CORDEL LITERATURA AFRICANA LUSÓFONA
Autor: Prof. Moisés Monteiro de Melo Neto*
Este cordel faz um recorte na questão da
literatura africana lusófona; história e literatura vão entrelaçando o homo fictus com o seu meio, seu tempo,
seu lugar e este conjunto de obras literárias, vão traduzindo o fundamental tom
de africanidade, sem ter que usar
máscaras brancas, para lembrarmos Franz Fanon. África torna eixo para uma
mensagem ao resto do planeta. Nesta literatura, o centro do universo deixa de
ser o homem europeu e passa a ser o homem africano; registramos também uma produção
literária com escrita diferencial: obras
de Paulina Chiziane, Agualusa, Mia Couto, Agostinho Neto, Luandino Vieira e
outros são trazidas nos versos neste livrinho do recifense Moisés Monteiro de
Melo Neto.
1
Literatura africana
é "Negritude", bom
é assim
vamos fazer um recorte
língua portuguesa, enfim
século XV, o “encontro
coisa boa e ruim
2 escritores de viagens
imperialismo por ali
no povo de Angola
Guiné-Bissau, Cabo Verde,
aí
Moçambique, e tem mais
São Tomé e Príncipe, li
3 lusofonia africana
cotidiano escolar
leituras dessas matrizes
importante se falar
Em 2003 foi lei
Vale mesmo praticar
4. afro- cultura tão
vasta
Que sabemos todos nós
Movimento Negro é
conquista
conteúdo, nossa voz
ressalto contribuições
povo negro raiz e foz
5 a sociedade civil,
vital na educação
unindo dois continentes
política e reparação
democracia racial
educadores da nação
6 fora racistas, também!
currículos escolares
diversidade cultural
naveguemos outros mares
educação igual e diversa
para todos os nossos
pares
7 ó políticas públicas
Pedagogia legal, sim
implementação das Leis
Guiné- Bissau, enfim
Autores bons pra cá
Tudo grita fundo em mim
8 Amilcar Cabral “Rosa
Negra”:
“Chamam-te Rosa, preta
formosa,
negrura, dentes sorrindo.
lasciva e sorridente, Rosa
balança, caminhas
dançando,
esperança,
poesia e prosa
9 sorte na vida que vives,
nesta
vida que temos...
amanhã...filhos,
preta formosa
varizes...
dores, vemos
logo já não serás Rosa,
serás
vida e sofrente, cremos
10
serás uma negra
e
eu temo a tua sorte.
vida
vives , com teus filhos
preta,
amanhã, teu porte?
Jornada
que continua
Lutemos,
agora, forte!
11
história e literatura
Ficção
nasce, assim
o meio, o tempo, lugar
não às máscaras brancas, sim
diz
doutor e filósofo
Martinica, Fanon, sem ruim
12 O "griô,”,tão importante
na estrutura social
também
na África, tem
com
função primordial
repentista
é no Brasil
um
poeta genial
13
o poeta Craveirinha
Moçambique,
social e muito mais:
oralitura/ oratura.
jeito
de contar coisas, tais
à
maneira das profecias
sentir
pássaro, poesia, faz
14
Poema resistência
Poema
Agostinho Neto,
foi
presidente de Angola
Revolução
e afeto
Poesia arma poderosa
poesia,
a todos um teto
15
O angolano AGUALUSA
Romance,
conto, te digo
É
pra se ler com prazer
Aconselho
como amigo
No
conto Velho Caxombo
Você
encontra bom abrigo
16
há influência de brasileiros
Rosa,
Graciliano e Amado
Em
autores d’ África lusófona.
Muito
tenho encontrado
Não!
ao silenciamento
Ninguém
fique aí... parado
17
moçambicano Mia Couto
É
prosa que vale lembrar
Eita,
escritor tão bom
Com
ele vou trabalhar
grandes
contos e romances
social
de arrepiar
18
Já ONDJAKI, de Luanda
Fez
teatro, pintura, cinema;
Traz
assim suas memórias
em carinhosa urupemba
num
mundo que já é passado
sonho
saboroso nos lembra
19
Alda Espírito Santo
Poesia
santomense, em Portugal
Com
líderes nacionalistas
Em
São Tomé, fundamental
fez hino de lá, eu sei
“Independência Total”
20
Cabo Verde, Manuel Lopes
Ficção
sobre o seu povo
conflitos
socioculturais
nas
ilhas vibrando de novo
Ovídio
Martins, de lá, diz
Estes
versos que absorvo
21
Tem Pauline Chiziane
Moçambicana
romancista
“Niketche”
e “Canto da Perdiz”
Fascínio
feminista
Na
luta por liberdade
Incrível
veia da artista
22
Pra encerrar este cordel:
desejar
loucamente o sol
ansiar bom que não há
Detém-te
lágrima, no lençol
razão
crioula, nossa luta
palavras
feitas raízes, farol!
*

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