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terça-feira, 10 de junho de 2025

CORDEL GERALD THOMAS de Moisés Monteiro de Melo Neto

 


CORDEL GERALD THOMAS

 

de Moisés Monteiro de Melo Neto

Meu querido, Moisés Monteiro, eu fiquei muito, muito emocionado. Eu adorei, não tem como não adorar o seu cordel sobre mim. E é quase que cirurgicamente preciso, né? Nos dados, quer dizer, é poético, é preciso, é criativo. É tudo, é tudo, está tudo ali. Muito lindo, muito, muito lindo, muito lindo, muito lindo. Eu vou pedir permissão pra você, se é possível, se você me permite, publicar pelo menos parte daquilo no meu blog, se você permitir, talvez tudo; por mim eu publico o cordel completo. Publicaria tudo com a capa maravilhosa que a Nathaly Barros fez. E, se possível, se você me permitir, eu publico dados biográficos teus e aonde adquirir é como adquirir esse cordel. Você tem outros, hã? Vamos ter mais literatura de cordel? Eu adoraria, inclusive, comprar, se possível, tá queridão? Com estima. Obrigado, cara. É lindo, lindo, lindo. Parabéns. Tô super honrado com isso. Maravilhoso. Jamais podia esperar receber uma coisa, homenagem desta,  mesmo. Posso publicar no Instagram, né? Tá bom, muitíssimo obrigado, querido. Eu marco você de qualquer forma, publico, teu nome, o teu perfil, essas coisas, tá bom? Obrigadão, tchau, tchau. (Gerald Thomas)

 

 

 

1.Por interesse pessoal

ou por exigir o ofício

 escrevo esse cordel pra ele,

mestre do teatro artifício

 o que para mim é prazer

Também não é sacrifício.

 

2. Ali nos anos 80

 Vi teatro do diretor

que também é dramaturgo

 isso eu digo ao leitor.

Ele não era de um grupo,

 era só tal criador

 

3. De individualismo, entende

estética bem apurada.

Produto estético em cena,

com uma precisão danada.

Gerald traz um novo gás

Atitude preservada

 

4.Antunes Filho, abriu caminho

 A cena a avançar.

 abril de 85.

 Electra concreta é ar.

Homem não era brinquedo.

Oito sete é pra ficar

 

5. Sem histórico psicológico

Truques da luz desnudava

 de luz  tão entrecortada

 que assim me abismava

 movimentos como náusea.

Incidências iluminava

 

6 Misturando o som e luz

Tudo espetacular

Minha pai, meu mãe, nem sei

Formas fora do lugar

Cenas se embaralham

Neuras, tudo a borbulhar.

 

7 Panos de boca transparentes.

Sobrepostos, nada encobrir.

No fundo, figuras escuras

Encurvadas sem luzir

Ópera seca se. anunciava

 As cenas como um carpir

 

8. Meus sentidos explodiam ação

luz em cena com tudo, é

 mais o texto e a música

 negócio meio punk, até

teatro extasiante

 eu no Rio. Ônibus, táxi a pé?

 

9 Nordestino sem destino?

Deus ex machina estava

da cena tão recifense

 que então estagnava?

O ano de 87

 Pernambuco atrasava

 

 10. Gerald Thomas acusava

teatro local mentirinha

 Tanta dramaticidade extra

Suas teias de filó retinha.

Eu via e compreendia

 sentia a cena como minha

 

11. Seu conceito de teatro?

 Pode, Aristóteles lembrar?

 Traz luz, suas imagens

cena, em mim, explorar

conceito imagens em cena

 mudez movimento fragmentar

 

12 polifonia insensatez

 não fala com espectador

 ele que o sinta de outro modo

 E aguente do chão o clamor

Wagner, Dante, Joyce, Proust e até

Tal estranho, que furor

 

13, Vai um Shakespeare também

Chupa, chupa, super descarado

 

 

 

De modo algum eu direi

Em Cena o mundo sagrado

cadeias de leit motif

desconstrução, desesperado

 

 14 texto dramático não

Qual o núcleo da peça

texto cênico bem regido

 Registro de Fronteiras, nessa

mistura de artes

Visual, Daniela Thomas, à beça

 

15  Palco italiano mudava,

Londres, New York, Brasil

 Unglauber, 94, fecha o ciclo

Que o cordel o devore, viu?

 artista tão radical no teatro

alguém  já o sentiu?

 

16 Nos anos 70, Gerald

 ilustra o New York Times, é

vendeu muitos posters também

 Vanity fair, Harper ilustrou até

em 23 jogou certo acervo seu

no lixo, cansa guardar, né?

 

17  Nasceu em New York

Do 7 aos 14, no Rio

 aos l 8 vem cocaína

com Oiticica bem no cio

 ou tudo isso é mentira?

ao cordel digo fiu fiu

 

18 Com Beckett em 85

 Carmen com filtro, 86

 85 Electra concreta

 87 Navio fantasma, eis

Fino trato pra vocês

 87 Trilogia Kafka pra vocês

 

19 Em 90 Flash and crash days

 Gala e Traidor espetáculos

peças dele com o mesmo fim

em 23, tais cenáculos

carioca dos EUA? É assim

com filha de Ziraldo show cálculos

 

20  Viu Zé Celso em 69

Balcão de Victor Garcia

Mamberti o ajudou

a entrar no que queria

aos 18, Londres, nos 70

O que o Ge3ral fazia?

 

21  Intelectual com prazer

O sonho de uma noite, 80

New York, London, Brasil

notícias de Grotowski, tenta

postura mais que palavras

ato e som: Colônia, 70

 

22 Antiteatro? Nunca, talvez

subverte a cena burguesa

76 na Anistia Internacional

Brasil de chumbo, incerteza

com Helen Stewart, o La Mama

Off Broadway, com certeza

 

23 Sim, presenciou, atenção

o Living Theater e  mais

dirigiu no La  mama, demais

conversava com Beckett

obra desse irlandês, tais

pra falhar de novo e melhor.

 

24 Condenado, o homem, vejam

 busca o som., o pensamento

Ato psicológico, talvez?

 pausas exasperantes, tratamento

 Espaço temporais em Carmen

Carmen, com filtro, distanciamento

 

25 Trabalhando com Fagundes,

hermético, estético.no cartaz

Confuso e verborrágico

Recebeu  más críticas, demais?

Encantamento plástico formal

Extrema lentidão ao andar, assaz

 

26 Suas peças, interrompem-se

As falas rompem , bruscamente

 aos gritos como vômitos saem

cenas expressionistas, gesto demente

pede irônico escutar

 estímulo estético se sente

 

27 Usa abstrata música

estímulos estéticos se toca

teatro total, bem assim

eis aí o que a música provoca

cenas de artes plásticas

induzem... o  cosmopolita choca

 

28. No Brasil, ciranda constante

Tessitura da memória segue

Mais estilo do que técnica

 bruma, elegância, sutileza, negue!

 Mais estilo do que técnica.

Cia da Ópera Seca, pegue!

 

29 Ator fixo e  continuidade

Ácida, crítica, que beleza...

Mineira Beth Coelho Estrela.

óperas, musicais :  firmeza

 tal  Pina Bausch., Denise Stoclos

até fundamento orgânico, certeza

 

30 Em GT, não é excessivo o expressionismo

Há espaços inusuais

figurinos de aspecto envelhecido.

E algo mais objetos soltos e mais

Figuras retorcidas, difícil locomoção

no palco, quase nu quais? fatais, fractais

 

31. Lugares contextualizados

como na Grécia mítica

 fêmeas assassinas ...Terra de ninguém

crimes, o diretor, situação crítica

tal poema, verbivocovisual

 poesia concreta esquinas crítica

 

32. Hermetismo falso ou o quê?

A reinventar teatrão de vanguarda?

Xingavam GT, os neófitos em fúria

 Ele em navio fantasma, Aramada

escandalizaria a todos?

Rio, Janeiro 1987? Nada

 

33. No  Municipal: vaia de 5 minutos.

Diante da eminência parda

Fritz Lang, Pina Bausch, cantor(a)

 encantou, crítico? Não tarda

 não poderiam defini-lo

pântano de vícios,  ele aguarda

 

34. Não! Teve tempo? Qui-lo?

Leitura surpreendente

 da ópera de Wagner:

sem nem navio...nem Porto presente

Errância. Como vagão de carga

Espaços, Mendigo demente

 

35. Vazios, ânsia. Um novo

muro de Berlim? Drama da danação

A intolerância, tal Guerra fria

 prossegue Bob Wilson, paixão

que impacto causou

Teatro de visões, foto de Kafka? Não

 

36. Com O Processo, Metamorfose, fusões

Leitura semiótica do diretor

Com A Tempestade sensações...

 Parece ilha do naufrágio, vinga a dor?

Joseph K: é Próspero? Ãh?

Enquanto Grego Sansa? Ator...

 

37. Submisso. A família malsã

 leituras da situação

Tcheco judeu, em cenário alto

Biblioteca gigante vão

7m, Gerald  exagera na estrutura?

Daniela dá o cenário da ação

 

38. Discurso à parede de livros

pensamento ocidental da razão

obsoleto arquivo,  parece

concreto, imenso esqueleto, não

Rádio antigo, cubos com fotos

em vez de livros, cubos sobre chão

 

39.   Assim foi figurino, também

 Dani clima de cinema?

 Sombrio, sim,  em Praga

Nada de Brasil Ipanema

Que visão tão arretada

cabarés alemães, anos 30 sistema

 

40. Desafio do ser inseto

Mais música/  múmia cortou

 Gerald  a frase inicial do livro

Gregor Samsa acordou

certa manhã de sonhos intranquilos

 em sua cama se metamorfoseou

 

41. Ó inseto monstruoso

Gerald também trouxe Joseph k

Do livro O processo, assim

Preso na teia da justiça, lá

num dormir e acordar infindo

atrás da teia de filó, já

 

42. Acusações/ culpas. Vácuo

 Impenetrável silêncio e pó

Um Chaplin. Luz a esquadrilhar

Estado de sítio cênico só

Os próprios fantasmas

K, seus investigadores, sem dó

 

43. Juízes, culpa inevitável

não é catarse, o que fez???

 indefinido, mal, no palco

lugar mutante vórtice, talvez...

 Imagens intermitentes, moral.

filme mudo, escudo, altivez...

 

44. Marca, tempo a passar

mudança de cenário, ação

entrelaçar estilhaçar luz

 do alto e dos lados, solidão

 sem traço naturalista, Kafka,

sob refletor de milha, desrazão. A

 

45. Nula qualquer defesa

 Rígidas faces glaciais, oh!

gestos repetitivos, mãos

pelo cabelo em riste, nó

final com carcereiros

pavor, triste, dó

 

46. Submissão final, mordaça

morte do Sr. K?  emoção.?  Não

isso não é comum ao diretor

primeira vez, empatia com plateia, ação

ele limpa tal melodrama

sem abrir brechas,  escapa sem chão

 

47. O julgamento de Samsa e de K

(in) consciência na invasão shakespeariana?

Síntese do fim da ciência

culpabilidade atroz, demência insana.

Mediocridade exposta

Roupa do juiz que se dana

 

48. De funcionário exemplar ao pó

Isso cheira a Beckett, numa ponte

 Analógica inteireza do outro

O íntimo : ameaçador horizonte

 Blackout :2 segundos característicos

 Alçapão: domínio muscular, fonte

 

49. O pai de Sansa na cadeira

Mãe fuma, ri K, nos livros, some

Thomas entra em cena

 Entre Gregor e o pai, fome

 Desajeitado ser cênico

 nesse teatro vago, que consome

 

50. Gerald dirigiu dezenas de peças

O inusitado é denominador comum.

Espectador às cegas: corpo-palavra

O Cordel vai acabar, fim nenhum

absurdo! Nem vale acreditar.

Até logo, foi incomum!

 

NEW CRITICISM

 

Quixote, um dos mais importante personagens do Cânone Ocidental



A NOVA CRÍTICA

 

INTRODUÇÃO

A crítica literária, ao longo do tempo, passou por diversas fases e reformulações. Uma dessas mudanças importantes foi a chegada da chamada “Nova Crítica”, que, mesmo tendo origem no exterior, encontrou no Brasil um campo fértil para debates e adaptações. Essa abordagem, diferente da crítica impressionista e subjetiva, propôs um olhar mais técnico e atento à estrutura do texto, valorizando o que está dentro da obra: seus símbolos, imagens, ritmo, linguagem e construção, deixando em segundo plano o contexto social ou a biografia do autor. No cenário brasileiro, nomes como Afrânio Coutinho e José Guilherme Merquior foram fundamentais para apresentar e discutir essa nova maneira de ler literatura.

Afrânio Coutinho, por exemplo, foi um dos grandes defensores da Nova Crítica no Brasil, especialmente a partir da década de 1950. Em seus textos, ele argumentava que a crítica literária brasileira precisava se afastar da leitura puramente histórica ou sociológica para valorizar o texto como obra de arte. Já Merquior, mesmo sendo mais crítico à metodologia de Coutinho em certos aspectos, também contribuiu para o debate sobre o papel da forma na literatura. Esses e outros estudiosos ajudaram a construir um novo caminho para a análise literária, com mais rigor e atenção aos elementos internos da obra.

No entanto, a Nova Crítica não foi unanimidade. Outros críticos importantes, como Antônio Cândido e Alfredo Bosi, levantaram questionamentos sobre a validade de uma leitura que exclui o contexto histórico e social da obra. Para eles, entender o mundo ao redor do texto era tão importante quanto analisar seus aspectos formais. Esse embate entre diferentes formas de fazer crítica foi, e ainda é, fundamental para o amadurecimento dos estudos literários no Brasil.

Este artigo tem como objetivo apresentar os principais conceitos da Nova Crítica a partir da perspectiva de críticos brasileiros, analisando tanto os que a defenderam quanto os que a questionaram. A proposta é fazer uma leitura acessível, sem deixar de lado a profundidade necessária, mostrando como essa corrente teórica influenciou e ainda influencia a forma como se lê e se estuda literatura no Brasil.

 

A NOVA CRÍTICA SEGUNDO AFRÂNIO COUTINHO

A introdução da Nova Crítica no Brasil teve como um de seus principais articuladores o crítico e ensaísta Afrânio Coutinho. Responsável por divulgar e adaptar essa corrente crítica anglo-americana ao contexto brasileiro, Coutinho desempenhou um papel central na transformação do modo como a literatura passou a ser analisada academicamente no país. Com sua formação sólida e sua produção ensaística intensa, ele se posicionou contra o amadorismo e a leitura impressionista, que predominavam nas décadas anteriores, propondo uma nova postura crítica mais disciplinada, técnica e sistemática.

Em obras como Da crítica e da nova crítica (1971), Coutinho propõe uma leitura centrada na estrutura interna do texto literário, na análise dos elementos formais como linguagem, ritmo, imagens, metáforas e construção narrativa. Para ele, o crítico literário deveria deixar de lado o foco excessivo na biografia do autor, nos contextos sociológicos ou na moral da obra, e passar a tratar o texto como um organismo autônomo, com unidade e coerência interna. “A crítica deve nascer do texto, não da vida do autor ou das intenções externas”, afirma o autor (COUTINHO, 1971, p. 35). Essa postura refletia um desejo de profissionalizar os estudos literários no Brasil, equiparando-os aos padrões acadêmicos internacionais.

Afrânio Coutinho via com desconfiança o modo como a crítica brasileira até então se organizava. Para ele, predominava o subjetivismo, a valorização de juízos pessoais e o amadorismo travestido de erudição. Nesse cenário, ele acreditava que a Nova Crítica poderia ser o caminho para instaurar uma prática crítica mais científica, comprometida com critérios objetivos e com o rigor da análise textual. “É necessário que o crítico abandone o palpite e se aproxime do texto como um técnico da linguagem”, dizia (COUTINHO, 1971, p. 42). Essa perspectiva causou certo incômodo em parte da crítica tradicional, que via nessa proposta uma tentativa de esvaziar os sentidos sociais e históricos da literatura. Ainda assim, seu impacto foi profundo, especialmente nas universidades.

Não se pode negar que o projeto de Afrânio Coutinho representava também um movimento de modernização da crítica. Ao importar uma teoria estrangeira ele visava inserir o Brasil em um circuito mais amplo de debates acadêmicos. No entanto, Coutinho não se limitou a reproduzir o que vinha de fora: ele reinterpretou a Nova Crítica à luz da realidade brasileira, buscando adaptá-la às necessidades do nosso campo literário. Essa postura permitiu que a Nova Crítica ganhasse espaço em programas universitários e nas práticas de leitura literária, sobretudo entre os anos 1950 e 1970.

Além disso, Afrânio Coutinho teve papel decisivo na organização institucional do campo dos estudos literários. Fundou revistas acadêmicas, escreveu manuais de crítica, integrou comissões do MEC e influenciou diretamente a estruturação dos cursos de Letras. Com isso, sua visão de crítica literária mais técnica, objetiva e voltada ao texto, passou a ser ensinada em sala de aula como modelo de leitura e análise. Mesmo seus opositores reconhecem que sua atuação foi essencial para consolidar a crítica literária como uma prática intelectual séria e sistematizada no Brasil. Como afirma Alfredo Bosi, mesmo divergindo da proposta formalista, “não se pode negar o papel organizador e provocador que Coutinho exerceu” (BOSI, 2006, p. 62).

Contudo, é importante destacar que, apesar de seu entusiasmo com a Nova Crítica, Afrânio Coutinho também demonstrou, em seus escritos posteriores, certa abertura para outras abordagens. Reconheceu que a crítica não poderia ignorar completamente o contexto, nem reduzir a literatura à pura estrutura formal. Essa maturidade teórica demonstra que mesmo os mais ferrenhos defensores de uma corrente crítica são capazes de rever posições diante da complexidade da arte literária. Assim, sua trajetória ilustra bem o movimento de tensão e diálogo que marca o campo da crítica: entre o texto e o contexto, entre a forma e o conteúdo, entre a técnica e a sensibilidade.

 

ANTÔNIO CÂNDIDO E ALFREDO BOSI: CONTRAPONTOS À NOVA CRÍTICA

Apesar da força que a Nova Crítica ganhou no Brasil, ela não foi aceita sem questionamentos. Críticos como Antônio Cândido e Alfredo Bosi, com trajetórias sólidas e respeitadas na crítica literária nacional, levantaram dúvidas importantes sobre os limites de uma abordagem que exclui o contexto social e histórico da obra literária. Para esses estudiosos, uma análise puramente formal corre o risco de empobrecer a interpretação, deixando de lado elementos que são essenciais para a compreensão mais profunda da literatura.

Antônio Cândido, em diversos momentos de sua produção crítica, defendeu que a literatura deve ser entendida como parte da vida social. Para ele, a obra não pode ser vista como um organismo isolado, porque é atravessada por valores, conflitos e experiências históricas. Em seu livro Literatura e sociedade, o autor afirma: “a obra literária é uma forma de conhecimento, mas também uma forma de inserção na realidade histórica” (CÂNDIDO, 2000, p. 15). Essa visão vai diretamente contra os princípios da Nova Crítica, que, como vimos, prioriza a análise técnica do texto, sem considerar o ambiente em que ele foi produzido.

Já Alfredo Bosi, em sua clássica História concisa da literatura brasileira, também critica a limitação das abordagens formalistas. Para ele, compreender um texto exige olhar para além da linguagem e observar o lugar que ele ocupa dentro de um processo social e histórico. Em suas palavras: “a análise imanente do texto pode ser útil, mas é insuficiente quando desconsidera a dinâmica entre forma e conteúdo, entre expressão estética e valores históricos” (BOSI, 2006, p. 63). Bosi não rejeita totalmente os métodos da Nova Crítica, mas ressalta a necessidade de uma leitura mais ampla, que una forma e contexto.

Ambos os críticos, Cândido e Bosi, não ignoram o valor da atenção ao texto, mas defendem que ela deve estar aliada a uma reflexão mais complexa, que leve em conta o lugar da literatura na cultura. Eles representam, de certa forma, uma crítica construtiva à Nova Crítica, apontando caminhos para um equilíbrio entre a análise técnica e a sensibilidade ao mundo. Isso não anula a contribuição da Nova Crítica, mas revela que, sozinha, ela não é suficiente para dar conta da riqueza da literatura.

Esses contrapontos mostram que o debate sobre como ler uma obra literária está longe de ser simples. A crítica literária, como campo de estudo, é feita de disputas teóricas, avanços e revisões. O que se percebe, no entanto, é que o diálogo entre essas abordagens é o que mais enriquece a formação do leitor e do crítico. Ao contrastar a Nova Crítica com as visões de Cândido e Bosi, o que se constrói é justamente uma crítica mais madura, capaz de reconhecer a importância do texto sem se esquecer da realidade que o cerca.

 

CRÍTICA TÉCNICA OU CRÍTICA VIVA?

A discussão entre crítica técnica e crítica viva tem sido uma das mais recorrentes e frutíferas no campo dos estudos literários. Essa polarização ganhou força no Brasil principalmente a partir da entrada da Nova Crítica, que valorizava a análise objetiva, formalista, e voltada para os elementos internos do texto. Ao mesmo tempo, críticos brasileiros, atentos às especificidades culturais, sociais e históricas do país, passaram a questionar se era realmente possível ou desejável separar completamente o texto do mundo em que ele é produzido. Assim, formou-se uma tensão teórica que até hoje movimenta os debates acadêmicos e redefine o papel da crítica.

A proposta da Nova Crítica é clara: o texto literário deve ser tratado como uma unidade autônoma, um “organismo verbal” que pode ser analisado por seus próprios méritos, sem o apoio de informações externas. Afrânio Coutinho, em suas obras, defende que “a crítica não deve reduzir-se a sociologia nem a psicologia do autor; deve nascer do próprio texto, de sua estrutura interna, de sua linguagem” (COUTINHO, 1971, p. 52). Para ele, a literatura é uma arte que exige rigor técnico na leitura, e não apenas impressões pessoais ou julgamentos morais. Essa abordagem foi essencial para profissionalizar o campo da crítica no Brasil, oferecendo instrumentos metodológicos mais consistentes e objetivos.

Contudo, ao mesmo tempo em que valorizava a técnica, essa forma de crítica acabou sendo acusada de afastar-se da realidade concreta da literatura brasileira. Em um país marcado por desigualdades sociais, por um histórico de censura e por diversas formas de exclusão, muitos estudiosos passaram a considerar que uma leitura puramente formal não dava conta da complexidade das obras produzidas aqui. Alfredo Bosi, em sua História concisa da literatura brasileira, argumenta que “uma crítica desprovida de historicidade corre o risco de ignorar as forças que movem a criação literária e os sentidos que ela carrega em sua relação com o mundo” (BOSI, 2006, p. 74). Para ele, o texto é inseparável de sua circunstância.

Esse ponto de vista também é reforçado por Antônio Cândido, para quem a literatura é uma forma de expressão simbólica das tensões sociais, das experiências humanas e das contradições históricas. Em seu livro Literatura e sociedade, ele afirma que “a obra literária é, ao mesmo tempo, criação individual e testemunho social” (CÂNDIDO, 2000, p. 22). Essa concepção amplia o papel da crítica, que passa a ser não só uma leitura técnica do texto, mas também uma interpretação de mundo. A crítica, nesse modelo, se torna um instrumento de compreensão da realidade, e não apenas da estrutura estética da linguagem.

Apesar das divergências, há também tentativas de conciliação entre as abordagens. Muitos estudiosos contemporâneos reconhecem que não é preciso escolher entre uma crítica técnica ou uma crítica viva, mas sim encontrar formas de integrar as duas. O próprio Afrânio Coutinho, em reflexões mais maduras, passou a admitir que o crítico pode utilizar elementos do contexto histórico desde que não perca de vista o texto como centro da análise. Essa abertura dialoga com uma tendência atual nos estudos literários: a crítica integradora, que entende a literatura como linguagem e história, como forma e conteúdo, como arte e documento.

Nesse sentido, o debate sobre crítica técnica versus crítica viva deixa de ser uma disputa e passa a ser um convite à reflexão mais completa. A literatura brasileira, rica em temas sociais, políticos, regionais e existenciais, desafia qualquer abordagem única. A Nova Crítica trouxe ferramentas importantes para a leitura técnica dos textos, mas os críticos brasileiros mostraram que uma obra não pode ser totalmente compreendida sem considerar a cultura que a envolve. Esse equilíbrio é o que torna a crítica literária um campo de estudo vivo, plural e fundamental para a formação de leitores conscientes e sensíveis à arte e à vida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo deste artigo, procuramos compreender o impacto da Nova Crítica no cenário da crítica literária brasileira, suas contribuições metodológicas e os tensionamentos que ela provocou frente a outras correntes interpretativas. Com base principalmente nas ideias de Afrânio Coutinho, vimos que a Nova Crítica representou um momento de ruptura e renovação, ao propor uma leitura mais técnica e rigorosa dos textos literários, centrada na análise de seus aspectos formais. Em um ambiente acadêmico que muitas vezes se guiava por impressões subjetivas ou análises exclusivamente histórico-sociológicas, essa abordagem surgiu como uma tentativa de profissionalizar o fazer crítico.

É inegável que a proposta de Coutinho trouxe avanços significativos. Ao defender uma crítica centrada no texto e na linguagem, ele colaborou para o amadurecimento teórico da crítica literária no Brasil, abrindo espaço para que os estudos literários fossem reconhecidos como um campo de conhecimento com métodos próprios. Suas ideias foram fundamentais para que os cursos de Letras passassem a dar mais atenção ao texto como construção estética, e não apenas como reflexo da realidade. No entanto, como mostramos, essa mesma proposta encontrou resistências importantes, especialmente por parte de críticos como Antônio Cândido e Alfredo Bosi, que enfatizaram a dimensão social e histórica da literatura.

Para esses críticos, a análise da forma não basta. A literatura, em suas visões, é expressão de conflitos humanos, espelho da cultura e do tempo em que é produzida. Assim, uma crítica que se pretende completa precisa articular o conteúdo simbólico do texto à sua materialidade estética. Nesse sentido, a contraposição entre crítica técnica e crítica viva revela não apenas diferenças metodológicas, mas também concepções distintas sobre o que é literatura e qual o papel da crítica. Mais do que escolher entre uma ou outra abordagem, o desafio contemporâneo é pensar a crítica como um campo de diálogo, em que múltiplas leituras possam coexistir e se complementar.

Ao final desta reflexão, o que se constata é que a Nova Crítica, mesmo com suas limitações, deixou marcas importantes no modo como pensamos e estudamos literatura no Brasil. Ela trouxe ferramentas que continuam sendo úteis, sobretudo na leitura atenta dos elementos internos do texto. Ao mesmo tempo, os críticos brasileiros que dialogaram ou reagiram contra essa corrente enriqueceram o campo teórico ao propor uma crítica mais conectada com as realidades brasileiras. A partir disso, fica evidente que a força da crítica literária está justamente em sua capacidade de se renovar, de problematizar suas próprias práticas e de buscar, continuamente, formas mais sensíveis e conscientes de ler o mundo por meio da arte.

 

REFERÊNCIAS

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

CÂNDIDO, Antônio. Literatura e sociedade. 11. ed. São Paulo: Nacional, 2000.

COUTINHO, Afrânio. Da crítica e da nova crítica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1971

CORDEL MADONNA Autores: Moises Monteiro de Melo Neto e Ricardo Soares

 

CORDEL MADONNA


 


Autores: Moises Monteiro de Melo Neto

Ricardo Soares

Capa: Camila Cahu

Garanhuns, 2024

 

 

 

1 Madonna Louise Veronica

Essa artista americana

Cantora estadunidense

Eita, mulher tão bacana!

Ciccone é seu sobrenome

É também cheia da grana

 

2 Nasceu em 58

Bay City, esse foi o lugar

Fica no estado de Michigan

Isso posso assegurar

Também é compositora

Já deu muito o que falar

 

3 Rainha da reinvenção

 Versátil em estatística

produção musical? Sim

fé sex sociopolítica

no comando da carreira

da propaganda à crítica

 

4 Aclamação ou controvérsia

 Atingiu bem muita gente

Uma figura cultural

Ela é proeminente

 Século 20 e 21

Ela ainda é diferente

 

5 Documentada ela é

Notícia só da de mil

Desde o Oriente

Passando pelo Brasil

uma ampla gama de resenhas

estrondosa e sutil

 

6 Estudos sobre essa estrela

Desde seu primeiro disco

Foram filmes, shows, livros

A mais famosa, arrisco

Parecia uma virgem

Ou um gostoso petisco

 

7 Começou em Nova York

Sua fama se estendeu

No meio de tanta gente

Ela logo apareceu

Queria ser dançarina

Baterista, sucedeu

 

8 Banda Breakfast Club

Muito pouco para ela

Lourinha ambiciosa

Do inferno à capela

Subiu feito foguete

A danadinha era bela

 

9 Descende de italianos

Disso se aproveitou

Nome de nossa senhora

Madonna associou

Foi estrela de cinema

Em Susan ela arrasou

 

10 Canções primeiro lugar

Na rádio e na TV

Na internet depois

Isso fácil se vê

Popularidade ela conheceu

Quem pesquisa, crê, lê

 

11 Casou com o ator Sean Penn

A briga então explodiu

Era pressão sobre os dois

Escândalo se difundiu

Se divorciou então

Um filho não existiu

 

12 Defendendo LGBT +

Ela foi popularizando

Cada mergulho um flash

Se empoderando

milhões de obras vendidas

ela, ali, estrelando

 

13 Oito quatro, que sucesso! 

Se vestiu de noivinha

Conseguiu tudo, em excesso

Ordinária bonitinha

Mudou o mundo, isso é certo

Não fez isso sozinha

 

14 "Material Girl" se exibia 

O mundo aplaudiu e dançou, 

Com seu jeito provocante, 

A fama só aumentou. 

Feminista ao seu modo 

Novos padrões ela criou.

 

15 No palco, um furacão, 

Dança, êxtase, energia, 

Coreografias ousadas 

Vendendo sua alegria. 

Shows grandiosos, True blue 

Verdadeira sinergia.

 

16 Chocar ela sabia

 "Like a Prayer" a impactar 

Misturando religião e arte 

Fez o mundo repensar. 

Críticas e aclamações 

Sua voz veio pra ficar

 

17 Tão polêmica, ah, sim!

Isso nunca a deteve 

Quebrar tabus com força, 

Mas liberdade não a reteve

Da sexualidade à política, 

Foi isso que a manteve?

 

18 "Vogue" alvi-negra 

celebra autoafirmação, 

Cobrando cada corpo

Vai cantando sua canção. 

No palco dessa vida, 

Transpirando inspiração.

 

19 "Ray of Light", irradiou 

Ousada sonoridade  

Eletrônica e espiritual  

Velho som de novidade  

Tantos prêmios e aplausos  

mutante identidade

 

20 Maternidade com Lola

Casou com Guy, Rocco nasceu

E adota filhos africanos  

Mercy, Stella, Estere, David seu  

Uma nova fase com fervor  

Mãe dedicada e forte, valeu!

 

21 Século 21, ela inovou,

Com "Music" na pista arrasou  

Mais hits, que sucesso!  

O mundo todo agitou

Mostrando nunca estagnar

Mais uma vez, triunfou

 

22 Sem medo de envelhecer?  

Desafia o tempo cruel  

Com coragem e ousadia,  

A beleza não é só um véu.  

O futuro da memória 

Não deixa o brilho ao léu

 

23 2012 ela se apresentou,  

No Super Bowl fez história  

Um show cheio de energia,  

Uma verdadeira vitória 

Mostrando ao mundo inteiro

Mais poder na trajetória!

 

24 Depois de “Evita” e “Dick Tracy  

Muitos filmes, ela estrelou

Emocionou tanta gente   

Cantando ou não, foi show

Deixando marca indelével

Fera na tela driblou

 

25 Muitas turnês pelo mundo,   

Enche estádios de emoção  

As fãs gritam seu nome alto   

Exercita sua paixão!   

Madonna transcende fronteiras  

Planejada lenda em ação!

 

26 Em 19 lança “Madame X”,   

Um álbum cheio de surpresas  

Mixa ritmos diversos— 

Afro-latina sigeleza?

Cada faixa uma nova história   

Refletindo tanta certeza

 

27 A luta por direitos humanos  

Ai, ai, ai, nunca se calou.   

Voz ativa nas redes    

Mudança sempre buscou  

Defensora da igualdade   

Fogo não se apagou

 

28 Entre polêmicas e aplausos  

A vida dela é intensa   

Desde as críticas severas   

Aos fãs tá sempre propensa

Que Madonna é força viva 

Ela é uma artista imensa!

 

29 Sempre a enfrentar desafios  

Nunca desistir de lutar  

Com garra e determinação   

Sempre pronta pra agitar!   

Rainha da reinvenção, lá vai 

No palco vai sempre brilhar

 

30 Com looks que vai lançando   

Estilo é revolucionário  

Do cabelo aos trajes, inova 

É sempre tanto cenário!   

Inspirando gerações   

Inédito relicário

 

31 Tantos Grammys já ganhou  

Um estrelato sem fim?  

Mulher forte, musical  

Letal diamante, assim!   

Influência global sem igual   

Seu nome ecoa em mim

 

32 Filantropa engajada    

Contra a pobreza e dor    

Projetos sociais no mundo    

Pela paz e pelo amor!    

Ela se importa com todos    

Os seus atos têm valor!

 

33 Em cada música, mensagem 

Sobre amor e liberdade    

Mostrando que ser quem você é    

É pura autenticidade!    

Na voz dela, muita força

E também felicidade...

 

34 Que jornada inspiradora   

Exemplo pra humanidade  

Com coragem ela caminha   

E transforma a realidade!    

Madonna Louise Ciccone    

Uma artista de verdade!

 

35 O tempo pode passa ligeiro   

Mas sua arte não envelhece   

Em cada geração, ela brilha    

Seu legado nunca esmorece!    

Rainha eternamente   

Seu espírito nunca arrefece!

 

36 Dos oitenta até agora    

Seu impacto não tem fim!    

Músicas que tocam fundo    

Letras fazem refletir  

Força da natureza   

Símbolo de amor em mim!

 

37 A polêmica está ali

Mas isso faz parte do jogo     

Ousadia é seu sobrenome  

Tá bem pertinho do fogo!     

Na indústria pop, ela reina     

E sempre será um afogo!

 

38 Seus fãs são apaixonados   

Fazendo fila para lhe ver    

Cada show celebração     

Um momento para viver!     

Ela une multidões     

Energia dá pra ver

 

39 E assim seguimos cantando    

Som em nossos corações     

Celebra a diversidade 

E todas as emoções!     

Madonna Louise Veronica   

Uma lenda entre gerações!

 

40 De Bay City ao mundo inteiro

Sua história está viva    

Cada álbum, nova era    

Cada show explode criativa!     

A senhora é mais que artista    

É uma força coletiva!

 

41 Quando o sol se puser na noite    

E as estrelas vêm a brilhar

Saberemos: ela está lá     

Nos inspirando a amar!     

Tu serás sempre será lembrada    

Como um ícone a nos guiar!

 

42 Entre luzes e sombras dançando     

Ela nos mostra o poder da voz     

Desafiando normas e regras     

Fazendo-se ouvir feroz!     

Com sua arte provocadora     

Nos dá força contra o algoz

 

43 ala sempre do amor próprio      

Ela nos ensina a lutar      

Aceitar quem somos de verdade      

E nunca deixar de sonhar!      

Através da música e dança      

Nos ensina a nos amar!

 

44 Mulher à frente do seu tempo     

Quebra cercas sem parar      

Luta por direitos iguais      

Sempre pronta pra lutar!      

Madonna firme na estrada      

Mostrando o que é amar!

 

45 Bora assim, nessa jornada     

Celebrar trajetória fiel 

Por tudo que já conquistou      

Por todo o seu papel!      

Madonna Louise Veronica      

Uma estrela no céu!

 

46 Com sua voz ecoando no ar      

E letras profundas no vão      

Nos fazendo refletir

Desde amor à revolução!      

Madonna que ainda inspira     

Ela é eterna canção!

 

47 Olharmos pra trás no tempo        

Vemos como tudo mudou        

Graças a artistas como ela        

Que coragem sempre mostrou        

A luta pela liberdade        

É algo que nunca cessou!

 

48 Vamos brindar à essa diva       

À mulher que não tem medo       

Que transforma dor em arte        

E do amor seu enredo        

Por tudo que já nos deu        

Legado vai longe desde cedo!

 

49 Venham novas gerações        

Aprender com sua história       

A força da música unida        

Criando novas memórias       

Tudo em nossos corações        

Que brilhante trajetória!

 

50 Cantemos juntos, agora       

Que artista sem igual       

Madonna Louise Veronica       

Luz do pop mundial!       

Seus estão por aí       

Ela é lenda, é imortal!

51 Ela é vegetariana 

Por direitos de animais

quer sustentabilidade

fui a alguns shows dela, tais

o grande em Copacabana

e outros lances atuais

 

52 Leonina, ela é ousada

mandar é com essa mulher

tudo com ela é muito claro

só segura quem puder

magnetismo sem igual

se adaptar ao que quiser

 

53 Essa estrela ainda é um ícone 

Transcende gerações, nessa idade

mantém letras profundas,  provocantes 

Explora temas de amor, poder e liberdade.

permanece à frente 

desafiando a normatividade 

 

54 quer filme sobre sua vida

Ela com roteiro e direção

uma verdadeira novela 

experiência provocante

pois é, segue adiante

 

55 Algo no seu jeito de amar

 Liberta meu eu prisioneiro

brincar com o meu coração

 todo limite fica passageiro

 vamos lá, liberte-me

tanta dor se estilhaça

fico forte e inteiro

 

 

56 Bons e  maus momentos

achada e perdida sobrevive

vitoriosa, incompleta

usada, virgem, livre

seu medo passa rápido

e eu, também a tive

 

57 Ela já teve outros caras
eles não têm meu amor
ainda gosto dos seus beijos
me leva, por favor
aonde você quiser
sempre sonhei com esse louvor

 

58 A vida é um mistério

precisamos ficar sós

chamar o seu nome

desatam-se muitos nós

como numa oração

sinto o seu poder

um anjo da canção

 

 

59 Vento do oeste no céu

 à noite, a me perguntar

se minhas lágrimas secarão

debaixo do sol, vou modificar

estou chegado em casa

desta vez, pra ficar

 

  60 Vou dançar com meu amor

a música vai começar

pessoas a se juntarem

no frege não vou parar

com burguês e com rebelde

num boogie-woogie me jogar

 

61 Que você pode aprender tanto

tempo não vou perder

vou seguir em frente

do medo me desfazer

mesmo na estrada,

 salto e vou vencer

 

 

62 Tenho que mudar meu nome?

Isso me levaria adiante?

tentei ser o melhor

poeta, nem se espante

vida moderna brasileira

Esse tipo de vida moderna - É de graça?

Nem solidário instante

 

63 Ela me dá companhia

tentei encontrar um amigo

Não é pra mim? é de graça?

vivo o Sonho latino, digo

sinto o supra-sumo

acadêmico artista, sigo

 

64 Ela significou, talvez

O que Elvis foi pra sua geração

Rompeu camisas de força

Deusa meio piranha? Não

Rosa no túmulo de Marilyn

Avalanche da fama, não em vão

 

65Transas, não duraram?

Melhor mesmo é qualidade

Sua ironia nada inútil

Maridos muita virilidade

Violentos, não a domaram

Falsa virgem vaidade

 

66 agora terceira idade

Sexo presente sagrado

Última ceia? Orgia

Funk, trapaça vinho e fado

Em Portugal foi intensa, também

De Queer, rap, Freud, tudo virado

 

67 Escreveu livros infantis, antes

Escondeu sua angústia, sim

Mesdames et monsieurs, fim?

No tableau vivant, ei-la!

Música, ópio do povo(?)

Música pirlimpimpim

 

68 Cantora por natureza

Intuitiva entonação

fama de viúva negra

com/sem sutiã, nada em vão

no início foi roqueira

teatro celebração

 

69 Foi Bad girl pra caretas

Tia, século 21

Vampira de boys? Talentosa

Sobrevivendo bem? Hum hum

Vivendo sonhos de muitos

Aceita sem grilo nenhum

 

70 Ela riu com o seu público

Provocou, confidenciou

Foi a melhor amiga, até

Boy Toy de tantos, show!

Fulana e Sicrana, ô yeah!

Ela a festa arrombou

 

71 Mesquitas e sinagogas

Opinião ousa expressar

God control defende os gays

Madame X seis clips lançar

 Inéditas em seis anos

Vai tal Diana a caçar

 

72 Na pandemia Covid

Longeva, jovens a exibir

Homem pode e mulher não?

Traz o trans a se ferir

Joana D’Arc, Mykki Blanco

Queer com aids bemm prosseguir

 

73 Som luso-inglês-espano

Risco artístico correu

Bizarrice calculada

Foi o que se sucedeu?

Top da Billboard nos E.U.A

Nono álbum: valeu!

 

74 Lançou seu clip I rise

água podre, tiros na escola

mudanças climáticas, catástrofe

honestidade não esmola

ela luta por mudanças

na vida que nos esfola

 

75 Embaixadora Stone Wall

Na maior Parada Gay

Sua música bombou

Crimes da Pulse, bem sei

Massacre não pôde mudar

Violência armada, bem sei

 

76 Cenas aterrorizantes

Estupros abjetos, tortura

Tantos abusos e constantes

Bom cidadão não esconjura?

Incestos ameaçadores

Tarados têm cura?

 

77 Violências com transgêneros

Madonna se junta ao povo

Cidadania integral

É Madame X, de novo

É como ela intuiu

Novo álbum sem estorvo

 

78 Filme de 22 minutos

Nuno Xico dirige, é

E no show dez dançarinos

É nação queer, né?

Não se submeter ao medo

Orgulhosos e com fé

 

79 Trinta anos no salto alto

Deus da Disco lhe ajude

Sofre as dores no palco

Show não é só atitude

LGBTQ, adiante!

O show segue, em plenitude

 

80 Casa velha perto de Sintra

Mar varrido de vento, Batuka

Feito fosse Cabo Verde

Silenciosa oração, Futuca

Orquestra batucadeiras

Navios fantasmas? Bituca

 

81 Diretora e criadora

Muita técnica, esplendor

Na diversidade humana

Redes socias? Dor

Elenco/ equipe, unidos

Celebram com amor/ humor

 

82  Genial loucura, ela tem

Isso estamos a perceber

Em Lisboa a viver

Isso faz pouco tempo

Imutável? É em ilusão crer

 

83 Cortesias sob holofotes

Não vadia de ninguém

Ela não busca, ela acha

Silêncio/ som vaivém

Há camadas em sua obra

No aqui e no além

 

84 Tem a alma de um César

No corpo de uma mulher

Toma uma pílula e sonha

E tem 17, se quer
um gole etem um sonho

Cavalga/ viaja como quer

 

85 Quando cantou “Papa don’t preach”

Exaltou outra opção

Antes, adolescente

Seguiu pela gestação

Agora seria aborto

O que causou reação

 

86 Novos caminhos pra se encontrar

Parte do cenário gira

Madame X dá as cartas

E que nada interfira

Em direção ao futuro

Azar de quem não o prefira

 

87 Trancos e solavancos

E la nava va, meu amor

Vinho e arte nos animam

Só vida? É pouco, Senhor

Filhos e filhas em cena

Madonna é puro esplendor

 

88  Pela primeira vez num show

Ela tocava piano

Como nos velhos tempos

Falta muito pra cair o pano

Nós, festeiros, ali estamos

Brilha a “Disco”, sem engano

 

88 Eis o “X” da Madame, pois

Veste o manto de monja, filha

Parece a jovem em ascensão

Imbatível força ainda brilha

(re)ocupa o teu lugar

O teu canto compartilha

 

89 Ouvimos pulsar teu amor

Tão bonita tua história

“Me ergo”, ela grita e segue

Em meio à cena, que glória

A bandeira arco-íris empunha

À sua volta, a vitória

 

90 Levanta o punho com força

Mas, trabalhadora, cansava

Problemas físicos tinha

Estreia no Brooklyn, já anunciava

Smartwatches e phones, na entrada

Sem luzes plateia ficava

 

91 Dois mil lugares do teatro

A multidão aplaudia, sim

Setembro de dezenove

“Estou machucada, dói em mim...”

Subia em descia escadas :oh!

Corpo latejava, por fim

 

92 Nítido que estava rígida

“Não conversem enquanto falo!”

Reclamou com a plateia

Menor que estádios, calo

Sem problema que não vencesse

Palco, ali, para ocupa-lo

 

93 Em Las Vegas foi vaiada

Desligara ar-condicionado

Atrasou duas horas e meia

Alguns saíram, no xingado

“Hostis!”, ela disse, foi

Mas o show era arretado

 

94 Espetáculo catártico

Mas “pior deles”, disseram

Rigores de tantas turnês

Fentanil para suas dores, deram

Droga que matou Prince, sei

Shows cancelados, enfrentaram

 

95 Queria boa performance, sim

Estava em Lisboa, não pude ir

Fiquei com receio dela cancelar

36 anos amis jovem seu boy a rir

Fãs ficaram irritados

Será que Madame iria ruir?

 

96 Foi para as Ilhas Maldivas

Três semanas pra se tratar

“25 males de saúde”, disse

“Só paro quando morte chegar!”

Conseguiu, com dor, fim da turnê

Pandemia chegou, mundo a parar

 

97 Poderosa demais pros caras

Mudou a cultura pop no planeta

Apenas sete Grammys

Cinquenta singles #1, perfeita

Primeira com esse currículo

Mas o inimigo espreita...

 

 

98 Em 24, Copacabana

A loiraça arrasou

Um milhão e meio no show

De graça ela encantou

Foi tão bonito, eu vi

E a multidão vibrou


99 Vou contigo, Madonna

Neste cordel que a vida me dá

Seja boa para mim, querida
bora nesse tchá tchá tchã!

Parece cerveja e carne

Gozo nessas Letras está

 

100 Finalizando, eu digo

Luta contra o etarismo

Velho também é novo

Novo burro? Escapismo

Eita, mulher arretada!

Tudo nela é Futurismo!