Moisés Monteiro de Melo Neto
Wyllison Vítor Gonçalves Silva
1
Vou contar hoje uma história
De
um baiano afamado
Filho
de Canô, repito
Ele
é muito respeitado
De
Lajedo a Tel Aviv
Até
hoje é celebrado
2
Caetano Veloso, o nome
Da criatura
genial
Que
saiu de Santo Amaro
Para
o estrelato fatal
É do
povo brasileiro
Um
patrimônio cultural
3
Compositor e letrista
Das
canções mais radicais
Gravou
primeiro com Gal
Foi
uma dupla demais
Depois
gravou com outros bichos
Mutantes,
tins e bens e tais
4
Organizou o movimento
Orientou
o Carnaval
E
chamou de Tropicália
Revolução
musical
Fez
história no Brasil
Junto
com Gil, Tom Zé e Gal
5 Ele apenas
foi crescendo
com impaciência
e viu
que quem tinha
7 anos
desprezava e
sentiu
a condição de quem
tinha
quatro anos 4,
chão do Brasil
6 E, depois,
quem tinha sete
E de quem tinha
doze, ali
Isso era lá em
Santo Amaro
Ah, as marcas
assustadoras, aí
Deliciosa
adolescência
ele sentiu já
no Rio, cri
7 Deixou de ser
criança
no ano que em
Guadalupe
ele não gostava
da
infância? A
impaciência não culpe
permanente
irritação
contida? Não se
desculpe
8 Havia
alegria, alegria
como desenhar
caminho
de ferro com
carvão no
cimento do
quintalzinho
que era enorme
(com canteiros
com arbustos
floridos, um ninho
9 Num deles um
araçazeiro
no do centro,
maior, uma mangueira
gigantesca) por
onde fazia
viajar os trens
de ferro, na beira
retangulares
que, tinham
ordenadas
pontas qual feira
10 Serviam até
para encaixe
no almoxarifado
até
cravar-se em
postes de
telégrafo (nos
de verdade, é)
Havia até
felicidade
na hora assim
passada, axé!
11 Galho alto,
ó, mangabeira
(como chamavam
araçazeiro)
achando araçás
não maduros
o entumecimento
ligeiro
maturação
imperceptível
mas nitidamente
faceiro
12 Ao seu olhar
tão atento
(demais!)
prazeroso, brejeiro
Vinha a polpa
da fruta
Pros dentes
antes, certeiro
Nada escapa tão
fácil
Cada
final? O primeiro
13 O sabor
agridoce, seu travo
fresquíssima
vegetalidade
E a convivência
com a família
sem brigas, é
verdade
sua mãe, tão
querida
ainda hoje,
certa saudade
14 E o pai dele
no comandando
de tudo e todos
irmãos
Que felicidade,
sim
Todos dando-se
as mãos
E o dote de
memória
Aprendizado e
lucidez cristãos
15 Nada pra se
queixar, né?
Era a
Purificação
angústias da
adolescência
sem fim
felicidade ou não?
e do deixar de
ser criança
negar conflitos
sem razão
16 No período
da passagem
Adolescentes,
assim
mais alegres
que crianças
sempre achou
isso; adulto, enfim
ainda maior
firmeza
a esse gozo ser
a fim
17 Emanuel Vianna
Teles
O Veloso,
conhecido
com 14 anos ia
ao Rio
a programas de
rádio ido
Paulo Gracindo
era um deles
Violão ter
recebido
18 O florescer
dessa ventura
sempre na
imaginação
A puberdade do
sempre jovem
Quinze de
idade, tesão
E os marcos
exteriores
Mesmo evitando
datação
19 É um
santamarense "moderno"
Da mente ápice? 50
sente isso, mas
memória
não é a mesma,
sofreu aos quarenta
e poucos,
óculos para ler etc.
Não perder?
Tenta
20 E pessoas
dizerem "o óculos"
Sim, em vez de
"os óculos", né?
Erros de concordância
faziam mal
Gosta de
gramática, é
essa não
observância lhe dói
insalubridade
social, até
21 Escreve em
modo assim barroco
não acha que os
brasileiros
devessem estar
desatentos
coerência e
coesão, primeiro
mal uso do
acento agudo
Coisa de velho?
Certeiro
22 Com Bethania
em bares
de Salvador,
Filosofia, UFBA, sim
show em meia
quatro com Gal
Depois com Gil,
e Tom Zé, enfim
No Teatro Vila
Velha
Com a irmã, ao
Rio assim
23 Meia cinco,
compôs “Boa Palavra”
Maria Odete, Na
Record cantou
quinto lugar
num Festival
o baiano ganhou
“Domingo”, seu
primeiro disco
meia sete com
Gal, ele gravou
24 Meia sete,
num outro III Festival
da Record,
cantou “Alegria, Alegria”,
com a banda
Beat Boys
a conservadores
irritaria
rock e o
regional= MPB?
Em 4º,
TROPICÁLIA inicia
25 Se sentia um
adolescente
Meio a
idealizar o mundo
Experiências
correspondentes
Mas o corte foi
profundo
A envelhecer
estava, sim
"luta de
classes"? Viu o imundo
26
No ano de meia sete
Tudo
ele barbarizou
Com
os tropicalistas todos
O
alarido se espalhou
Virou
debate político
No
Brasil e no exterior
27
Quando ainda muito jovem
De
Oswald alguém lhe falou
Ele
ficou curioso
Logo
ele assimilou
Viva
a Antropofagia
O
concretismo e o rock ’n’ roll!”
28 Já
com essa bagagem toda
Um
imbróglio ele instaurou
Misturou
as coisas todas
Muita
gente não gostou
Da
nova forma de música
Que
no Brasil se espalhou
29 Pegaram
a guitarra elétrica
Pra
juntar com o tamborim
Beatles
com Luiz Gonzaga
Os
Stones com Jobim
Barbarizaram
à vontade
Ao
estilo tupiniquim
30
Pra homenagear Araújo
Com o seu bordão estiloso
Compuseram
a tal música
“Divino,
Maravilhoso”
Virou
cena na Tupi, mas foi-se rápido
Durou
pouco, mas famoso
31 No
final de meia sete
Um
escândalo total
Prenderam
Caetano e Gil
Com
aquele AI-5 infernal
Depois
exilaram os dois
Pra
London, London, a capital
32 Lança
lá “Caetano Veloso”
“London,
London”, em sete um
Aí
voltou ao Brasil
Sete
dois show em Salvador. Hum!
Ao
lado de Chico Buarque
Sete
três vem “Araçá Azul” e zoom!
33
Ficaram por lá uns anos
Voltaram
em setenta e dois
E
chegaram, enfim, aqui
Brasil,
baião de dois, pois
Mas
ainda havia milico
No
poder, repare, pois
34 Não: quando
era garoto
era mais puro
até o exílio
e vaidades gramaticais.
Aos 30, nasceu
seu filho
alegria
indizível, volta ao Brasil
ainda lembra
estribilho
35 Começou
logo a gravar
Num
estilo experimental
“Gilberto
Misterioso”
Outras
coisas, viço tal
Sai em
janeiro, sete três
Araçá
azul, que vendeu mal
36
Em sete cinco o “Qualquer Coisa”
Já
pra lá de Marrakesh
“Odara”,
no “Bicho”, “Um índio”
Só
em sete sete, mexe
No
mesmo ano “Alguém Cantando”
Quem
ouve, não esquece! Mexe
37 Em
sete meia, com Gal, Gil e a irmã:
Vem
grupo “Doces Bárbaros”,buchicho!
No
ano seguinte, vai com Gil
Arte
e Cultura Negra, na Nigéria, sem nicho
Pesquisa
e integração
Depois
gravou o disco “Bicho”
38 Setenta
e nove, outra coisa
“Cinema
Transcendental”
Com
uma capa bem bonita
No
Recife, conceitual
“Menino
do Rio”, beleza
“Trilhos
Urbanos, Gal...”
39 Também
“Oração ao Tempo”
Versos
lindos, sem igual
“’Elegia”,
“Beleza Pura”
“Vampiro”,
do bem? do mal?
“Louco
por Você” e tantas
Editora “Universal”
40 Na
década de 80
Shows
e álbuns, ele fez
Vêm
assim “Outras Palavras”
Com
Chico Buarque, na TV foi a vez
Do
programa “Chico & Caetano”
Sucesso
sem talvez
41 “Circuladô
de Fulô”
Esse
só em nove um
Com
a capa amarelada
Uma
colagem, incomum
Parceria
com os concretos
Da
vanguarda um desjejum
42 Em
nove dois, 50 anos
"Circuladô":
CD é lançado
Prêmio
Sharp: canção, cantor design
“Verdade
Tropical”, danado
Foi
em livro em nove sete
Não
ficava parado
43 Depois
faz trilhas sonoras
De
Almodovar “Fale com Ela”
E
“Frida”, de Julie Taymor
Vem o Grammy, em dois mil pela
World
Music, (no futuro mais três
Figura
do Ano, estrela
44 Dois
mil e seis bem elétrico
Disco
e banda “Cê”, demais
Alguns
shows aqui, ali
Com
turnê nas capitais
Doze
faixas nesse disco
Videoclipes,
nada mais
45
Dois mil e nove, “Zii & Zie”
Mesma
onda, agitação
Dois
e doze, “Abraçaço”
Aquela
capa, várias mãos
Dois
e vinte e um, “Meu Coco”
Arranjo
lindo. Inovação
46 Ele
tem três filhos: Moreno
Com
Andréa Gadelha
Zeca
e Tom Veloso, com
Paula
Lavigne, empresária, parelha
Que
muito faz, ainda hoje, por ele
Ela
é um dínamo, uma centelha
47 Caetano
é movimento de:
Ruptura, desconstrução
Cultural
em toda a carreira
Sua excentricidade, ação
sonoridade, ironia
sociopolítica ou não
48 Por
vezes contraditório
Ele
caminha na pauta
progressista
nos inúmeros
temas,
polemismo, em alta
há
sempre perigo? Não é?
Não
teme Caetano: salta
49 Com
independência ideológica
E, sim, assertividade
Tem
visão personalista
De
olho na crítica, verdade
obra
esplendorosa faz
mistura
diversidade
50 Dissonante,
alegórico
e crítico compõe na tensão
em
relação com seu público
debates nacionais, ação
se
conecta com o presente
dele é representação
51 Busca
do novo: estética
No
espelho do momento
por
ele, intermitente
em “Meu
Coco”, provento
de
21, fala do poder da internet
e
seu “tribunal, acorrento
52 E
agora recentemente
Com
Bethânia uma turnê
Repertório
variado
Muita
coisa a promover
Tá
rodando o Brasil todo
Quem
não viu, corra pra ver
53 Em
“Tropicália 2” fez
celebração,
sobre o samba
que
ainda vai nascer', porque
meio
João Gilberto, bamba
não
há reserva indígena
do
samba, nem caçamba
54 Nessa
canção o samba é um projeto
de
Brasil, ele gosta disso.
João
Gilberto gravou o samba
Mesmo
vacinado contra isso
João
nem gosta muito de Noel
Gravou
'Palpite Infeliz', no viço
55 Ainda
jovial mais de 80
Comemora
a juventude
ao
vivo via internet
streaming
com atitude
Globoplay
e Multishow
Sem
aparentar finitude
56 Com
os três filhos
E a irmã. Ele? Inesgotável, vivaz
Cerebral
, livros lhe vasculham
Tipo os de Eucanaã Ferraz
juntou
suas canções (três nove zero)
canções desde 1965, audaz
57 Caetano
tem cinco álbuns
de material inédito, é
desde
Noites do Norte ,2000
até agora, Lado C desnuda, com fé
reinvenção
de Caetano
Em “Amor mais que discreto”, até
58 De
dois mil e sete, ele
Renovou seu pendor gay
E em
“Tarado ni você”
(De 2009), sei
Em
11, rejuvenesce
Abraçaço
pra Marighella: hey!
59 Guilherme
Wisnik, ecoa
“Careta, quem é você?
2006-22
Caetano
neoliberal, Ê!
Já
em “Outras palavras”
O
revisita: mais Badauê
60 Episódios
divertidos
e
semifofoqueiro
alívio
cômico, né?
folclore
pra esse brasileiro
mito cruel de uma juventude
vovô
tá nervoso? Certeiro!