosa e dominadora por natureza. Aí, Heathcliff raptou a cunhada dela, a Isabela. Sim! Casou com a irmã do esposo de Catarina, o senhor Edgar que era dono. de Thrush Cross Grange, esta casa que o senhor alugou o senhor do Lockwood. Heathcliff casou com Isabella Linton a pulso, enganando-a e torturou a menina muito. O que fez piorar a loucura de Catarina, muito. Numa alienação mental permanente, febre cerebral.

No Morro dos Ventos Uivantes, o irmão de Catarina, depois que a esposa dele morreu, tentou matar Heathcliff, que morava lá. Isabella vacilou, não ajudou E quem morreu foi ele Deixando Heathcliff, senhor de tudo. E adotando o filho do falecido dono, Hindley, irmão de Catarina.

 Isabela enfrentou tudo como pôde, engravidou, mas conseguiu fugir e criou o filho sozinha bem longe do morro dos ventos uivantes e de Heathcliff, daquele tigre Heathcliff, serpente venenosa, era o que ela dizia sobre ele.

Enquanto isso, ele, o senhor do morro dos ventos uivantes, queria arrancar o coração do marido de Catarina, o senhor Edgar, e beber-lhe o sangue!

(Nelly chora assustadoramente)

 Pobre Catarina, parecia uma morta viva a definhar. Quando chegou o verão, ela deu à luz uma menina que herdou o seu nome. numa segunda Catarina, aí minha patroa faleceu, mas antes eu presenciei uma cena entre ela e Heathcliff: a última...

 

Parte IV

 

CATARINA Heathcliff, você e Edgar acabaram comigo!! Você me assassinou e gostou disso! Gostaria de segurá-lo até que estivéssemos ambos mortos.

HEATHCLIFFCatarina, não me torture até que eu fique tão louco quanto você! É isto que você quer? Por que fala assim comigo, quando está... morrendo? Vai ter paz na morte e me deixar no inferno das lembranças!? Não aguento nem a sua lembrança, Catarina!

CATARINA Continuarei minha angústia embaixo da terra, Heathcliff.  Levarei você na minha alma! Farei parte de você no além!

(som de respirações ofegantes e desesperadas. Beijaram-se furiosamente)

 HEATHCLIFF Por que traiu o nosso amor, Catarina? Você mesma se matou. Não tive o direito a nada! Você não devia ter me deixado, Catarina! Nada teria nos separado Nem Deus, nem Satanás! Me beije outra vez!

(ela vai caindo, está muito fraca e doente dos nervos)

 

CATARINA Eu lhe perdoo! Amo quem me matou!

NELLY  Esta é a história do amor infeliz de Catarina e Heathcliff. Ela morreu tranquila como um cordeiro: deu um suspiro e se esticou como uma criança que acorda, que desperta e volta a dormir profundamente.

 

EPÍLOGO

NELLY  Sim, senhor Lockwood, a história poderia ter acabado. Por aí. Mas deixe-me dizer o que aconteceu para acabar... “melhor” ainda... Catarina 2ª casou com o filho. de Heathcliff com Isabella, e depois da morte deste, que morreu jovem. Ela casaria a segunda vez com o sobrinho de Catarina, filho de Hindley. O nome do menino era Hareton. Ele tinha a cara da amada de Heathcliff, o Hareton, sim. E ele tinha Heathcliff como se fosse um pai dele, um mentor... e foi criado bruto, ignorante, mas era lindo e forte um macho se é que me entende eu o tinha como um filho como também como filha, eu tinha Catarina II. Quando meu segundo patrão, o pai de Catarina II, o Linton, da Granja Thrushcross, morreu e Heathcliff se apossou das duas casas. Me chamou para voltar ao morro dos ventos levantes e botou Zilá, a empregada de lá para correr. Voltei a ser a empregada, no Morro dos Ventos Uivantes. O que aconteceu? Vou lhe contar. Enquanto passo ferro nessa roupa, vou parar um pouco. Heathcliff envelheceu e começou a ver com mais constância o fantasma de Catarina I. Batia na filha dela. Depois que a menina ficou viuvinha E essa jovem Catarina 2ª, se empoderou. Poi é:  Uma adversária à altura de Heathcliff! Ora se virou!

(Nelly ri, amargamente e triunfalmente)

 A lourinha é atrevida ensinou o primo a ler e eles começaram a namorar. Eu fiz gosto nisso: eram como os filhos que eu nunca tive! Ah,  e Heathcliff? Sim, eu também o tinha como afilhado, mas ele. naquele momento que tinha tudo que sempre quis para destruir as duas famílias... os seus inimigos, ele começou a dar sinais de assim... como posso lhe dizer? Era como se, depois de tudo... ele se se tornasse mais humano e como, que acredite, senhor Lockwood, Heathcliff...  desistiu da sua vingança.  Viu no filho do irmão de Catarina, Hareton, os traços dela, do seu grande e único verdadeiro amor, e na filha dela... uma possibilidade de poder exercer sua real ... fantasia!. E pior ele começou a ver o fantasma de Catarina 1ª,  com mais frequência! ele se entregou a isso: sua obsessão e transcendência!

HEATHCLIFF  Eu vou ser enterrado Ao seu lado, Catarina, que importa o resto? Não vou mais comer, não quero mais me alimentar. Chamarei o advogado. Sim, para dar todas as ordens a ele e fazer meu testamento. que realizarei os negócios para sua filha e seu sobrinho que se casem. Vou me entregar ao seu espírito, Catarina. Eu serei definitivamente parte de você e você parte de mim... no além! Seremos dois espíritos, dois fantasmas a vagar. pelo Morro dos Ventos Uivantes, por nossa charneca, por estes campos, para sempre! Sim, venha, Catarina, venha! E nos amaremos para todos sempre como sempre foi te será nosso amor, Catarina, é para sempre.

(som de muitos beijos mórbidos)

 NELLY   Quando acertou o casamento de Catarina 2ª e o primo dela, Hareton, sobrinho de Catarina 1ª. Heathcliff passou quatro dias sem comer e beber, sem dormir. Saía pela madrugada. Ficou bem satisfeito em morrer de fome e sede e sede, em insônia Ele parecia um vampiro! Tive tanto medo! Mas aí, ele morreu Numa noite de muita chuva, no mês de abril, com a janela aberta... a água entrando deixou a vida e virou uma lenda dizem que ele aparece de Catarina 1ª Assustando a todos por aqui Deus os tenha Os Amantes Eternos do Morro dos Ventos Uivantes...

FIM

 

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