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domingo, 15 de novembro de 2015

Paris desgraçada: 129 mortos e um planeta em xeque!

Uma sexta-feira 13 de arrepiar fazer pensar em como reagir de modo mais eficaz a este estado de coisas, não?
Há quanto tempo o Estado islâmico vem ditando as cartas do jogo?
Formam um grupo de oposição ao capital do Ocidente, mas estas táticas estão ultrapassadas e eles deviam buscar novos métodos de protesto, é óbvio.
Novamente Paris.
Lembro uma vez, quando eu estava lá, tinha havido uma greve geral e até as lixeiras foram isoladas e /ou retiradas das ruas pela polícia.
A Revolução Francesa de 1789, foi um alerta ao mundo de que naquele lugar há um potencial de indignação incrível, daí parte da sua "luz".
Agora esta porcaria toda.
Temos que lutar contra o poder e a ganância burguesa?
Cada um que procure suas melhoras, mas pensar  o coletivo me parece bem fundamental.
O jogo França contra Alemanha, o desastre no Bataclan (!), toda esta maldita confusão...

O horror...

129 mortos e um planeta em xeque
"Isto é pela Síria!" (um líder do EI foi morto lá),  foi o que os terroristas disseram ao matar inocentes.
Ah! Então devemos permitir que os senhores ajam impunemente?
Sei bem dos interesses do capitalismo na Síria e em outros territórios, mas o capitalismo nos dá chances democráticas (digamos assim).

domingo, 8 de novembro de 2015

Cláudio Daniel, em A escritura como tatuagem, vem com um lance meio pós-moderno tipo assim:

 “o neobarroco não é uma vanguarda; não se preocupa em ser novidade. Ele se apropria de fórmulas anteriores, remodelando-as, como argila, para compor o seu discurso; dá um novo sentido a estruturas consolidadas, como o soneto, a novela, o romance, perturbando-as. O ponto de contato entre o neobarroco e a vanguarda está na busca de vastos oceanos de linguagem pura, polifonia de vocábulos. No lugar da mímesis aristotetélica, do registro preciso, fotográfico da paisagem exterior, esta é recriada e retalhada como objeto de linguagem, numa reinvenção da natureza mediante o olhar”.

Tudo se recicla... ou não?

Em entrevista recente ao Jornal do Commercio (Recife), a escritora ANA MIRANDA detonou esta:

  Não gosto desta história de fazermos as mulheres de vítimas, as mulheres sempre foram uma grande força, sempre foram longevas, bem dotadas, perceptivas, sensitivas, intuitivas, cruéis, magnânimas, sedutoras, uma força da natureza, claro, a natureza precisava preservar a espécie dotando de força de sobrevivência e resistência as que carregavam a cria no ventre e a alimentavam. E, como disse a Virginia Woolf, as mulheres geraram e criaram toda a humanidade. Além disso, eu custei a perceber que os homens mandavam em alguma coisa, porque nasci numa casa repleta de mulheres, meu pai sempre fora de casa, trabalhando, quem mandava na casa era a minha mãe, quem mandava nas escolas eram as professoras e diretoras. E tive uma educação libertária, minhas irmãs e eu não fomos educadas para nenhuma restrição pessoal. A voz feminina nos meus livros foi se impondo na medida em que eu fui me aprofundando e me construindo literariamente. Porque eu sou mulher.

Capa do novo livro da autora
Revisitando Gregório de Mattos Guerra

sábado, 7 de novembro de 2015

Loucuras em BALADAS


Jomard Muniz de Britto, jmb


 
Não se assustem pessoas com
a primeira palavra do texto.
Sem ofender qualquer gênero:
Um. Alguns. Nem uns. Outros.
Somos errantes do por vir.
Loucuras não pertencem aos deuses
ou nossos cotidianos demônios.
Pensemos em artes poéticas, jamais
proféticas, prolixas e promissoras.
Literatura no terra a terra
dos mais telúricos e transcendentes.
Esqueçamos adjetivos.
Porque Baby do Brasil se reinventou
na sin-cro-ni-ci-da-de
do cosmos até o caos da CAOSMOSE.
Com os pés sofrendo nas pedras.
Caminhar é nossa destiNAÇÃO entre
fluxos, perdas, ambições, delírios.
Errantes caminhantes.
Nosso POR VIR não deveria ser ainda
mais cruel em desumanização.
Todos os sons do universo.
Todos desejos polimórficos.
Toda IGNORÂNCIA autosuperável.
Se o Brasil continua sendo nosso
ABISMO por todos os focos,
onde encontraremos
“metafísicas canibais”,
“estado de poesia”, ex-tudo
na complexidade dos caminhosssssss?
O que ainda ler e compreender?
Para melhor contradizer:
- salvadores fundamentalismos?
- dialéticas da negatividade?
- teoremas sempre indagando
  que horas são? seriam?
- bipolaridades entre a modernidade
  e o Pós-Tudo para nada salvar em delações?
Entre a paulicéia desvairada e
as imperiosas nordestinações
nossa BALADA no presente do por vir.
Pelos IS de Marcelino Freire e Miró
A DEUS, deuses e demônios por todos.
 
Recife, novembro de 2015.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dez Mandamentos é mania de brasileiro e glorifica atores

A Globo o deixou partir
Vieram as dez pragas do Egito e ele está no auge...



Achei ótima a definição que deram ao personagem de Sérgio Marone (foto) , em Os Dez Mandamentos, folhetim da Record, que , desculpem o trocadilho inevitável, está batendo recordes quase inimagináveis de audiência, sem deixar ninguém boquiaberto com seu tom mexicano: "vilão ideológico, sem alívio cômico nem perspectiva de redenção". 
Lembrem-se que a novela custa, mais ou menos 900 mil reais por capítulo.
O texto é digno de Janete Clair.
A cultura egípcia é carnavalizada numa antropofagia (cultural) que inclui a comicidade (Paser, o sumo sacerdote e seu assistente pateta são ridicularizados como idólatras etc.). O os cenários do núcleo hebreu lembram muito os de antigos seriados antigos da Fox, se é que me entendem, aqueles dos anos 60, tipo Perdidos no Espaço.

domingo, 1 de novembro de 2015

TEORIA DOS GÊNEROS LITERÁRIOS


pelo Prof. Dr.  Moisés Monteiro de Melo Neto

•É questão complexa, pois exige classificação que vise ordenar a multiplicidade de fenômenos literários.

• Podemos estabelecer dois posicionamentos diante dos “gêneros”:

a) Encará-los em termos de pureza absoluta (como se fosse possível falar em manifestações puras da lírica, épica e dramática).
b) Considerar dispensável a classificação das obras literárias (em gêneros), julgando-a um artifício superado. Alguns autores, como Benedeto Croce, desencorajam todo tipo de crítica segundo regras em gêneros literários ou outras pré-suposições técnicas desta categoria. Propôs um reexame da questão. Aliás, os estudos literários sempre permitem novas abordagens.

• Vamos observar o seguinte: os textos que produzimos nas situações cotidianas de comunicação são os gêneros textuais ou discursivos (estilo e assunto – procedimentos de linguagem em bilhetes, cartas, artigos, email, quadrinhos, etc.). Já os textos (gêneros) literários (recursos de literatura) se dividem em dois grandes grupos: os textos em verso e os textos em prosa.
Convencionou-se: textos em versos são poemas.
Em linha reta ocupando todo o espaço da folha de papel (ou tela) organizados em parágrafos, capítulos, partes, temos o que chamamos prosa.

• Quanto às divisões de gêneros, vejamos três teorias:

1) Ainda hoje a obra “Arte Poética” de Aristóteles serve de referência. De acordo com esta concepção clássica haveria três divisões: Épico, Lírico e Dramático.

No Épico vemos um narrador geralmente contando de forma distanciada uma história sobre terceiros e pressupondo a presença de uma platéia/ouvinte. Geralmente são textos longos: aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, tom de exaltação, valorização de heróis e seus feitos. Uso do vocabulário culto.
Epopeia = (epos = verso) + (poieô = faço).
Hoje se chama épico um filme que trata da história de um povo e as modalidades de textos em forma de narrativa que se ligam ao épico hoje (não existiam na época de Aristóteles) são: o romance, a novela, o conto, a crônica.

No gênero lírico, a voz do autor nem sempre corresponde ao “eu lírico”, há o predomínio da função emotiva (ou expressiva: o emissor é o ponto em destaque) da linguagem (que também pode ocorrer na prosa, é claro). Hoje também se fala de lirismo em várias expressões da arte, ligando-o à emoção e à subjetividade. Este conceito (lírica) já foi citado por Horácio (65 a.C. – 8 a.C.) Aristóteles citou a poesia dramática e a poesia narrativa. Na Grécia antiga foram cantados, ao som da lira, os poemas de Safo, Píndaro e Anacreonte. Este celebrou o amor e o prazer em: “O universal beber” (gênero lírico):
“A terra bebe a chuva. A planta suga a terra.
O mar engole o rio. Sol absorve o mar.
E a lua absorve em si o resplendor solar...
Pois, se eu bebo também, por que me fazem guerra!”

Verso, estrofe (ou estância), métrica, ritmo, rima, aliteração, assonância, paronomásia (semelhança na forma ou som), paralelismo (repetição), são algumas definições que usamos ao tratar de poemas.

No gênero dramático, a palavra chave é ação e se faz na integração ator/texto/público.
• Existem muitas “novidades” na investigação dos fenômenos literários, mas falta a quase todos um rigor metodológico que rompa as regras aristotélicas. Uma divisão a mais ou a menos, o que importa?

2) O teórico René Wellek propôs a seguinte divisão de gêneros.

LITERATURA NARRATIVA: Ficção (romance, conto, épica), drama (em prosa, em verso) e poesia (antiga, lírica).
Como vemos, os gêneros estariam divididos em subgêneros e a poesia, ele a inclui na literatura narrativa e deixa o drama fora do tópico “ficção”. Propor divisões para enquadrar as obras literárias sempre gera novas dúvidas, imaginem agora na era da ciberliteratura.
O caminho mais seguro seria o exame das situações contextuais.

3) A divisão em ficção (épica, dramática) e lírica traz a idéia de simplicidade. Um conto de Guimarães Rosa seria uma ficção épica, uma peça de Shakespeare ficção dramática. A presença de personagens significa ação (práxis), a este texto poético chamar-se-ia ficção. Nestas obras o poeta deveria falar o menos possível por si, porque se o faz não é mimesis (representação). As obras literárias onde não encontrássemos personagens (seres agentes que representam) seriam incluídas na lírica.

• Como vimos as duas teorias (itens 2 e 3) dos gêneros literários, acima citadas continuam usando os termos antigos (épico, lírico e dramático) e remetendo-nos, de certa forma, a Aristóteles. A verdade é que não podemos encarar os gêneros como se fossem fôrmas para textos.

• Gênero (do latim genus-eris) significa origem, mas o que percebemos em alguns textos de hoje é uma mistura que rompe com diversos graus de “pureza” e exaltas as combinações.

• Depois do período clássico greco-romano, na idade média houve uma ruptura com a tradição clássica e os gêneros recebem “novos conteúdos”, como a poesia trovadoresca e suas “sistematizações rigorosas”. Na renascença há o resgate dos clássicos e no século XVII surge a briga entre “antigos” e “modernos”, posteriormente chamados “barrocos” com suas formas literárias inovadoras e na segunda metade do Séc. XVIII vem o romantismo que condena a classificação da literatura e exige liberdade de criação. Reconheciam os gêneros, embora preservassem de cada poeta o seu individualismo. Há então um hibridismo de gêneros, como na vida em que tudo se mistura: o belo – horrível, o riso-dor, grotesco – sublime. “Eurico o Presbítero”, segundo Alexandre Herculano, seria uma crônica-poema.

• No Séc. XIX veio o cientificismo que afirmou que o romance (evolucionismo dos gêneros) nasceu da epopeia, o drama romântico, da tragédia, a lira romântica, da eloquência sagrada do Séc. XVII.

• Croce, italiano (1886-1952) recusou a sujeição da criação poética aos modelos, semelhanças teriam importância secundária. A história literária seria composta por monografias sobre grandes escritores, abandonando a ideia de gêneros, como sendo estes apenas “rótulos” que serviriam para a construção da história literária, social e cultural e não como critério de julgamento.

• Com o formalismo russo reintroduz-se a ideia de gêneros como fenômeno em mudança, sua dimensão seria histórica e os subordinaria às propriedades que transformavam um texto em obras literárias. Bakthin observou as expectativas do receptor e que os gêneros apresentariam mudanças em sintonia com a conjuntura social e os valores de cada cultura.


• Roman Jakobson sugere que a função referencial é Épica (centrada na 3ª pessoa), na lírica teríamos a função emotiva (1ª pessoa) e na dramática a função conativa / apelativa (2ª pessoa).


• Emil Staiger (1946) foge das classificações fechadas. Os três gêneros poderiam fundir-se numa só obra através de nuances.

• Jauss e os estetas da recepção sugerem que a obra está vinculada a um conjunto de informações e a uma situação especial de apreensão, e, por isso, pertence a um gênero. Está ligada a conhecimentos prévios que conduziriam à sua leitura.

• Como vemos a teoria dos gêneros literários é tema controverso que exige flexibilidade nas análises. Observemos como cada traço se relaciona com outros na mesma obra e reconheçamos a predominância de um gênero, mas nunca para julgar o valor da obra a partir do mesmo.