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quarta-feira, 2 de abril de 2025

CORDEL CAETANO VELOSO

 

 



Moisés Monteiro de Melo Neto

Wyllison Vítor Gonçalves Silva

 

1 Vou contar hoje uma história

De um baiano afamado

Filho de Canô, repito

Ele é muito respeitado

De Lajedo a Tel Aviv

Até hoje é celebrado

 

2 Caetano Veloso, o nome

Da criatura genial

Que saiu de Santo Amaro

Para o estrelato fatal

É do povo brasileiro

Um patrimônio cultural

 

3 Compositor e letrista

Das canções mais radicais

Gravou primeiro com Gal

Foi uma dupla demais

Depois gravou com outros bichos

Mutantes, tins e bens e tais

 

4 Organizou o movimento

Orientou o Carnaval

E chamou de Tropicália

Revolução musical

Fez história no Brasil

Junto com Gil, Tom Zé e Gal

 

5 Ele apenas foi crescendo

com impaciência e viu

que quem tinha 7 anos

desprezava e sentiu

a condição de quem tinha

quatro anos 4, chão do Brasil

 

6 E, depois, quem tinha sete

E de quem tinha doze, ali

Isso era lá em Santo Amaro

Ah, as marcas assustadoras, aí

Deliciosa adolescência

ele sentiu já no Rio, cri

 

7 Deixou de ser criança

no ano que em Guadalupe

ele não gostava da

infância? A impaciência não culpe

permanente irritação

contida? Não se desculpe

 

8 Havia alegria, alegria

como desenhar caminho

de ferro com carvão no

cimento do quintalzinho

que era enorme (com canteiros

com arbustos floridos, um ninho

 

9 Num deles um araçazeiro

no do centro, maior, uma mangueira

gigantesca) por onde fazia

viajar os trens de ferro, na beira

retangulares que, tinham

ordenadas pontas qual feira

 

10 Serviam até para encaixe

no almoxarifado até

cravar-se em postes de

telégrafo (nos de verdade, é)

Havia até felicidade

na hora assim passada, axé!

 

11 Galho alto, ó, mangabeira

(como chamavam araçazeiro)

achando araçás não maduros

o entumecimento ligeiro

maturação imperceptível

mas nitidamente faceiro

 

12 Ao seu olhar tão atento

(demais!) prazeroso, brejeiro

Vinha a polpa da fruta

Pros dentes antes, certeiro

Nada escapa tão fácil

Cada final?  O primeiro

 

13 O sabor agridoce, seu travo

fresquíssima vegetalidade

E a convivência com a família

sem brigas, é verdade

sua mãe, tão querida

ainda hoje, certa saudade

 

14 E o pai dele no comandando

de tudo e todos irmãos

Que felicidade, sim

Todos dando-se as mãos

E o dote de memória

Aprendizado e lucidez cristãos

 

15 Nada pra se queixar, né?

Era a Purificação

angústias da adolescência

sem fim felicidade ou não?

e do deixar de ser criança

negar conflitos sem razão

 

16 No período da passagem

Adolescentes, assim

mais alegres que crianças

sempre achou isso; adulto, enfim

ainda maior firmeza

a esse gozo ser a fim

 

17 Emanuel Vianna Teles

O Veloso, conhecido

com 14 anos ia ao Rio

a programas de rádio ido

Paulo Gracindo era um deles

Violão ter recebido

 

18 O florescer dessa ventura

sempre na imaginação

A puberdade do sempre jovem

Quinze de idade, tesão

E os marcos exteriores

Mesmo evitando datação

 

19 É um santamarense "moderno"

 Da mente ápice? 50

sente isso, mas memória

não é a mesma, sofreu aos quarenta

e poucos, óculos para ler etc.

Não perder? Tenta

 

20 E pessoas dizerem "o óculos"

Sim, em vez de "os óculos", né?

Erros de concordância faziam mal

Gosta de gramática, é

essa não observância lhe dói

insalubridade social, até

 

21 Escreve em modo assim barroco

não acha que os brasileiros

devessem estar desatentos

coerência e coesão, primeiro

mal uso do acento agudo

Coisa de velho? Certeiro

 

22 Com Bethania em bares

de Salvador, Filosofia, UFBA, sim

show em meia quatro com Gal

Depois com Gil, e Tom Zé, enfim

No Teatro Vila Velha

Com a irmã, ao Rio assim

 

23 Meia cinco, compôs “Boa Palavra”

Maria Odete, Na Record cantou

quinto lugar num Festival

o baiano ganhou

“Domingo”, seu primeiro disco

meia sete com Gal, ele gravou

 

24 Meia sete, num outro III Festival

da Record, cantou “Alegria, Alegria”,

com a banda Beat Boys

a conservadores irritaria

rock e o regional= MPB?

Em 4º, TROPICÁLIA inicia

 

25 Se sentia um adolescente

Meio a idealizar o mundo

Experiências correspondentes

Mas o corte foi profundo

A envelhecer estava, sim

"luta de classes"? Viu o imundo

 

26 No ano de meia sete

Tudo ele barbarizou

Com os tropicalistas todos

O alarido se espalhou

Virou debate político

No Brasil e no exterior

 

27 Quando ainda muito jovem

De Oswald alguém lhe falou

Ele ficou curioso

Logo ele assimilou

Viva a Antropofagia

O concretismo e o rock ’n’ roll!”

 

28 Já com essa bagagem toda

Um imbróglio ele instaurou

Misturou as coisas todas

Muita gente não gostou

Da nova forma de música

Que no Brasil se espalhou

 

29 Pegaram a guitarra elétrica

Pra juntar com o tamborim

Beatles com Luiz Gonzaga

Os Stones com Jobim

Barbarizaram à vontade

Ao estilo tupiniquim

 

30 Pra homenagear Araújo

 Com o seu bordão estiloso

Compuseram a tal música

“Divino, Maravilhoso”

Virou cena na Tupi, mas foi-se rápido

Durou pouco, mas famoso

 

31 No final de meia sete

Um escândalo total

Prenderam Caetano e Gil

Com aquele AI-5 infernal

Depois exilaram os dois

Pra London, London, a capital

 

32 Lança lá “Caetano Veloso”

“London, London”, em sete um

Aí voltou ao Brasil

Sete dois show em Salvador. Hum!

Ao lado de Chico Buarque

Sete três vem “Araçá Azul” e zoom!

 

 

33 Ficaram por lá uns anos

Voltaram em setenta e dois

E chegaram, enfim, aqui

Brasil, baião de dois, pois

Mas ainda havia milico

No poder, repare, pois

 

34 Não: quando era garoto

era mais puro até o exílio

e vaidades gramaticais.

Aos 30, nasceu seu filho

alegria indizível, volta ao Brasil

ainda lembra estribilho

 

35 Começou logo a gravar

Num estilo experimental

“Gilberto Misterioso”

Outras coisas, viço tal

Sai em janeiro, sete três

Araçá azul, que vendeu mal

 

36 Em sete cinco o “Qualquer Coisa”

Já pra lá de Marrakesh

“Odara”, no “Bicho”, “Um índio”

Só em sete sete, mexe

No mesmo ano “Alguém Cantando”

Quem ouve, não esquece! Mexe

 

37 Em sete meia, com Gal, Gil e a irmã:

Vem grupo “Doces Bárbaros”,buchicho!

No ano seguinte,  vai com Gil

Arte e Cultura Negra, na Nigéria, sem nicho

Pesquisa e integração

Depois gravou o disco “Bicho”

 

38 Setenta e nove, outra coisa

“Cinema Transcendental”

Com uma capa bem bonita

No Recife, conceitual

“Menino do Rio”, beleza

“Trilhos Urbanos, Gal...”

 

39 Também “Oração ao Tempo”

Versos lindos, sem igual

“’Elegia”, “Beleza Pura”

“Vampiro”, do bem? do mal?

“Louco por Você” e tantas

 Editora “Universal”

 

40 Na década de 80

Shows e álbuns, ele fez

Vêm assim “Outras Palavras”

Com Chico Buarque, na TV foi a vez

Do programa “Chico & Caetano”

Sucesso sem talvez

 

41 “Circuladô de Fulô”

Esse só em nove um

Com a capa amarelada

Uma colagem, incomum

Parceria com os concretos

Da vanguarda um desjejum

 

42 Em nove dois, 50 anos

"Circuladô": CD é lançado

Prêmio Sharp: canção, cantor design

“Verdade Tropical”, danado

Foi em livro em nove sete

Não ficava parado

 

 

43 Depois faz trilhas sonoras

De Almodovar “Fale com Ela”

E “Frida”, de Julie Taymor  

 Vem o Grammy, em dois mil pela

World Music, (no futuro mais três

Figura do Ano, estrela

 

44 Dois mil e seis bem elétrico

Disco e banda “Cê”, demais

Alguns shows aqui, ali

Com turnê nas capitais

Doze faixas nesse disco

Videoclipes, nada mais

 

45 Dois mil e nove, “Zii & Zie”

Mesma onda, agitação

Dois e doze, “Abraçaço”

Aquela capa, várias mãos

Dois e vinte e um, “Meu Coco”

Arranjo lindo. Inovação

 

46 Ele tem três filhos: Moreno

Com Andréa Gadelha

Zeca e Tom Veloso, com

Paula Lavigne, empresária, parelha

Que muito faz, ainda hoje, por ele

Ela é um dínamo, uma centelha

 

47 Caetano é movimento de:

 Ruptura, desconstrução

Cultural em toda a carreira

 Sua excentricidade, ação

 sonoridade, ironia

 sociopolítica ou não

 

48 Por vezes contraditório

Ele caminha na pauta

progressista nos inúmeros

temas, polemismo, em alta

há sempre perigo? Não é?

Não teme Caetano: salta

 

49 Com independência ideológica

 E, sim, assertividade

Tem visão personalista

De olho na crítica, verdade

obra esplendorosa faz

mistura diversidade

 

50 Dissonante, alegórico

 e crítico compõe na tensão

em relação com seu público

 debates nacionais, ação

se conecta com o presente

 dele é representação

 

51 Busca do novo:  estética

No espelho do momento

por ele, intermitente

em “Meu Coco”, provento

de 21, fala do poder da internet

e seu “tribunal, acorrento

 

52 E agora recentemente

Com Bethânia uma turnê

Repertório variado

Muita coisa a promover

Tá rodando o Brasil todo

Quem não viu, corra pra ver

 

53 Em “Tropicália 2” fez

celebração, sobre o samba

que ainda vai nascer', porque

meio João Gilberto, bamba

não há reserva indígena

do samba, nem caçamba

 

54 Nessa canção o samba é um projeto

de Brasil, ele gosta disso.

João Gilberto gravou o samba

Mesmo vacinado contra isso

João nem gosta muito de Noel

Gravou 'Palpite Infeliz', no viço

 

55 Ainda jovial mais de 80

Comemora a  juventude

ao vivo via internet

streaming com atitude

Globoplay e Multishow

Sem aparentar finitude

 

56 Com os três filhos

 E a irmã. Ele? Inesgotável, vivaz

Cerebral , livros lhe vasculham

 Tipo os de Eucanaã Ferraz

juntou suas canções  (três nove zero)

 canções desde 1965, audaz

 

57 Caetano tem cinco álbuns

 de material inédito, é

desde Noites do Norte ,2000

até  agora, Lado C desnuda, com fé

reinvenção de Caetano

 Em “Amor mais que discreto”, até

 

58 De dois mil e sete, ele

 Renovou seu pendor gay

E em “Tarado ni você”

 (De 2009), sei

Em 11, rejuvenesce

Abraçaço pra Marighella: hey!

 

59 Guilherme Wisnik, ecoa

 “Careta, quem é você?

 2006-22

Caetano neoliberal, Ê!

Já em “Outras palavras”

O revisita: mais Badauê

 

60 Episódios divertidos

e semifofoqueiro

alívio cômico, né?

folclore pra esse brasileiro

 mito cruel de uma juventude

vovô tá nervoso? Certeiro!