O MORRO DOS VENTOS
UIVANTES
Peça
de Moisés Monteiro de Melo Neto
LOCKWOOD — Afastado
do burburinho da sociedade aqui estou, Lockwood é o meu nome. O senhor Heathcliff me alugou a
Granja ThrushCross. E eu fui conhecê-lo, quando cheguei no imóvel. Naquela
noite o seu criado, Joseph, me abriu a porta com má vontade; eu não era
bem-vindo no Morro dos Ventos Uivantes, mansão que tinha séculos, onde morava,
em meio ao tumulto atmosférico causados pelos ventos Norte, meu senhorio; acho
que aquele casarão tinha uns 3 séculos! Vinha dos 1500. Lá dentro havia uma
cadela, cercada por uma ninhada de filhotes que grunhiam.
(suspira)
O senhor Heathcliff era
um tipo meio cigano, de pele morena. Um tanto desalinhado, intratável, orgulho para
pessoas rústicas, como ele, parecia. Encolhi-me como um caracol. Sentei-me
a um canto da pedra da lareira, fui alisar a cadela e ela quase me arranca a
mão. “Deixe a cadela em paz!”, grunhiu Heathcliff. O criado Joseph resmungou.
Entraram mais dois cães peludos e raivosos. Agora formavam um trio, uma
matilha, meia dúzia de demônios. Então, Zilah, a empregada, que era forte, acalmou
aquela ninhada de tigres... bando de vira-latas! Saí e voltei no outro
dia. Vejam: da granja que aluguei até a casa do dono eram quatro milhas... sim:
entre a granja dele que eu aluguei e O Morro dos Ventos Uivantes, era longe,
mas fui a pé, aí o tempo piorou, muito.
(vira-se)
Neste segundo dia,
quando voltei lá, atravessei a entrada. No caminho da ladeira pelas esparsas groselheiras
silvestres, vi o depósito de carvão na lavanderia, tinha uma bomba d'água,
um pombal. Depois, entrei novamente na sala limpa; na mesa havia um uma farta refeição noturna e
uma moça de 17 anos linda. Depois eu saberia que era Catarina II ,no seu
vestido preto. Usava um avental, também. Heathcliff tinha cara de gente ruim e
não gostou da minha volta. Eu, seu inquilino. Sentei-me e descobri que a moça
era sua nora. Alguém falou numa enterrada viva. Um anjo que guardava
aquela casa, depois eu descobriria que seria a Catarina 1ª. O espírito dela.
Cruzes!
(som
de vento)
Heathcliff, tinha uns 40 anos. Musculoso, mas
os músculos faciais perversos, que não expressavam o que se passava na
sua alma. Foi assim que a empregada Zilá reapareceu e Joseph trouxe um balde
com mingau de aveia, sempre mingau de aveia para os cachorros. Notei que a moça
lia um livro, de magia negra. Estranho foi quando ela ameaçou o velho
Joseph, lançando, imaginem: uma maldição! Ele respondeu: “Sua bruxa perversa!
Ah, que Deus nos livre do mal!”. disse Joseph, o criado. Ao que ela retrucou: “vou moldar todos aqui em
argila e o primeiro que ultrapassar os limites que fixei, pagarão! Eu juro!”.
Nevava lá fora e meu
senhorio foi obrigado a dar-me abrigo, por uma noite, com uma frase que
me intrigou:
HEATHCLIFF — “Não ande pelo corredor, pela casa, vai ficar trancado no quarto
Estarei vigiando! Aquilo tudo me lembrou. A peça, Rei Lear, de
Shakespeare. Sinistro...
(ouve-se
um rangido de porta)
LOCKWOOD — Havia também um rapaz com um casaco bem velho,
surrado. A seguir eu saberia que era o Hareton. filho de Hindley, antigo
proprietário daquele local. Hareton, sobrinho de Catarina Primeira. Hareton,
sim, este era o seu nome. Deram-me um copo de conhaque e me levaram ao tal quarto,
onde eu passaria a noite. No quarto assombrado de Catarina I, encontrei cadernos
pesados, pintados de verde, vi que eram diários da antiga moradora, a
misteriosa Catarina, Cathy, como a chamavam... continuei a ler o diário de
Catarina. Assim estava escrito: “Meu irmão se vingou de Heathcliff. Heathcliff
foi batizado só assim. Isso era nome e sobrenome. Aí ele não podia mais. está
bem conosco. Eu o abandonei”. Eram os diários de Catarina que eu lia. Ela
escrevia nas bordas do livro, aqueles livros daquele quarto, aquela janela,
aquele barulho. Acordei com um ruído na janela. Fui até lá e... Meu Deus! Eu vi
aquilo: Sim! Que horror! Eu vi o
fantasma de uma menina: “Sou eu, Catarina, estou vagando há 20 anos. Me perdi,
deixe-me entrar!”. E pelo buraco do vidro quebrado, da janela, segurou minha
mão. Fiquei apavorado e gritei. Heathcliff abriu a porta e berrou comigo:
HEATHCLIFF — Quem lhe deixou ficar neste quarto? Maldita
empregada! Malditas e lá! SAIA, JÁ DAQUI!
LOCKWOOD — Eu
saí e fui para a cozinha depois ele desceu eu esperei amanhecer e ele me guiou
até a casa que me alugou lá a antiga empregada do Morro dos Ventos Uivantes que
trabalhava e trabalhou antes também na Trush Cross Grunge me contou sua
terrível história.
(som
de passos)
O Morro dos Ventos
uivantes, como eu já disse, ficava a quatro milhas nesta casa que aluguei Nelly
era testemunha de tudo que acontecera. Eu estava com os nervos à flor da pele e
Nelly, empregada da Granja Thrushcross, ela
preparou uma tigela de mingau de aveia e... começou a narrar a história daquele
lugar... Nelly continuou o seu relato.
(som
de cadeira de balanço rangendo)
NELLY — Minha mãe foi ama de leite do irmão de
Catarina Hindley Earshaw, pai do azarado Hareton, que o senhor viu no Morro dos
Ventos Uivantes Um dia, o pai deles, o velho Earnshaw, pai de Catarina Primeira
e Hindley, dono da secular casa dos Morro dos Ventos Uivantes, disse: “Vou a
Liverpool e volto a pé”. São sessenta milhas, ida e volta. Trinta cada. É isto,
repetiu: vou a Liverpool. Hindley pediu que lhe trouxesse um violino e Catarina
pediu um chicote, para usar com os cavalos do Morro dos Ventos Uivantes.
(som
de cavalo relinchando)
O pai dela passou alguns dias ausente A mãe
deles ficou surpresa quando o seu velho voltou Ele trouxe o menino
cigano o Heathcliff tinha uns três ou quatro anos mais jovem que Catarina. Ela tinha
uns sete ou oito. O pai disse à esposa: “vai ser como se fosse o nosso terceiro
filho, uma benção de Deus”. Mas a sua senhora, mãe de Catarina, olhou para
aquela criança e disse: “Argh, tão... escuro! Este menino parece enviado pelo diabo!”.
Os filhos ficaram com raiva porque o violino para Hindley estava totalmente
quebrado e o pai perdera o chicote que comprou para Catarina, que ficou furiosa.
Heathcliff, sim: moreno, sujo, esfarrapado, foi encontrado vagando por
Liverpool. Falava uma demoníaca língua cigana que ninguém entendia. A
patroa queria arremessá-lo pela porta. Ele estava faminto e abandonado O patrão
queria que ele dormisse com as crianças. Eu deixei-o no chão da porta da rua, esperando
que ele fugisse, mas ele ficou. Hindley, irmão de Catarina, tinha 14
anos e cuspiu na cara de Heathcliff! O pai deu-lhe uma tapa bem forte, na cara!
(som
de tapa , forte)
Repito: Catarina tinha
seis anos, Heathcliff, uns quatro. O dele, era nome e sobrenome que o velho
dera a ele, que daí começou a fazer parte do Morro dos Ventos Uivantes. Nós
todos o odiamos naquela hora. Ele semeou a discórdia, apanhou muito do novo
irmão mais velho e ficou a cada dia mais amarga, aquela criança negra. Como
crescer normal com tanta injustiça que sofreu! Sabe o que dizia?
HEATHCLIFF — Um
dia eu me vingarei!
NELLY — Ah! E se vingou, mesmo! Ficou tão
doente. O bichinho...
(som
de tosse)
Contraiu doença e o
velho ordenou que eu cuidasse dele. Eu cuidei, mas Hindley batia nele, sempre.
Ganhou um cavalo, ele também Heathcliff disse que queria o cavalo mais belo,
mais bonito. O filho do velho disse “Não!”.
HEATHCLIFF — Se não me der, conto ao velho as maldades que você
me faz. Ele gosta de mim, aí você vai ver!
NELLY —Hindey quebrou-lhe a cara, mas fez o que
ele pediu para esconder do pai as surras e os maus tratos que impunha ao muito
humilhado e desgraçado ciganinho. Mas antes, jogou um ferro bem pesado,
quase mata Heathcliff e disse: “Cigano sujo, Tomara que você caia do cavalo e
quebre o pescoço. Seu intruso miserável!”
Ah, os Earnshaws e os
Lintons...
(som
de porta se abrindo e se fechando-batida- a seguir)
Ah, Sr. Lockwood!
Heathcliff foi ficando ter-rí-vel!!!
(Ventos
soprando e sons fantasmagóricos)
HEATHCLIFF —Com o passar do tempo, o velho Earnshaw que me tirou das ruas de
Liverpool quando eu era apenas um moreno abandonado e me levou para O Morro dos
Ventos Uivantes, em Gimmerton, me fez conviver com sua filha Catarina, o amor-ódio
da minha vida, com o irmão dela, o maldito Hindley; então, o velho morreu e me
deixou à mercê de tudo isso.
(música
fúnebre, lamúria)
Eu e Catarina fomos até
onde dois adolescentes poderiam ir e além. Naquela charneca desgraçada,
demoníaca, paradisíaca. Catarina tinha um espírito vivo, língua sempre
ativa, cantava, ria, atormentava a todos que não fizessem o mesmo. Ela me
adorava. Aquele olhar atrevido tinha sempre uma resposta pronta, a danada da
Catarina. A empregada Nelly, que ela chamava às vezes de Helen, sempre
ocupada com alguma coisa nem que fosse tricô, também era uma danada,
sim, uma danada: matreira que só ela. A Nelly, tem parte importante nesta
história aqui. Isso: foi ela mesma ela que sa-ben-do que naquele
dia terrível eu estava escutando aquela conversa que destruiria nossas
vidas, minha e de Cathy... deixou... Catarina... dizer aquilo tudo!
(som
de vento uivando pelas frestas, trovões)
Com o passar do tempo Cathy já era uma moça
bonita que se casaria com um vizinho, Edgar Linton, para ficar rica e
poderosa!
Nelly você sabia que eu
estava escutando seria protegido por ela com a grana do futuro marido que eu
era um pé-rapado de uma figa! E depois de suportar tudo aquilo... eu
já era um adolescente... e Catarina quatro anos mais velha que eu! Nós... nos
amávamos! Era amor! E... mesmo sem saber, nós amávamos! Eu fiquei louco!
Naquekla maldita hora desgraçada! E parti do Morro dos Ventos Uivantes. Ah!
Tanta coisa aconteceu, a partir daquele instante! Por causa daquele dia danado
veio nossa ruína completa! Mas antes, o irmão de Catarina, o terrível Hindley passou
alguns anos fora.
(tosse)
Voltou casado com uma tuberculosa teve um
filho com sua esposa, o Hareton, que agora está aí e é o dono da casa, mas quem
manda sou eu! Eu que ganhei tudo porque o pai dele só vivia no álcool nas
cartas! Hindley era um bobo! Eu vinguei-me muito bem! A mulher morreu logo.
Ficou bêbado viciado em jogo e jogava mal! A seguir, o nome do infeliz bebê? Hareton,
sobrinho da minha Catarina, pobre Hareton, apanhava tanto daquele pai. A tia
morava lá longe, riquinha. Mas ante3s disso, deixem-me ressaltar, não me culpem
se se colocar no meu lugar, antes...
Hindley começou a se
degradar totalmente. Jogo, bebida, me obrigava a ser quase escravo no Morro dos
Ventos Uivantes... e me humilhava muito ainda. Eu já tinha dezesseis anos, um
dia ele saiu e Catarina marcou com Edgar. Para uma visita tentadora ela queria
pegar Edgar para se casar. jogando pra ele eu escutei quando ela disse a Nelly
que gostava muito de mim, mas queria ser rica Aquilo lateja na minha alma pra
sempre, na minha cabeça Naquele dia o irmão dela me obrigou a levar outra surra
por insubordinação Eu poderia quebrá-lo todo, eu era muito forte, eu sou forte
Mas aguentava calado. Mas aquilo de Catarina se jogando para aquele riquinho na
minha frente, ela não sabia que eu estava escutando.
Não!
Este era o verdadeiro
caráter da minha amada.
Então, foi aí que a
ouvi conversando com Nelly, sem saber que eu escutava.
Nelly me viu, mas não
disse nada. Ah, caprichosa Catarina! todos nós nos ventos uivantes éramos
cheios de afetos selvagens. Um dia Hindley, irmão dela, botou a faca de
trinchar, na minha boca... entre os meus dentes! E tentou empurrá-la pela minha
garganta!
Que mais eu tinha que
aguentar ali? Naquele mesmo dia. Ele sacudiu. O próprio filho do alto da
escada. Eu consegui correr e segurei o garoto lá embaixo, Harerton. E suportei
tudo. Mas Catarina me trocar por aquele molenga rico Edgar Linton e dizer que
ao meu lado Se ela ficasse comigo só haveria miséria Assim ela me tratou
pensando que eu não o descobriria Mas eu sabia que ela me amava Só não queria
passar necessidade e aguentar E o irmão dela louco a gritar dentro de casa, a
beber, eu fugi de um morro do morro dos ventos uivantes e só voltaria para me
vingar de todos dela também.
Nem que tivesse que me
entregar ao demônio pra isso. Ela já tinha vinte e dois anos, era o início de
uma catástrofe terrível. Ela me amava, mas casou com o outro por interesse.
Imaginá-la na cama com Edgar! Ela, rica! O que eles esperavam de mim? Eu sou
forte eu venceria larguei aquele lugar depois ela diria que fez tudo aquilo
para me livrar da pobreza e das atrocidades do irmão dela demais. O vento rugiu
com violência, chuva, neve, raios, trovões, nada me impediria de tentar minha
sorte ir lá longe ou morte longe do Morro dos Ventos Uivantes!
(ri
sarcasticamente)
Hum, pobre Hareton,
Hindley, o pai dele, irmão de Catarina, era um bêbado, sim, um idiota que a
vida moldou. Foi quando, o inquilino do, Edgar, já morto.
(Heathcliff
pigarreia com vigor)
NELLY —
Heathcliff passou 3canos fora e, ninguém sabe como, voltou rico e mais esperto
do que nunca! Para acabar com os Lintons e os Earnshaws. Virou um monstro frio
e calculista! Capaz de tudo e tinha um plano terrível, que logo pôs em ação!
HEATHCLIFF — São tantos anos Mas estava ainda a mesma
Trush Cross Grange , o Morro dos Ventos Uivantes era uma fazenda, mas Thrush
Cross, uma granja...símbolo da riqueza local Edgar maldito roubou minha
Catarina de mim Mas quando eu saí do morro dos ventos uivantes e fiz o que era
necessário ganhei muito dinheiro Voltei Voltei para me vingar daquela cambada
de desgraçados!
(som
de ventos uivando e de galho seco batendo no vidro)
Eu, preto, pobre vindo das piores camadas
sociais periferia da Inglaterra. Um dia , pouco antes da minha partida, na ceia
de natal eu me vesti bem, tomei banho prolongado, me perfumei...Nelly me
ajudou... Quando entrei na sala estavam meus irmão adotivos, Catarina e Hindley
e os Lintosn, Edgar e Isabella. Zombaram tanto de mim! Edgar disse que eu
parecia um macaco de circo, vestido daquele modo!
(suspiro
profundo)
Naquela época eu era,
para eles, um caso perdido, era o que
diziam sobre mim. Mas “eu venceria”, pensei, se bem que houve momentos que imaginei
que tudo iria dar errado Como naquele natal, antes de eu partir.
Pois bem: Edgar chegou aqui com a irmãzinha dele,
aquela Isabela. E veio tirar onda com a minha cara. Joguei caldo de doce
quente na cara de Edgar! Bati, gritei. Ninguém me atacava sem receber o
troco bem dado. Eu era um escurinho, como eles me chamavam, mal-humorado, mal educado e sem nada na
vida, pois bem: mas eu contava com a minha força e eu sou forte e eles veriam
aqueles... brancos imbecis! Eu sou Heathcliff ! Sou uma força da natureza e
Catarina iria se arrepender do dia que me tocou, por Edgar, aquele idiota! Mas
voltei pra me vingar deles todos! Sim! E
eu acabaria com o irmão dela, demônio do Hindley que estragou minha vida!
Aquele infame do Hindley! Infame do Edgar! Eu iria empurrar com meu dedo na
goela dele tudo que me fez passar! As surras que Hindley me deu quando eu tive
que ser passivo e ele se aproveitou da grana que pra tentar destruir
a minha vida!
(bate com a mão na
mesa e quebra uma caneca)
Ah, se iria eu iria acabar com aquele
sujeitinho nojento! Eu sou Heathcliff Em
todos os meus estados sólidos, líquidos e gasosos! Ora se iria! Ninguém irá me
derrotar! Ninguém ficará impune!
Não! Nunca! Impune para
sempre! Eu seria o senhor do Morro dos Ventos Uivantes da Granja Thrush Cross,
a qualquer custo aqueles demônios veriam sentiriam na alma no corpo Todo o
poder que eu estava gerando em mim e que explodiria como um vulcão. Eu queria
ter cabelo loiro e pele clara, me vestir e me comportar como Edgar, da Thrush
Cross que tirou de mim Catarina, minha amada...
Já que eu era só isso que era. era daquele
jeito que teriam que me aceitar quando eu tivesse grana e poder e eu consegui e
daria um pontapé na cara daqueles desgraçados todos custasse o que custasse eu
seria o que fosse necessário para fazer aquilo Ah se faria eu seria mais forte
do que um rei? Me chamavam de macaco, negro sujo! Mas iriam ver. Eu me
vingaria de Hindley, de Edgar, de Catarina, de todos! Nem Deus teria a mesma
satisfação que eu na sua ira!
Eu parecia possuído por
algo diabólico. Mas na verdade era apenas desejo de vingança, sede disso
e Catarina queria ser a rainha do condado quando se casou com seu riquinho
Edgar. Tá certo, sendo esposa de Edgar, não é Catarina?
(ruge
como uma fera enorme e furiosa)
Saí daquele lugar e fui
buscar fortuna, lá longe durante
três anos, custasse o que custasse! Eu faria o que fosse necessário par\ isto!
Fiz! Ah, o que passei! AH!
Aquela garota, Catarina
era muito arrogante, teimosa, engenhosa, gritava. Até tentou gritar pra mim. O
que me desagradava de qualquer modo, eu tinha 16 anos apenas quando saí. Foi
quando o irmão dela perdeu a esposa, na casa. Morreu a desgraçada. Sorte se
livrou dele. Aí ele se afogou de vez no álcool e no jogo! Ele não queria saber
do filho Hindley. Jogado ali, naquele canto, no Morro dos Ventos Uivantes....
(geme
com mais ódio, ainda, um sino toca, som assustador)
Nada, ninguém é tão
forte quanto eu! Passei três anos pelo mundo fiz coisas que escandalizariam
muita gente a cada segundo eu me tornava mais forte resisti aos piores
tormentos venci eu sou Heathcliff uma apunhalada não poderia me infligir dor
maior do que a que eu sentia voltei a Gimmerton, rico, ao Morro dos Ventos
Uivantes e a espreitar minhas vítimas ao redor do lar de Catarina e Edgar agora
eles pagariam por ter feito tudo aquilo comigo Ah se pagariam!
(grita,
asperamente )
Sofri o diabo nesses três anos até falar com
Catarina!
Na minha volta, escondido,
espreitei a empregada Nelly.
Vi também que a irmã de
Edgar era muito bonitinha, Isabella. A empregada me confessou. Catarina quase
morreu de tristeza quando você fugiu... Terrível, Heathcliff, terrível! Isso só
aumentou o meu ódio de tudo e todos ali ela me amava e me abandonou. Exigi que
a empregada Nelly trouxesse Catarina até mim. Que o marido dela não soubesse
por enquanto. Depois, pus em prática o meu plano.
O
MORRO DOS VENTOS UIVANTES
PARTE
II
NELLY — Os olhos de Heathcliff, olhos de fogo negro, sim,
olhos de fogo negro! Na fronte não guardava sinais da sua degradação, mas eu
via, ali, aquela ferocidade mal- civilizada. Quando ele voltou, depois
de três anos, suas roupas, seu porte, seus modos, tudo tão... tão... di-fe-ren-te,
mas eu sabia que algo cruel estava por acontecer. Ele me obrigou a
trazer minha patroa Catarina à sua presença. Chamei-a, discretamente, meu
patrão, o marido dela, perguntou porque a visita não entrou logo, mas Catarina
foi ao seu encontro no jardim e que encontro ele mal a olhou nos olhos
inicialmente depois a depois pois que indisfarçável prazer que ele bebia dos
olhos dela eu presenciei tudo senhor Lockwood... eu presenciei aquilo
aquele reencontro de Catarina e Heathcliff, aquilo começou uma espécie
de celebração... de... duelo mortal...
Cena
do reencontro de Catarina e Heathcliff
CATARINA — Amado Heathclifff! (abraça-o) Amanhã vou pensar que isto
foi um sonho... não vou poder acreditar que vi, toquei, falei com você
uma vez! Mas...você não merece esta acolhida, Heathcliff! Cruel, Heathcliff.
Ausente e sem dar notícia por três anos e, aposto, não pensou em mim uma vez
sequer.
HEATHCLIFF— Eu pensei, sim: um pouco mais do que você pensou em mim,
Catarina. Não faz tempo que ouvi falar do seu casamento. Quis ver no seu
rosto. Vim para acertar minhas contas com seu irmão Hindley e com o seu esposo
Edgar. Como pôde trocar minha força pela infantilidade do seu marido.
CATARINA — Vou acostumá-lo a gostar de você. Nelly, a criada, me disse que
você parecia um verdadeiro cristão, agora. Estou olhando.
HEATHCLIFF— Catarina, eu voltei para me estabelecer nas redondezas de Gimmerton.
CATARINA — Meu irmão, o Hindley, está hospedando você, no Morro dos Ventos
Uivantes; tenho medo que ele se desgrace ainda mais...
HEATHCLIFF— Seu
irmão não pode se degradar mais do que já está. Fico lá, quanto a mim...
CATARINA — E eu, Heathcliff? Diga: você me abandonou! E eu tive que enfrentar
tudo, sozinha, quer dizer, contei com a bondade de Edgar....
HEATHCLIFF— Você, Catarina, se acha um anjo? (ri) Não é assim? E acha
que não fez nada de mal, me trocando por Edgar! E não é e aquela
loirinha ali? A que eu vi pela janela da sala? Ela é Isabela, a irmã dele; não
é Isabela? Aquela macaquinha loura de olhos azuis? Tão ...impertinente, desde
pequena. Cresceu bem. Ah, Catarina, seu irmão me pediu dinheiro emprestado,
como vem pedindo a muita gente, também e me deu O Morro dos Ventos Uivantes, a propriedade,
como garantia, aquele galopa rápido para o inferno!
CATARINA — Ah ,não destrua meu
irmão Heathcliff... nem meu marido!
HEATHCLIFF— Ah, Catarina, não diga isto (irônico) ...sou um bom
partido, agora, posso conquistar sua cunhada e casar com ela
gostaria da minha força como homem!
CATARINA — Não, Heathcliff, não!
Por favor... gosto demais dela para permitir que você, meu querido, a agarre e
a devore.
HEATHCLIFF— Ela tem olhos azuis, é loura, como irmão. Já o seu sobrinho,
Hareton, filho do seu irmão Hintley, virará nas minhas mãos um tigre. Saberei
orientá-lo para isso.
CATARINA — Você voltou para nos destruir, não é, Heathcliff?
HEATHCLIFF— Tenho o direito de beijar
sua cunhada se ela quiser casar com ela também.
Não tenho ciúmes de você, Catarina! Você procedeu comigo de maneira
infernal! Acha que vai fazer com que vou perdoar você, por causa das suas palavras
doces, agora?
CATARINA — Que mudança de caráter, Heathcliff, é essa sua? Seu bruto! Você
é um ingrato! É isso, mesmo!
HEATHCLIFF— Não, Catarina, não vou me vingar de você...
Não é este o meu plano... Você tem permissão de me torturar até a
morte! Sim, só para se divertir, mas... permita que eu me divirta
também! Mas evite me insultar!
CATARINA — Heathcliff, você quer se vingar de mim? Não é? Confesse! Eu
comparo o seu plano com a entrega de uma alma perdida a Satanás
HEATHCLIFF— Ah Catarina, esse seu cordeirinho, (ri) que você chama de
marido, não é digno nem de ser derrubado por mim!
CATARINA — Oh, Heathcliff se a natureza dele é fraca, a sua é má! E esta
sua ingratidão é cega, estúpida até o absurdo! Como pode pensar mal de mim,
Heathcliff?
HEATHCLIFF— Catarina, faça o favor: prefere seu marido covarde, que tem leite nas
veias, em vez de sangue... Ama aquele medroso fracote?! Vou esmagar-lhe
as costelas como uma castanha podre.
CATARINA — Pare Heathcliff! Não vê que estou quase louca, já?!
HEATHCLIFF— Você, você... planeja de antemão os seus acessos? Ou está
improvisando agora a Catarina?
(Catarina
coloca as mão no rosto, está muito perturbada, chora, grita)
PARTE
III
NELLY — Ah senhor, Lockwood! O romance de Catarina e Heathcliff
chegaria ao ponto de virar a terrível maldição que até hoje lateja, embora
ambos estejam mortos, mas só ela vaga por aqui! Ela tentou morrer de fome e na
sua loucura chegou até a, imagine, rasgar um travesseiro com os dentes! Os
médicos diziam que ela não poderia ser contrariada. Sua doença era uma espécie
de escuridão que tomavam conta não dava conta dela. Ela não queria ouvir
ninguém, só a si mesma. Estava possessa. O marido se trancou na biblioteca.
Catarina era teimosa e dominadora por natureza. Aí, Heathcliff raptou a cunhada
dela, a Isabela. Sim! Casou com a irmã do esposo de Catarina, o senhor Edgar
que era dono. de Thrush Cross Grange, esta casa que o senhor alugou o senhor do
Lockwood. Heathcliff casou com Isabella Linton a pulso, enganando-a e torturou
a menina muito. O que fez piorar a loucura de Catarina, muito. Numa alienação
mental permanente, febre cerebral.
No Morro dos Ventos
Uivantes, o irmão de Catarina, depois que a esposa dele morreu, tentou matar
Heathcliff, que morava lá. Isabella vacilou, não ajudou E quem morreu foi ele
Deixando Heathcliff, senhor de tudo. E adotando o filho do falecido dono,
Hindley, irmão de Catarina.
Isabela enfrentou tudo como pôde, engravidou,
mas conseguiu fugir e criou o filho sozinha bem longe do morro dos ventos
uivantes e de Heathcliff, daquele tigre Heathcliff, serpente venenosa, era o
que ela dizia sobre ele.
Enquanto isso, ele, o
senhor do morro dos ventos uivantes, queria arrancar o coração do marido de
Catarina, o senhor Edgar, e beber-lhe o sangue!
(Nelly
chora assustadoramente)
Pobre Catarina, parecia uma morta viva a
definhar. Quando chegou o verão, ela deu à luz uma menina que herdou o
seu nome. numa segunda Catarina, aí minha patroa faleceu, mas antes eu
presenciei uma cena entre ela e Heathcliff: a última...
Parte
IV
CATARINA — Heathcliff, você e Edgar acabaram comigo!! Você me assassinou e
gostou disso! Gostaria de segurá-lo até que estivéssemos ambos mortos.
HEATHCLIFF— Catarina, não me torture até que eu fique tão louco
quanto você! É isto que você quer? Por que fala assim comigo, quando está... morrendo?
Vai ter paz na morte e me deixar no inferno das lembranças!? Não aguento nem a
sua lembrança, Catarina!
CATARINA — Continuarei minha angústia embaixo da terra, Heathcliff. Levarei você na minha alma! Farei parte
de você no além!
(som
de respirações ofegantes e desesperadas. Beijaram-se furiosamente)
HEATHCLIFF— Por que traiu o nosso amor, Catarina? Você
mesma se matou. Não tive o direito a nada! Você não devia ter me deixado,
Catarina! Nada teria nos separado Nem Deus, nem Satanás! Me beije
outra vez!
(ela
vai caindo, está muito fraca e doente dos nervos)
CATARINA — Eu lhe perdoo! Amo quem me matou!
NELLY — Esta é a história do
amor infeliz de Catarina e Heathcliff. Ela morreu tranquila como um cordeiro:
deu um suspiro e se esticou como uma criança que acorda, que desperta e volta a
dormir profundamente.
EPÍLOGO
NELLY — Sim, senhor Lockwood, a história poderia
ter acabado. Por aí. Mas deixe-me dizer o que aconteceu para acabar... “melhor”
ainda... Catarina 2ª casou com o filho. de Heathcliff com Isabella, e depois da
morte deste, que morreu jovem. Ela casaria a segunda vez com o sobrinho de Catarina,
filho de Hindley. O nome do menino era Hareton. Ele tinha a cara da amada de
Heathcliff, o Hareton, sim. E ele tinha Heathcliff como se fosse um pai
dele, um mentor... e foi criado bruto, ignorante, mas era lindo e forte um
macho se é que me entende eu o tinha como um filho como também como filha, eu
tinha Catarina II. Quando meu segundo patrão, o pai de Catarina II, o Linton, da
Granja Thrushcross, morreu e Heathcliff se apossou das duas casas. Me chamou
para voltar ao morro dos ventos levantes e botou Zilá, a empregada de lá para
correr. Voltei a ser a empregada, no Morro dos Ventos Uivantes. O
que aconteceu? Vou lhe contar. Enquanto passo ferro nessa roupa, vou parar um
pouco. Heathcliff envelheceu e começou a ver com mais constância o fantasma de
Catarina I. Batia na filha dela. Depois que a menina ficou viuvinha E essa
jovem Catarina 2ª, se empoderou. Poi é: Uma adversária à altura de Heathcliff! Ora se
virou!
(Nelly ri, amargamente e triunfalmente)
A
lourinha é atrevida ensinou o primo a ler e eles começaram a namorar. Eu
fiz gosto nisso: eram como os filhos que eu nunca tive! Ah, e Heathcliff? Sim, eu também o tinha como afilhado,
mas ele. naquele momento que tinha tudo que sempre quis para destruir as
duas famílias... os seus inimigos, ele começou a dar sinais de assim...
como posso lhe dizer? Era como se, depois de tudo... ele se se tornasse
mais humano e como, que acredite, senhor Lockwood, Heathcliff... desistiu da sua vingança. Viu no filho do irmão de Catarina, Hareton, os
traços dela, do seu grande e único verdadeiro amor, e na filha dela... uma
possibilidade de poder exercer sua real ... fantasia!. E pior ele começou a
ver o fantasma de Catarina 1ª, com
mais frequência! ele se entregou a isso: sua obsessão e transcendência!
HEATHCLIFF — Eu vou ser enterrado Ao seu lado,
Catarina, que importa o resto? Não vou mais comer, não quero mais me alimentar.
Chamarei o advogado. Sim, para dar todas as ordens a ele e fazer meu
testamento. que realizarei os negócios para sua filha e seu sobrinho que se
casem. Vou me entregar ao seu espírito, Catarina. Eu serei
definitivamente parte de você e você parte de mim... no além! Seremos dois
espíritos, dois fantasmas a vagar. pelo Morro dos Ventos Uivantes, por nossa
charneca, por estes campos, para sempre! Sim, venha, Catarina, venha! E nos
amaremos para todos sempre como sempre foi te será nosso amor, Catarina, é para
sempre.
(som de muitos beijos mórbidos)
NELLY
— Quando acertou o casamento de Catarina 2ª e o
primo dela, Hareton, sobrinho de Catarina 1ª. Heathcliff passou quatro
dias sem comer e beber, sem dormir. Saía pela madrugada. Ficou bem satisfeito
em morrer de fome e sede e sede, em insônia Ele parecia um
vampiro! Tive tanto medo! Mas aí, ele morreu Numa noite de
muita chuva, no mês de abril, com a janela aberta... a água entrando
deixou a vida e virou uma lenda dizem que ele aparece de Catarina 1ª Assustando
a todos por aqui Deus os tenha Os Amantes Eternos do Morro dos Ventos
Uivantes...
FIM

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