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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

CORDEL LITERATURA AFRICANA LUSÓFONA Autor: Prof. Dr. Moisés Monteiro de Melo Neto

CORDEL LITERATURA AFRICANA LUSÓFONA

Autor: Prof. Moisés Monteiro de Melo Neto*

 

 


Este cordel faz um recorte na questão da literatura africana lusófona; história e literatura vão entrelaçando o homo fictus com o seu meio, seu tempo, seu lugar e este conjunto de obras literárias, vão traduzindo o fundamental tom de africanidade, sem ter que usar máscaras brancas, para lembrarmos Franz Fanon. África torna eixo para uma mensagem ao resto do planeta. Nesta literatura, o centro do universo deixa de ser o homem europeu e passa a ser o homem africano; registramos também uma produção literária com escrita diferencial:  obras de Paulina Chiziane, Agualusa, Mia Couto, Agostinho Neto, Luandino Vieira e outros são trazidas nos versos neste livrinho do recifense Moisés Monteiro de Melo Neto.


1 Literatura africana

é "Negritude", bom é assim

 vamos fazer um recorte

língua portuguesa, enfim

século XV, o “encontro

coisa boa  e ruim

 

2 escritores de viagens

 imperialismo  por ali

no povo de Angola

Guiné-Bissau, Cabo Verde, aí

Moçambique, e tem mais

 São Tomé e Príncipe,  li

 

3 lusofonia africana

 cotidiano escolar

 leituras dessas matrizes

importante se falar

Em 2003 foi lei

Vale mesmo praticar

 

4. afro- cultura tão vasta

Que sabemos todos nós

Movimento Negro é conquista

 conteúdo, nossa voz

  ressalto contribuições

povo negro raiz e foz

 

5  a sociedade civil,

vital na educação

unindo dois continentes

política e reparação

democracia racial

educadores da nação

 

6 fora  racistas, também!

currículos escolares

diversidade cultural

naveguemos outros mares

educação igual e diversa

para todos os nossos pares

 

7 ó políticas públicas

Pedagogia legal, sim

 implementação das Leis

Guiné- Bissau, enfim

Autores bons pra cá

Tudo grita fundo em mim

 

8 Amilcar Cabral “Rosa Negra”:

“Chamam-te Rosa, preta formosa,
negrura, dentes sorrindo.

lasciva e  sorridente, Rosa

balança, caminhas dançando,

esperança, poesia e prosa                       

 

9  sorte na vida que vives,

nesta vida que temos...

amanhã...filhos, preta formosa

varizes... dores, vemos

 logo já não serás Rosa,

serás vida e sofrente, cremos

 

10 serás uma negra

e eu temo a tua sorte.

vida vives , com teus filhos

preta, amanhã, teu porte?

Jornada que continua

Lutemos, agora, forte!

 

11 história e literatura

Ficção nasce, assim

 o meio, o tempo, lugar

 não às máscaras brancas, sim

diz doutor e filósofo

 Martinica, Fanon, sem ruim

 

12  O "griô,”,tão importante

 na estrutura social

também na África, tem

com função primordial

repentista é no Brasil

um poeta genial

 

13 o poeta Craveirinha

Moçambique, social e muito mais: 
oralitura/ oratura.

jeito de contar coisas, tais

à maneira das profecias

sentir pássaro, poesia, faz

 

14 Poema resistência

Poema Agostinho Neto,

foi presidente de Angola

Revolução e afeto

 Poesia arma poderosa

poesia, a todos um teto

 

15 O angolano AGUALUSA

Romance, conto, te digo

É pra se ler com prazer

Aconselho como amigo

No conto Velho Caxombo

Você encontra bom abrigo

 

16 há influência de brasileiros

Rosa, Graciliano e Amado

Em autores d’  África lusófona.

Muito tenho encontrado

Não! ao  silenciamento

Ninguém fique aí... parado

 

17 moçambicano Mia Couto

É prosa que vale lembrar

Eita, escritor tão bom

Com ele vou trabalhar

grandes contos e romances

social de arrepiar

 

18 Já ONDJAKI, de  Luanda

Fez teatro, pintura, cinema;

Traz assim suas memórias

 em carinhosa urupemba

num mundo que já é passado

sonho saboroso nos lembra

 

19 Alda Espírito Santo

Poesia santomense, em Portugal

Com líderes nacionalistas 

Em São Tomé, fundamental

 fez hino de lá, eu sei

 “Independência Total”

 

20 Cabo Verde,  Manuel Lopes

Ficção sobre o seu povo

conflitos socioculturais

nas ilhas vibrando de novo

Ovídio Martins, de lá, diz

Estes versos que absorvo

 

21 Tem Pauline Chiziane

Moçambicana romancista

“Niketche” e “Canto da Perdiz”

Fascínio feminista

Na luta por liberdade

Incrível veia da artista

 

22 Pra encerrar este cordel:

desejar loucamente o sol

 ansiar bom que não há

Detém-te lágrima, no lençol

razão crioula, nossa luta

palavras feitas raízes, farol!

 

 

                   

Moisés Monteiro de Melo Neto, publicou vários livros, artigos e tem várias das suas dezenas de peças teatrais encenadas profissionalmente. Possui graduação em Letras, Mestrado (2004) e Doutorado (2011) em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Atualmente é professor do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, da UNEAL, professor no ensino superior da Universidade de Pernambuco, professor do Mestrado ProfLetras (UPE Garanhuns) e professor da Universidade Estadual de Alagoas. Coordena Grupos de Extensão, Pesquisa e Ensino (TUG e TUPI Upe/Uneal), faz parte do GEPAD (Grupo de Estudos e Pesquisa em Análise de Discurso Pêcheutiana, da Universidade de Pernambuco Campus Garanhuns) e NEAB (Núcleo de Estudos sobre África e Brasil da Universidade de Pernambuco). Vencedor de Prêmios por alguns textos publicados e encenados.

 

 

 

 

 


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