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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

É CARNAVAL! RECIFE FERVE...


                                                                                         por Moisés Neto


   O Carnaval do Recife é festa que vem do Brasil Colônia (portugueses trouxeram a Pernambuco a tradição européia: entrudo), um vale-tudo antes do período da quaresma. Em três dias tudo não permitido durante a quaresma. Haja mela-mela. A presença dos negros na colônia (senzala) trouxe novos ritmos. 
Decoração do Carnaval do Recife, 2015



   Na ausência de regras os escravos trouxeram para as ruas manifestações religiosas e profanas da África, que eram proibidas em condições normais na vida colonial. E aproveitavam a festa também para ironizar de todas as formas os costumes de seus senhores, pintando os rostos de branco e vestindo-se como eles. Daí o maracatu e da necessidade das damas e cavalheiros apreciarem o entrudo, o Carnaval, protegidos, surgiram os primeiros blocos e na época do Império, o costume francês e italiano dos bailes carnavalescos, com representantes das classes mais altas usando máscaras e roupas elegantes. Outras heranças européias foram as fantasias e os bonecos gigantes. Com o tempo o Carnaval de rua usou o automóvel: os corsos onde a família desfilava suas fantasias e jogavam água por onde passavam, no trajeto que incluía a Rua Nova e a Rua da Imperatriz, entre outras. Os corsos duraram até a segunda metade do século XX.
   Uma tradição originária da Europa, mais especificamente da Itália, é a la ursa chegou ao Brasil trazida por ciganos que vinham apresentar performances circenses no país e colocavam os animais para dançar. Atualmente, as apresentações contam com a presença de um caçador e um italiano, além da fantasia de urso, todos com o mesmo objetivo: lucrar. É como diz a música de cantada pelos grupos: “A laursa quer dinheiro/ quem não der é pirangueiro”.

Há também um Bloco muito famoso: trata-se do Nois sofre mais nois goza, liderado pelo livreiro Tarcísio Pereira, que já foi dono da mior livraria da América Latina (a Livro 7, ond passei bons momentos). A concentração é na rua 7 de setembro, recife. Este ano foi fantástico.  É pura irreverência, o tema desse ano foi "Je suis Nois Sofre.."


Moisés Neto flagra Pierrô no fim da festa; ao lado Moisés Neto e foliões do Nois Sofre (Recife, 2015)


Os caboclinhos surgiram no final do século XIX quando o estivador Antônio da Costa fundou o primeiro grupo, mas já era praticado pelos índios bem antes, incentivado pelo catolicismo, como uma forma de catequese (fazer com que os índios acreditassem em conceitos como ressurreição e vida após a morte) para issoeram criadas e encenadas histórias que invariavelmente tratavam de guerras entre tribos, morte e ressurreição dos guerreiros.



          Nas apresentações atuais, o costume é mantido pelo casal de caciques, que conduz a narrativa, acompanhados pelo porta-estandarte, à sua frente e seguidos por dois cordões de ‘índios’, vestidos com fantasias feitas de pena de ema. Bastante coloridas, as roupas são compostas de tanga (e bustiê, para as meninas), atacas nos braços e pernas, além de grandes cocares adornando a cabeça. Nas mãos, os bailarinos carregam machadinhos e preacas de madeira, que marcam o rumo. Há também os caboclos de baque, que formam a banda, tocando flauta, tarol, surdos, chocalhos, caracaxá e zabumba.
Já o afoxé está ligado ao Candomblé da nação gueto, que até as décadas de 70 e 80 do século XX não tinha muita força em Pernambuco. Traz bailarinos vestindo roupas que lembram tribos africanas e também de santos e entidades cultuadas pela religião, além de uma banda composta quase que exclusivamente por percussão (atabaques).
   Várias outras manifestações, de cunho religioso ou não, aproveitaram a folia generalizada dos dias momescos para sair, às ruas. Foi o caso, por exemplo, do bumba meu boi e dos pastoris, típicos do período natalino.
   Misturando reunindo música, dança e encenação, o maracatu é originário dos rituais de coroação dos reis negros, tradição mantida pelos escravos durante o período colonial. Alguns historiadores acreditam que esse ritual, ao contrário de vários outros da cultura africana, era estimulado pela Igreja Católica e pelos senhores de então, para evitar que os negros se rebelassem. Depois da abolição, a coroação dos reis negros, realizada no ciclo de festejos de Nossa Senhora do Rosário, perdeu força. Mas não os desfiles, que acabaram ganhando o nome de maracatu, termo pejorativo criado pelos senhores e pela polícia da época que significava “reunião de pretos”.
   A tradição não se perdeu com o tempo, mas se dividiu em duas correntes: a de baque solto ou rural e a de baque virado ou nação. A principal diferença entre as duas é a batida. A figura mais importante do maracatu de baque solto é o caboclo de lança, cuja missão é abrir caminho no meio da multidão.


Moisés Neto, de Caboclo de Lança



   Eles vestem pesadas roupas bordadas manualmente com lantejoulas de todas as cores, chapéus com tiras de tecido ou plástico coloridas e carregam pesadas lanças também decoradas, além de chocalhos e badalos presos às costas. Muitos levam também uma flor presa na boca e, para agüentar o ‘rojão’ das apresentações e (alguns) bebem uma mistura explosiva feita à base de cana e pólvora. Outras figuras que aparecem nesse maracatu são os caboclos de pena, as baianas, a dama da boneca e o mestre, a quem cabe puxar versos de improviso durante o desfile.
Já no maracatu nação há uma representação da corte africana, com rei, rainha, vassalos, delegado, capitão, baianas e lanceiros. A percussão é mais pesada, com tambores e agogô. Entre os grupos mais antigos em atividade no Estado estão o rural Cruzeiro do Forte, de 1929, e os de baque virado Leão Coroado, com 150 anos, e Estrela Brilhante, de Igarassu, criado em 1824.
O frevo nasceu das marchinhas de Carnaval do século XIX, surgiu nas ruas quando a disputa entre as agremiações e a animação dos foliões fizeram com que o compasso das marchas executadas nos desfiles fosse acelerado. A origem do nome teria vindo justamente daí, da efervescência da multidão. Com a contribuição de compositores como Capiba, o ritmo acabou ganhando, melodias mais elaboradas e letras inesquecíveis. Ganhou também as ruas e os bailes de Carnaval, além de muitas variações de rua, canção, de bloco.
As disputas entre as agremiações originou também os passos de frevo. Era comum os blocos contratarem capoeiras para irem à frente, abrindo caminho e o frevo completou cem anos em 2007.

   Mas há todo tipo de fantasia pelas ruas do Recife nessa época, eu mesmo gosto muito dos blocos líricos.
Moisés Neto como Pierrô (essa ainda é uma das fantasias recorrentes;vem da Commedia Dell´Arte italiana e encarna em vários foliões).





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Madonna e as chifradas: the bitch is back!


Madonna apresentou-se na festa do Grammy 2015 e mais uma vez mostrou o que é não perder quando o assunto é disputa na mídia. Reinou soberana numa época em que não se sabe mais direito o que é ser uma estrela. Tauromaquia: a baixinha mostrou que está com tudo em cima e exibiu uma performance ímpar no showbizz.
Leiam a letra da nova música, não parece muito, não é? Mas a arte não é tão simples. Hermenêutica não feita só para a Grande Arte.

First you loved me and I let you in
Made me feel like I was born again
You empowered me, you made me strong
Built me up and I can do no wrong

I let down my guard, I fell into your arms
Forgot who I was, I didn't hear the alarms
Now I'm down on my knees, alone in the dark
I was blind to your game
You fired a shot in my heart

Took me to heaven and let me fall down
Now that it's over, I'm gonna carry on
Lifted me up, and watched me stumble
After the heartache, I'm gonna carry on

Living for love
I'm living for love
I'm not giving up
I'm gonna carry on

Living for love
I'm living for love
Not gonna stop
Love's gonna lift me up

Love
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Love
Lift me up

I could get caught up in bitterness
But I'm not dwelling on this crazy mess
I found freedom in the ugly truth
I deserve the best and it's not you

You broke my heart, but you can't bring me down
I was falling apart, was lost, now I'm found
I picked up my crown, put it back in my head
I can forgive, but I will never forget

Took me to heaven and let me fall down
Now that it's over, I'm gonna carry on
Lifted me up, and watched me stumble
After the heartache, I'm gonna carry on

Living for love
Living for love
I'm not giving up
I'm gonna carry on

Living for love
I'm living for love
Not gonna stop
Love's gonna lift me up

Love
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Love
Lift me up
(Love's gonna lift me up)
Lift me up

(Love's gonna lift me up)
Up, up, up, up
Now lift me up, up, up, up
Love's gonna lift me up

(Love's gonna lift me up)
Up, up, up, up
Now lift me up, up, up, up
Love's gonna lift me up
Now lift me up
Now lift me up, up, up, up

Living for love
Living for love
I'm not giving up
I'm gonna carry on

Living for love
I'm living for love
Not gonna stop
Love's gonna lift me up


"Man is the cruelst animal
At tragedy, bullfight and crucifixions he has felt best on Earth" (aqui ela cita certo filósofo bem conhecido, mas parece frase para ímã de geladeira?)
O diabo a quatro: a ítalo-americana não estava para levar desaforo para casa e trucidou possíveis rivais antes mesmo que o grito dos "novinhos" a chamasse disso ou daquilo. A geração digital está tateando no tereno do PATHOS e ainda vai ter que comer muito feijão para entender um fenômeno do quilate dessa mãe de quatro filhos que tem uma trajetória que merece, no mínimo, respito.
Back off! the bitch is back!
A performance da música Living for love foi histórica por diversos motivos e vem acompanhada de um videoclipe notável (se quiser copie o link e assista):

https://www.youtube.com/watch?v=u9h7Teiyvc8


madonna-living-for-love5
O homem é o mais cruel dos animais nas tragédias, toureando, crucificando, inventando o inferno. Cenas do videoclipe incendiário que emoldura o vazio e o desgaste do pop e ao mesmo tempo trabalha alquimicamente com a reinvenção. experiência faz esa mulher cada vez mais icônica. Há que se estudar esse fenômeno e não podemos tratar essa experiência como banal. Ela aproxima-se das maiores, oh sim...


Estonteante: jogando com o Tempo e o Espaço



Vaca profana, põe teus cornos para fora  e acima da manada.
Esperavam dela muito mais?
É mesmo?
Risos e sisos...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Uma das mais belas passagens da dramaturgia ocidental

MACBETH



No cinema: Welles interpretou bem ao seu modo personagem clássico dos palcos



(Cena V: Dunsinane. No interior do Castelo)

Entram: Macbeth, Seyton e soldados, com tambores e bandeiras.


MACBETH - Desfraldai nossas bandeiras nas muralhas exteriores. Continuam gritando: “estão próximos!”; mas a força de nosso castelo rirá com desprezo do assédio. Que fiquem aí, até que sejam devorados pela fome e pela febre! Se não estivessem reforçados por aqueles que deveriam ser nossos, teríamos podido ir ousadamente ao encontro deles, barba a barba, e tocá-los, derrotados, de volta para seus lares. (Gritos femininos no interior.). Que barulho é esse?

SEYTON - São gritos de mulheres, meu bom senhor. (Sai)

MACBETH - Já quase me esqueci do sabor do medo. Houve tempo em que um grito ouvido durante a noite teria gelado meus sentidos, em que todos os meus cabelos ficariam em pé com o relato de alguma desgraça, eriçados e trêmulos, como se estivessem animados de vida. Saciai-me de horrores! A desolação, familiar a meus pensamentos de morte, já não produz em mim qualquer emoção... (Volta Seyton.) Qual o motivo da gritaria?

SEYTON - Morreu a rainha, meu senhor.

MACBETH - Deveria ter morrido mais tarde. Haveria, então, lugar para uma tal palavra!... O amanhã, o amanhã, o amanhã, avança em passos mesquinhos, dia a dia até a última sílaba do tempo que se recorda, e todos os nossos ontens iluminaram para os loucos o caminho da poeira da morte. Apaga-te, apaga-te, vela fugaz! A vida não nada mais é do que uma sombra que passa, um pobre louco que se pavoneia e se agita por uma hora no palco em cena e, depois, nada mais se ouve. É um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada. (Entra um mensageiro) Vens para fazer uso da tua língua? Conta tua história, depressa.

MENSAGEIRO - Meu gracioso senhor, desejaria contar que vi o que digo, mas não sei como fazê-lo...

MACBETH - Fala. então, homem.

MENSAGEIRO - Quando estava de guarda na colina, olhei para os lados de Birman e, de repente, tive a impressão de que a floresta começara a mexer-se.

MACBETH - Miserável mentiroso!

MENSAGEIRO - Que eu sofra as consequências de vossa ira, se não estou dizendo a verdade! A três milhas daqui, podereis vê-la caminhando nesta direção. Torno a repetir: um bosque em movimento.

MACBETH - Se estiveres mentindo, sereis pendurado vivo na árvore mais próxima, até que a fome te desseque. Se for verdade o que estás dizendo, não me importa que faças comigo a mesma coisa!... Fraqueja minha resolução e começo a suspeitar do equívoco do demônio que mente debaixo da máscara da verdade. “Nada temas, até que o bosque de Birman caminhe para Dunsinane.” E agora, um bosque se dirige em direção a Dunsinane. Às armas! Ás armas! Saiamos! Se for verdade oque este homem afirma, não haverá qualquer meio de fugir ou de ficar!... Estou começando a ficar cansado do sol e com vontade, agora, de que a máquina do Universo se reduza a migalhas!... Soai o sino do alarma!... Sopra, vento! Vem, destruição! Quero pelo menos morrer com  a armadura completa. (Saem).

Da peça “Macbeth” (Cena V do Ato Quinto). In William Shakespeare. Obra Completa. Vol. 1. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 1989 (Cotejei a tradução com o texto em inglês da The Harvard Classics, vo. 46. New York, P. F. Collier & Son Co., 1938 - JCR).

O cinema da FUNDAJ convoca


ATENÇÃO ADMIRADORES, FREQUENTADORES, SONHADORES DO CINEMA DA FUNDAÇÃO!!
Com a inauguração em breve do segundo CINEMA DA FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO no Museu do Homem do Nordeste, em Casa Forte, gostaríamos de convidar o nosso público, artistas e realizadores, para colaborar conosco na realização de vinhetas especiais para serem exibidas nas nossas sessões, no Cinema da Fundação do Derby e na nova sala.
Como Funciona:
Estamos à procura de boas idéias, realizadas de maneira simples, para abrir nossas sessões. Não precisa super-produzir. As colaborações podem vir de Pernambuco ou de amigos do Cinema da Fundação em outros estados.
As vinhetas podem ser realizadas com celulares, fotografias digitais, câmeras HD ou resolução padrão, tablets, computadores, no formato de tela que o realizador desejar (quadrado, padrão HD, CinemaScope). Ou seja, tecnicamente, podem ser feitas em qualquer meio de captação e edição disponível que resulte numa obra digital finalizada.
As vinhetas devem ter no máximo 1 minuto, incluindo créditos. Ou seja, podem ter também 10, 20 ou 30 segundos, incluindo créditos.
Tema Proposto: "Cinema". A partir daí, pode ser o que você quiser, mas é verdade que vinhetas sobre o uso de celulares na sala de cinema poderão ser bem úteis.
Qualquer vinheta produzida será exibida? NÃO, precisamos selecionar. Uma comissão de seleção será divulgada, mas todas serão vistas com o maior carinho e interesse.
Os realizadores das vinhetas selecionadas terão acesso gratuito durante um ano às nossas duas salas.
As obras/vinhetas selecionadas receberão versão final DCP (Digital Cinema Package) para projeção profissional digital nas nossas salas produzidas pelo próprio Cinema da Fundação. Os créditos de cada realizador deverão ser exibidos com cada vinheta.
O ideal é que tenhamos vinhetas diferentes e que elas façam parte da curadoria das salas, sendo direcionadas para cada sessão de cada filme, considerando estilos e conteúdos. Poderão ser exibidas por tempo indeterminado.
DATA LIMITE:
Sexta-Feira 13 de Março
PARA ENVIAR SUA VINHETA
Escreva para os emails cinema@fundaj.gov.br ou cinemadafundacaojn@gmail.com. Podemos ver os trabalhos em links secretos ou por arquivo enviado por email.
Queremos ver e exibir seus filmes.

BIRDMAN: um voo sobre o universo do ator, filme trabalha também com a mise en abyme


Impactado com o filme BIRDMAN, embora ache que as cenas finais, no hospital, destoem um pouco no ritmo do filme e sirvam mais como uma espécie de epílogo para essa tragicomédia sobre o fazer teatral, que me toca di profundis.


Keaton numa das cena mais emblemáticas do filme

Gostei de Keaton desde que o vi a primeira vez em Beetlejuice, de Tim Burton, mas ele fez muitos filmes ruins e fui perdendo o interesse. Mas agora ele ressurge, como fênix (Love is a BIRD...).
A sinopse do novo filme dele:Riggan Thomson (Michael Keaton) foi uma grande estrela de cinema (um super-herói: Birdman, um blockbuster). No momento está em dificuldades financeiras, familiares, existenciais, prestes a estrear uma peça na Broadway, baseada num romance antigo. A depressão dele é flagrada dentro do Teatro Saint James, teatro onde assisti  a uma peça adorável). 
Atenção para o momento no qual um homem na rua dá uma fala de Macbeth: "O amanhã, o amanhã, o amanhã, avança em passos mesquinhos, dia a dia até a última sílaba do tempo que se recorda, e todos os nossos ontens iluminaram para os loucos o caminho da poeira da morte. Apaga-te, apaga-te, vela fugaz! A vida não nada mais é do que uma sombra que passa, um pobre louco que se pavoneia e se agita por uma hora no palco em cena e, depois, nada mais se ouve. É um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada.", uma das mais belas passagens de Shakespeare é jogada assim pelas calçadas da Broadway, num momento absurdo. 
O mexicano Alejandro González Iñárritu (de", "21 Gramas", "Babel") merece parabéns e prêmios,  sua utilização do famoso plano-sequência para dar a ilusão de um movimento contínuo da câmara, causa empatia e, para nós que fazemos teatro, uma catarse ímpar. Além de Keaton, o elenco inclui Edward Norton, Zach Galifianakis, Emma Stone e Naomi Watts. Destaque para a trilha sonora. O texto é , no mínimo, estonteante, com tiradas que provocam uma estranha espécie de riso na plateia.
Keaton está como poucas vezes esteve em cena. Tudo é puro teatro, o resto é cinema.

Touché!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Atentados no Carnaval do Recife! Urgente!



OCUPEM CARNAVAIS do GALO da MADRUGADA
ao BLOCO DO NADA desocupando foliões.

Arion Santos, Moisés Neto, JMB: Reciferve!




Vamos esquecer que “a vergonha da
escravidão persiste no mundo”... dos
preconceitos, fobias, fantasias, além
das reticências. Indóceis barbaridades.
Vamos alegrar as multidões mascaradas
do HOMEM da MEIA NOITE ao NÓIS
SOFRE  mas NÓIS GOZA.
Onde o Macaco Simão foi disparar?
Nos carnavais TUDO é RISO?
Vamos confeccionar ABADÁS na região
metropolitana do Recife, em Paulista
nordestinada, cantando PEBA pra todos.
Das ladeiras soteropolitanas ao clímax
olindense das decorações urbanas.
Tudo é BONECO GIGANTE.
Folias sem choques nem cheques de
cre di bi li da de.
Tudo persiste Constelação VALENCIANA
na LUNETA do TEMPO reencontrado.
A PORTA atravessando corpos nus.
Vamos ocupar as UTOPIAS da alegria,
com e sem celulites nem cerimônias.
Relembrar o ácido comentário de Elio
Gaspari: “O baiano Santana tem um pé
na ciência política, outro no mundo mágico
e vive bem nos dois”. Heliocentrismo.
Carnavália dos miserês aos milionários.
Vamos encarar o neoncapitalismo rimando
com a esquizoanálise do BRASILÍRICO.
Sem medo de ser carnavalescamente...
múltiplo, dividido e diversionista.
Nos carnavais TUDO – até o BLOCO do NADA –
é TATUAGEM para entendidos e entediados.
No coração do cinema e dos brincantes.
Se a poesia resiste para deslumbrar pessoas
em outros personagens, vamos ouvir
a elegância de Paulinho da Viola na meia noite
de domingo no Pátio (neonbarroco) de São Pedro.
Foram rios que passaram em nossas vidas...
Vamos intensificar o eterno frevo do ASAS
da AMÉRICA quando CARLOS FERNANDO
aglutinou amigos – intérpretes pelo Brasil.
Carnaval também é religião da amizade.
Do OCUPE ESTELITA aos ocupantes do
BLOCO do NADA, segunda-feira de carná
no Largo de Santa Cruz para TODOMUNDO.



                                                       Jomard Muniz de Britto, jmb à deriva.


Recifrevo, 2015.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Lady Gaga, Graça Foster e Odete Lara: mulheres em reciclagem

Lady Gaga (foto de hoje com Paul McCartney) é uma artista que vem recebendo críticas terríveis de alguns dos seus pares (Grace Jones  desdenhou um convite dela com a seguinte resposta: "só trabalho com artistas originais", que arrogância, não? Madonna acusou-a disso e daquilo, mas termina citando-a, mesmo que de modo apenas ilustrativo, para dizer o mínimo) por não ser, digamos assim, original; ela nasceu em berço esplêndido e morou na Park Avenue (NY), explora o grotesco como poucas, mas tem lá o seu talento, tem feito duetos ultimamente e incluiu nessa lista o eterno Paul MaCartney, que tive oportunidade de assisitr ao vivo no estádio do Santa Cruz (Recife:o eterno Beatle, uma lenda viva,  acenou para mim, do ônibus dele, simpático, depois de um espetáculo incrível!). O que será que vem por aí?


Lady Gaga (foto de hoje com Paul McCartney)



 A 2ª mulher reciclando-se é  é Graça Foster que finalmente cai fora (!) da famigerada Petrobrás (já não era sem tempo!)  e a 3ª mulher é a agora morta Odete Lara, sofreu um infarto aos 85. Vi vários filmes com ela, que tinha uma performance ímpar.